Caravan Palace – Chronologic



Sem lançar material novo desde 2015, os franceses do Caravan Palace retornam com a produção impecável de sempre e com uma abordagem mais pop pro seu som sem deixar de lado a aura do eletro swing com toques de jazz burlesco que consagrou o grupo.

“Miracle” abre o disco e ainda carrega bastante dos trabalhos anteriores com as linhas de metais proeminentes e a levada rítmica dançante  bastante influenciada pelo ragtime. O baixo mais carregado e a batida mostram levemente a direção que o álbum vai tomar em seguida mas ainda é uma faixa que vai agradar os fãs mais antigos. “About You” que vem na sequência traz a participação de Charles X fazendo uma linha vocal bem soul e funciona bem com o baixo sintetizado que conduz um beat numa levada hip hop. Os breaks melódicos ajudam a dar um respiro numa faixa que é bem carregada de batidas.

Uma diferença bastante notável desse trabalho para os anteriores além das construções das músicas está nas letras. Enquanto nos álbuns anteriores as letras eram mais divertidas e brincavam com o nonsense, aqui temos uma vibe bem mais nostálgica e reflexiva que se reflete mesmo em músicas animadas como “Moonshine” que é bem dançante mas carrega nas cordas e linhas de sopro uma certa tristeza que é acentuada pela textura de gravação antiga que permeia a faixa. “Melancolia” que vem na sequência continua na mesma pegada com uma construção baseada num rap lento e a linha de piano de cabaré e os backing vocals ajudam a trazer essa melancolia do título.

A produção mais pop aparece com força em “Plume” um EDM bem padrão que, se não fosse pelas linhas de sopro características do Caravan Palace e um toque de reggaetown, não teria muita identidade mas funciona bem fechando a primeira parte do registro.

A segunda metade do álbum é introduzida por “Fargo”, uma brincadeira instrumental de pouco mais de um minuto que emula uma vinheta de jazz dos anos 20 e dá a deixa para “Waterguns” que é um dos pontos altos do disco com a participação de Tom Bailey encaixando um crooning dentro de um EDM mais lento que funciona bem com o coro formado pelos integrantes do Caravan Palace e a batida que é levada com hi-hats e clap hands.

“Leena” e “Supersonics” são boas faixas mas a produção deixa o instrumental alto demais ofuscando duas das melhores performances vocais de Zoé Colotis tanto numa faixa mais lenta como a primeira quanto numa que seria ótima para cantar ao vivo em estádio como a última.

O disco fecha lindamente com “April” numa faixa que carrega tanto tristeza quanto esperança com seus versos lentos e seu refrão instrumental conduzido por metais e seu fim que desaparece aos poucos deixando saudade em quem ouve. 

Depois de se consagrarem como uma das bandas mais relevantes do eletro swing nos registros anteriores, Chronologic expande os horizontes do Caravan Palace trazendo outras influências ao seu som característico e pecando pelo excesso em alguns momentos. No entanto, o resultado final é bem coeso e mostra que o grupo consegue se sair bem explorando elementos diversos e abrindo seu som para um público mais amplo.

OUÇA: “About You”, “Moonshine”, “Waterguns” e “April”

Caravan Palace – <|°_°|>

aravan

_______________________________________

Sabe quando você escuta uma banda nova e, por algum motivo, não consegue parar de ouvir? Mesmo que seja estranho, algumas coisas pareçam não se encaixar, lá está você a ouvir pela milésima vez o som da banda. É exatamente isso que acontece com o novo álbum do Caravan Palace, com uma combinação de ritmos e estilos tão estranhos quanto o título,  <|°_°|> (Robot) é um álbum pra ser ouvido em repetição.

“Lone Digger” o primeiro single e faixa de abertura do disco tem uma energia contagiante colocando jazz nas melodias, ragtime em alguns riffs e uma cadência eletrônica levando isso tudo e deixando o ouvinte ávido pelo que vem a seguir. “Comics” é um pouco mais downtempo mas ainda assim faz você viajar nas texturas sonoras, é o tipo de faixa que fica perfeita no fone de ouvido mas também daria um ótimo momento pra dançar ao vivo.

O mix de referências continua e, aos poucos, você vai percebendo que uma nostalgia pelos anos 20 é o que norteia todo o disco, “Aftermath” traz um pouco da música tradicional francesa e um solo de trompete simples mas que ainda assim empolga numa faixa que fica sempre a ponto de explodir mas nunca chega realmente lá.

O ponto baixo do disco é justamente ter começado tão bem, depois de “Lone Digger”, mesmo que as faixas sejam muito bem feitas e produzidas, fazendo o ouvinte se perder nas texturas, cadências e diferentes linhas instrumentais, você fica o tempo todo esperando por um outro grande momento como esse e ele simplesmente não vem. Não que isso estrague o álbum por completo, mas a energia do começo não aparece em nenhum outro lugar no disco.

O mais legal sobre <|°_°|> é ser um álbum que te mostra coisas novas a cada audição, não importa quantas vezes você tenha escutado, sempre vai haver algo não revelado entre as camadas e mais camadas de batidas, vozes e melodias que compõem esse disco. <|°_°|> é burlesco e moderno, tipicamente francês e internacional, enfim, uma viagem por extremos que vale a pena ser ouvida.

OUÇA: “Lone Digger”, “Aftermath” e “Tattoos”