Circa Waves – What’s It Like Over There?



À primeira vista, What’s It Like Over There? parece uma simplificação ou uma mudança de direção no trabalho dos ingleses do Circa Waves mas com uma audição mais atenta dá pra perceber que a aparente simplificação é na verdade a consolidação do som que eles vem construindo desde o primeiro álbum e agora conseguem dizer bem mais com menos elementos.

O álbum abre com a vinheta-título que parece bastante sem propósito dada a estética que o trabalho como um todo tem. Mas “Sorry I’m Yours” que vem na sequência soa mais como a verdadeira abertura e vem com uma grande força trazendo a energia característica co Circa Waves numa faixa que é ao mesmo tempo potente e sentimental. A música alterna bem a explosão de um riff de guitarra poderoso e abafado com uma levada de baixo e bateria que passa a vibe mais sentimental. O refrão cantado é desses simples e gostosos de cantar e o refrão instrumental fica na cabeça bem depois que a música acaba e essa é uma característica que vai aparecer em diversos outros momentos do álbum.

Na sequência temos “Times Won’t Change Me” que introduz um piano marcando o ritmo e combinado com a bateria com uma pegada militar mais lenta e que explode no refrão é uma ótima faixa pra cantar junto e deve funcionar muito bem ao vivo. “Movies” aparece logo depois e é uma faixa que saiu como single antes do álbum e dividiu a opinião dos fãs na época por se tratar de uma faixa abertamente mais pop do que tudo que o Circa Waves já tinha apresentado. É com certeza uma faixa mais comercial e de certa forma até genérica mas é agradável de ouvir e está bem posicionada no álbum entre duas ótimas faixas e funciona bem como transição.

“Me, Myself And Hollywood” é uma faixa bastante sentimental e transmite bem a atmosfera cinematográfica que e a letra pede através de uma construção que mescla uma guitarra mais pra cima com uma cadência de baixo e bateria mais lentas e os breaks da cozinha fazem bem a transição entre moods como cortes de câmera numa faixa bem curta.

A segunda metade do álbum é quase toda pra ser cantada em estádios com bons refrões e leves quebradas de tempo pra empolgar a galera no show. O melhor exemplo disso é “Be Somebody Good” com a sua bateria entrecortada no refrão e o melhor solo de guitarra do álbum inteiro.

What’s It Like Over There prova que e possível fazer fazer um som abertamente mais pop sem perder a energia do rock alternativo construída ao longo dos trabalhos anteriores.

OUÇA: “Times Won’t Change Me”, “Me, Myself and Hollywood” e “Be Somebody Good”

Circa Waves – Different Creatures

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Podia até não parecer na época, mas em 2015 vivíamos tempos mais simples. Era o ano em que a banda de Liverpool Circa Waves lançava seu primeiro álbum, o solar Young Chasers. Repleto de canções alegres sobre ser jovem e despreocupado e perfeito para cantar junto com os refrões cativantes, o disco foi bem-recebido no universo do indie pop. Ele garantiu à banda uma quantidade significativa de fãs e a possibilidade de ir para turnês com bandas como The 1975 e The Libertines.

Mas não estamos mais em 2015.

A segunda produção do Circa Waves, lançada dois anos após o álbum de estreia, apresenta uma versão muito mais sombria da banda, mais adequada para o cenário caótico que enfrentamos em 2017. Different Creatures traz guitarras mais intensas, baixos muito presentes e letras que deixam de tratar sobre dias simples de verão, abordando, desta vez, assuntos como ansiedade, solidão, problemas com bebida e até mesmo a crise dos refugiados na Europa – temática que aparece na música que dá nome ao disco, no trecho ‘And 20 thousand souls/ Are sold tonight/ Making us their home‘.

Contudo, isso não torna Different Creatures triste ou melancólico. A primeira metade do álbum conta com faixas energéticas, barulhentas e intensas – mesmo quando falam apenas sobre relacionamentos frustrados. É o caso de “Wake Up”, que abre o CD, ou de “Goodbye”, uma das melhores canções da banda. Já a segunda metade do disco soa um pouco mais com o trabalho anterior, com músicas como “Stuck” e “Crying Shame”, que, sonoramente, se encaixariam em Young Chasers. Essa divisão clara do disco em duas partes é incômoda, uma vez que faz parecer que a banda não decidiu se quer continuar no conforto do indie pop ou se está disposta a se aventurar no cenário da guitar music.

Em entrevistas concedidas antes do lançamento do disco, o vocalista Kieran Shudall afirmou que esse seria o maior álbum de rock de 2017 e que, com ele, a banda seria considerada o futuro do gênero e provaria que está pronta para ser headliner de grandes festivais. Declarações ambiciosas. Different Creatures não é revolucionário, ou um trabalho tão memorável a ponto de ficar marcado na história do rock, mas mostra que o Circa Waves está ganhando maturidade e trabalhando para atingir seus objetivos de se tornar uma banda de rock respeitada. Além disso, muitas das canções são, de fato, perfeitas para versões ao vivo. É muito fácil imaginar uma plateia de Glastonbury cantando e dançando com “Fire That Burns”, por exemplo. Mas esse não é o disco que transformará o jovem quarteto inglês em atrações principais de grandes shows. Isso pode levar algum tempo, mais alguns discos, e vários shows como atração de abertura, mas, pela evolução que a banda apresentou em apenas dois anos, as expectativas ambiciosas de Shudall não são assim tão inalcançáveis.

OUÇA: “Fire That Burns”, “Goodbye” e “Different Creatures”.

Circa Waves – Young Chasers

circa

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Sabe quando você ouve algo que até agrada seus ouvidos mas não consegue elaborar uma opinião concreta, seja ela positiva ou negativa?! Pois então, foi exatamente isso que senti ao ouvir Young Chasers. Depois de muito relutar consegui colocar minha opinião em palavras, o que me fez perceber o quanto ainda estou em cima do muro.

Quarteto de Liverpool recém formado com algumas músicas já lançadas, em seu debut, Circa Waves apresenta mais do mesmo do gênero indie e se destaca em algumas poucas faixas, exatamente as lançadas anteriormente, como por exemplo, “Fossils” e “Stuck In My Teeth”.

Com melodias que remetem à Two Door Cinema Club, The Wombats, e até a mais recente Peace, Circa Waves mantém o controverso paradigma “bandas britânicas fazendo músicas ensolaradas”. No total de 13 faixas em sua versão normal e 17 na versão deluxe, a impressão que passa é que a banda quis mostrar serviço e colocar em circulação todas as composições e melodias já compostas pela mesma.

Circa Waves se encaixa num grande grupo de bandas indie mas se perde em seu meião, uma vez que não apresenta nenhum diferencial comparada à suas companheiras. Young Chasers não deixa de ser um bom álbum, mas não chega a se tornar uma obra memorável. De qualquer forma, é válida a ouvida se você é fã do estilo musical. Quanto a isso tenho certeza, você não irá se arrepender.

OUÇA: “T-Shirt Wheater”, “Fossils”, “Stuck In My Teeth” e “Lucky Has Gone”