Broods – Don’t Feed The Pop Monster


Poucas coisas são mais irônicas do que começar um trabalho chamado Don’t Feed The Pop Monster com uma música pop até a medula. Ao longo de seu terceiro álbum, Broods mostra que a intenção da dupla não era fugir de sons grudentos. O foco era proporcionar canções pop que não fossem esquecíveis e sem personalidade.

Os irmãos Georgia e Caleb Nott continuam apostando no mesmo tom melodramático e até exagerado dos álbuns anteriores. Porém, isso ficou mais latente nas letras dessa vez, já que a sonoridade do novo lançamento está mais leve e próxima de artistas cheios de energia, como HAIM.

Mesmo não abandonando os sintetizadores pelos quais são conhecidos, o duo se arrisca um pouco mais, como em “Dust”, em que guitarras remetem a “Wicked Love”, de Chris Isaac. Outro risco foi colocar Caleb para cantar em “Too Proud”, o que acabou destoando do resto do álbum, em que a suavidade da voz de Georgie garante um clima de delicadeza, mesmo quando a euforia se sobressai.

O grande destaque fica por conta da proximidade com o dream-pop. Além disso, várias músicas dos irmãos nascidos na Nova Zelândia lembram bastante os vocais sussurrados e etéreos de Imogen Heap, assim como as melodias intimistas e inventivas da cantora, como em “Falling Apart”.

Broods também se joga em referências pop dos anos 90 e 2000 em alguns momentos, desde B-52s até Gwen Stefani.  Portanto, trata-se de mais um trabalho em que o duo tenta desafiar expectativas, mostrando como o pop ainda tem muita flexibilidade para ser divertido sem cair na obviedade.

OUÇA: “To Belong”, “Everyting Goes (Wow)”, “Peach” e “Hospitalized”

Broods – Conscious

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A dupla neo-zelandesa Broods surgiu em 2013 como um enorme sopro de inovação em meio a um cenário synthpop que caminhava (e ainda caminha) para a saturação. O primeiro disco, Evergreen, foi aclamado pela crítica, entregou um pop de arena, repleto de elementos já explorados anteriormente mas majestosamente trabalhos pelo produtor Joel Little, que produziu nomes como Lorde, Ellie Goulding e Kids of 88.

Infelizmente em Conscious esse feito não se repetiu. Caímos na mesmice e na falta de evolução musical, o que é um grande pecado para um segundo disco, onde normalmente os artistas mostram a que vieram. Não podemos dizer que chega a ser um trabalho raso. Há profundidade, mas continuando nessa metáfora o trabalho se compara a um grande aquário, profundo, cheio, mas sem nenhuma movimentação.

Talvez o único destaque digno de citação sejam as composições. Principalmente as que contaram com a participação de artistas que não os irmãos Nott, Lorde, Tove Lo e a produtora Alex Hope levantaram a moral das canções que se envolveram para um nível além do “apenas ok”.

O que torna mais decepcionante é ver o quanto todos os envolvidos sabem seu caminho no estúdio e tem uma capacidade criativa muito grande, mas ainda assim se perdem no meio disso tudo, se afastando das referências iniciais de seu debut e como resultado temos um trabalho que possui qualidade técnica, mas que nunca enche os olhos (e ouvidos) de verdade.

OUÇA: “Heartlines”, “Couldn’t Believe” e “Conscious”

Broods – Evergreen

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Original da Nova Zelândia, fenômeno no SoundCloud e música produzida por Joel Little. Com tantas semelhanças a comparação com Lorde é inevitável, mas nada que perturbe Georgia e Caleb, os irmãos Nott sabem o quanto devem do sucesso alcançado pelo Broods à conterrânea. Mas se Ella abriu o caminho, eles souberam trilhá-lo. Assim como “Royals”, “Bridges” era apenas a ponta de um iceberg, e por baixo do hit, encontramos muito talento.

O duo trabalhou rápido. Pouco depois do eletro-pop de “Bridges” percorrer os blogs de música no último trimestre de 2013, eles liberaram o primeiro e autointitulado EP. Ao longo de 2014 já estavam em tour, abrindo os shows de HAIM, Ellie Goulding e Sam Smith. Até que em agosto, Evergreen foi lançado. Formado por onze faixas, o álbum abre logo de cara com a melhor delas, “Mother & Father” é a combinação de uma poesia sensível – onde os irmãos exploram a própria fragilidade enquanto jovens de 19-20 anos que deixam a casa dos pais para “viver a própria vida” longe da cidade natal – e um arranjo imponente,  marcado por batidas fortes e bem definidas. Aliás, vestígios dessa curiosa característica do duo de “camuflar” letras sombrias, tristes e/ou nostálgicas com produções upbeat estão espalhados por todo o disco.

A partir da segunda faixa prevalece na obra uma sonoridade mais suave, com melodias etéreas envoltas por uma atmosfera próxima ao dream pop. “Everytime” apresenta, ao mesmo tempo, o refrão mais dramático e energético de todo o trabalho, enquanto “Killing You” evidencia a melancolia adolescente que remanesce nas composições do Broods (nos lembrando que há tempos não existia um duo/banda cuja escolha do nome fosse tão acertada). Em contraponto, “L.A.F.” se destaca por ter a temática mais “ensolarada” da tracklist, com batidas descompassadas e referência a Spice Girls.

Ao procurar falhas, diante de tantos acertos, percebemos que o Broods só perde para si mesmo. O álbum vence pela facilidade com que pode ser digerido, mas falta em deixar marcas mais profundas no ouvinte – algo que o duo havia conseguido meses antes, com o EP. Se o trabalho lançado em janeiro trouxe seis memoráveis faixas, Evergreen deixa escapar certa limitação de conceitos e sonoridades, soando redundante em alguns momentos.

De qualquer forma, em tempos de The xx, Purity Ring, Bat for Lashes, CHVRCHES e London Grammar,  Broods se mostra uma ótima adição à cena. Evergreen, enquanto um debut, provoca a melhor primeira impressão possível, é uma obra coesa e sincera, criada por um produtor em ascensão (cujos gramofones recebidos recentemente falam por si), e dois jovens talentos. O tempo só tende a fazer bem ao Broods, e é excitante imaginar o que pode vir desse duo nos próximos lançamentos.

OUÇA: “Mother & Father”, “Bridges”, “Never Gonna Change” e “L.A.F.”