Bruce Springsteen – Western Stars



Cordas e personagens errantes. Esses são os ingredientes de Western Stars, o 19º álbum de estúdio de Bruce Springsteen. São 12 faixas de country rock, que dão voz a histórias de protagonistas envelhecidos, que olham para a estrada vazia como um longo e cansativo caminho a ser percorrido. A sonoridade do álbum, que remete aos anos 1960 e é muito diferenciada do que se tornou o esperado de Springsteen, é justamente um dos pontos (mais) altos do álbum. É um ponto fora da curva na discografia do The Boss – mas um ponto muito bem marcado.

Seja o dublê, o ator em fim de carreira ou o laçador de cavalos, é impossível ficar imune aos personagens e às histórias contadas pelo cantor em Western Stars. Aos 69 anos, a voz de Springsteen, grave e cristalina, conquista a atenção do ouvinte em meio aos arranjos musicais do álbum. São canções mais contemplativas, em comparação com as composições mais recentes do músico, antes mais voltadas para questões políticas dos Estados Unidos. Em “Western Stars”, os protagonistas trazem traços inconfundíveis de personagens sobre os quais Springsteen gosta de cantar – mas, desta vez, com um som mais intimista.

As temáticas são mundanas, mas evocativas. Esse é um álbum que traz consigo imagens de seus personagens, de suas paisagens. É impossível ouvir Western Stars e não se imaginar vagando sozinho em uma estrada rural norte-americana, como apenas o horizonte azul de companhia.

OUÇA: “The Wayfarer”, “Stones” e “Hello Sunshine”

Bruce Springsteen – High Hopes

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O quatro vezes vencedor do Grammy, Bruce Springsteen, e sua banda de apoio, a E Street Band, estão de volta – depois de Wrecking Ball, de 2012 – com o disco High Hopes, seu décimo oitavo, composto de sobras de estúdio, músicas que somente tinham sido executadas ao vivo, covers e regravações de composições antigas. A grande novidade é a participação, em 8 das 12 faixas, do guitarrista do Rage Against the Machine – o Tom Morello – o qual já havia participado da turnê australiana do disco anterior do músico americano.

Mesmo que a presença de Morello atualize o trabalho de Springsteen, High Hopes é um retorno aos primeiros discos do músico, com guitarras velozes e distorcidas e sem o excesso de coros vocais, tornando-o muito diferente dos últimos trabalhos. Os covers são extremamente bem trabalhados e redirecionados ao estilo de Bruce, fazendo-os parecer como se fossem de sua autoria, como mostra claramente “Just Like Fire Would”, da banda australiana The Saints e também a faixa que intitula o álbum, dos Havalinas. Embora não haja nenhuma música recentemente composta, as novas versões mostram como ele é capaz de continuar sendo o clássico americano a que estamos acostumados, mas ainda assim reinventar-se continuamente.

Tendo em vista o apoteótico show no Rock in Rio do ano passado – no qual houve até um cover de Raul Seixas – mostrando o quanto Bruce pode variar sem perder seu estilo característico, pode-se esperar muito da turnê de High Hopes, pois Springsteen é um grande performer e Morello também não deixa a desejar nesse quesito. É válido lembrar também que a E Street Band, banda de apoio de Bruce, vale muito a pena ser vista ao vivo.

High Hopes é um disco feito para os fiéis fãs de Springsteen, mas, principalmente, é feito para novos ouvintes, que certamente se tornarão fanáticos por esse clássico de Nova Jersey, pelo fato dele ser uma retrospectiva de todo o trabalho de Bruce e pela inovação trazida por Morello. Um disco que mostra tudo o que um dos artistas mais aclamados nos Estados Unidos é capaz e que cativa profundamente o ouvinte e que com certeza terá uma turnê à altura.

OUÇA: “American Skin (41 Shots)”, “High Hopes” e “Just Like Fire Would”