Camarones Orquestra Guitarrística — Surfers



O fato é: essa vai ser uma resenha um tanto regional e pessoal. Teje dito.

Camarones Orquestra Guitarrística é uma banda de rock instrumental potiguar com mais de 10 anos de carreira, turnês mundiais, passagem pelo Rock in Rio, curtida por alguns ícones do rock brasileiro e com 7 discos de estúdio nas costas (mais 1 ao vivo!). No dia 27 de maio eles lançaram Surfers, pelo Dosol. E por que você nunca ouviu falar nela? Também não sei. 

Conheci Camarones na adolescência. Meu professor de História, na época, era baterista da banda e convidou a turma pra ouvir e tal. Eu me animei, fui a um show no (finado, mas para sempre querido) Dosol Rock Bar e achei daora meeesmo. Surf music, galera animada e apaixonada pelo que faz (grande salve para Ana Morena, rainha das 4 cordas e dos sorrisos!) e um show bem eletrizante. Ao longo do tempo a banda mudou a formação algumas vezes, mas sem perder o que há em seu ventre. A atual Camarones conta com Ana Morena, Anderson Foca (ambos integrantes originais), Yves Fernandes e Alexandre Capilé (aquele do Sugar Kane sim). 

A verdade é que a banda pode ser sintetizada por duas palavras já ditas: rock e energia. O sétimo álbum não é diferente. O cd já se inicia com uma vibe à la batman surfista, com a faixa-título, num conjunto de guitarra + baixo na mesma linha + bateria dançante. Aliás, baixo e bateria fazem a cozinha do Camarones um lugar muito vibrante, coeso, apaixonante (e apaixonado!). “Tromba D’água” lhe deixa com o riff na cabeça, e é perfeita pra meter aquele headbanging no bar inferninho da sua cidade. Para os fãs de Weezer e afins, a mais legal vai ser “Buddy Holliday” (com espaço pra trocadilho com a banda californiana). Em seguida, vem a surpresinha do álbum: “Cartagena”, imersa na América Latina com uma mistura de ska, cumbia, guitarrada e, quem sabe, carimbó. Certamente essa faixa foi criada ou inspirada em uma das passagens da banda pelo norte brasileiro. Ainda pertencem ao cd a faixa com jeitão de RG da Camarones: “Stinky Skunk”; a suingada “Ultralevel”; a alternativa “Ian”; e ”Fortim Auors”, fechando o trabalho. 

E por que escutar Surfers — ou qualquer outro trabalho da Camarones? É fato que a música instrumental vem ganhando, cada vez mais, um espaço no coração dos brasileiros. A exemplo disso temos a também de surf music Beach Combers, a também natalense Mahmed etc. Essa abertura permite um maior dinamismo na música autoral do país, bem como uma maior gratificação e reconhecimento dos selos e gravadoras independentes. E, por último, é um bom álbum! Veloz (20 minutos de duração), caseiro, mas sem deixar de ter seus charmes. Então, vida longa a Camarones!

OUÇA: “Ian”, “Buddy Holiday” e “Cartagena”

Camarones Orquestra Guitarrística — Feeexta

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A banda Camarones Orquestra Guitarrística está na ativa desde o final da década de 2000. É uma banda de rock instrumental de Natal/RN. Pode-se dizer que está na lista de bandas instrumentais com maior visibilidade, e isso se dá – talvez – por alguns motivos: som muito acessível e por ser um rock basicão misturado com outras sonoridades, principalmente o surf music.

Todos os discos da banda tem músicas muito curtas e que sempre ficam ainda mais divertidas ao vivo. O grupo é muito performático nos shows, principalmente a baixista Ana Morena – que além de tudo, é muito carismática.

Em seu novo trabalho, o disco Feeexta, que saiu no início do ano, a banda apresenta mais um disco curtinho e com músicas muito estimulantes. Difícil não bater o pé e balançar a cabeça enquanto ouvimos. O nome do disco tem realmente tudo a ver com ele, e a proposta é atendida.

A banda já chega nos fazendo bater o pé com “SinksMania”. Em “DiscoPunk” e “Rato d’Água” é que surge a vontade de dançar de verdade. Já na “Feeexta” o impulso que dá é o de sair pulando. Na faixa “Praia do Leste”, o nome já diz, vêm um surf rock pesadão, que depois é retomado em versão mais tradicional do estilo em “Datcho Reverb” e “MOB”. “Ted Pesadina” é uma das melhores faixas. Há um diálogo entre riffs das guitarras que se estende até o fim. Delicioso de ouvir. Há a retomada do seu último disco – O Curioso Caso da Música Invisível — na faixa “A Música Invisível Continua”. O clima é então quebrado – ou quem sabe não – pela faixa “EarlyRichard”, um ska psicodélico que já emenda na “BP” pra finalizar com porrada.

Curtinho assim é o Feeexta. Sem muito a dizer, só sentir e pular.

OUÇA: “Ted Pesadina”, “DiscoPunk” e “Feeexta”.