Catfish and The Bottlemen – The Balance



Muitas bandas evoluem e muitas bandas crescem, mas nada disso é o caso do Catfish and the Bottlemen. Dois anos desde o lançamento do último álbum, o quarteto de Llandudno retorna com seu novo trabalho: The Balance. Este é o terceiro disco da banda, mas seria fácil acreditar se dissessem que é o primeiro ou o segundo. A fórmula que mistura confiança e um tanto de arrogância funciona muito bem para o Catfish e consegue disfarçar muito bem a sua falta de ambição.

O Catfish and the Bottlemen foi formado em 2007, mas foi apenas em 2014 que a banda lançou seu álbum de estreia, The Balcony. Atraso talvez seja um bom jeito de defini-los. Van McCann e companhia surgiram para o mundo apresentando um som um tanto juvenil, totalmente batido para o ano em que estavam. O segundo álbum, The Ride, não foge muito dos moldes de seu antecessor. As faixas são até mais corajosas e confiantes, porém despretensiosas.

“Nothing’s really changed between then and now”, diz McCann em “Basically” – uma das 11 faixas do The Balance, que parece a última parte dessa trilogia. E esse trecho resume bem o resultado do álbum. O novo trabalho mantém o mesmo ritmo de 2014, até com um um aperfeiçoamento dos versos e melodia – parte disso graças ao produtor Jacknife Lee que já trabalhou com R.E.M., U2, and The Killers. The Balance não tem um potencial hino memorável para o indie rock, mas apresenta músicas como “Longshot” e “2all” que são boas candidatas a levantar um público.

Provando mais uma vez que não liga para as críticas sobre a falta de criatividade, o Catfish and the Bottlemen se encontra bem confortável para quem deseja ser grande. Mas The Balance mostra que isso não vai acontecer agora. O passar dos anos pode até dar mais confiança para a banda, mas ela precisa tentar sobreviver à própria teimosia para que isso seja possível.

OUÇA: “Longshot”, “2all”, “Conversation” e “Coincide”

Catfish and The Bottlemen – The Ride

CATFI

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O Catfish and The Bottlemen é uma banda peculiar. O primeiro álbum dos britânicos, The Balcony (2014), apresenta uma espécie de indie rock genérico, daqueles que você precisa se esforçar para lembrar qual banda está ouvindo. Apesar de um som sem nada particularmente original, o debut foi um sucesso de vendas. Para uma banda formada numa cidadezinha no norte do País de Gales, ganhar as rádios e os palcos do mundo todo foi um feito e tanto. O sucesso comercial do debut deve-se aos fortíssimos singles, daqueles feitos para a plateia cantar junto e o refrão grudar na cabeça pelo resto do dia.

Eis que quase dois anos depois, a banda lança seu próximo trabalho de estúdio. Dizem que o segundo álbum é sempre um tabu para uma banda, ainda mais quando o debut foi, de alguma forma, bem-sucedido. Sem dúvidas a pressão do sucesso comercial influenciou o Catfish no seu segundo disco. The Ride surge nesse contexto de uma banda jovem tentando buscar identidade e expressividade ao mesmo tempo que quer preservar a popularidade alcançada com o trabalho anterior.

The Ride não é um disco pretensioso. Não explora o sucesso antecessor para introduzir experimentações e inovações. Trata-se mais de uma afirmação e conformismo das próprias limitações da banda. A sonoridade do álbum é bem parecida com a do seu antecessor. As canções apresentam uma textura mais crua e menos polida, mas a essência é a mesma: melodias genéricas e grudentas com letras tediosas. Não me levem a mal, o álbum não é ruim. Acho que a palavra mais apropriada para o definir é desinteressante.

Na atmosfera prosaica do álbum, ressalta-se o abuso da fórmula de hits. Enquanto The Balcony apresentava singles fortes como “Katheen” e “Cocoon”, The Ride apresenta uma carência de canções que se destacam. Praticamente todas as faixas tem a mesma estrutura de hit sem que nenhuma tenha a força dos sucessos do álbum anterior. Na verdade, a parte mais interessante do disco é justamente as canções que subvertem essa fórmula, como nas faixas com pegada mais acústica “Glasgow” e “Heathrow” que funcionam como respiros.

The Ride é um álbum que mostra que o Catfish pouco evoluiu nestes dois anos, repetindo os pontos fracos do trabalho anterior. Porém, como disse anteriormente, não se trata de um álbum ruim. Deve encontrar seus fãs e até tocar naquela festa indie de público jovem. Não é um disco que você vai ouvir e ficar inspirado, mas talvez faça você dançar enquanto se pergunta: “Da onde eu conheço essa música mesmo?”

OUÇA: “Soundcheck” e “Glasgow”.