Band of Skulls – Love Is All You Love



Sabe aquelas paixões da pré-adolescência que te emocionam de cara com intensidade e aos poucos vai se tornando um tanto quanto chata e monótona? Ou aqueles filmes que começam com um enredo que te cativam mas chega um momento quando parece que não faz sentido ele ter continuado? Ou aqueles jogos de futebol que parecem que vão ser pegados, com os dois times buscando a vitória, mas que no segundo tempo parece que desistiram e ambos se contentam com o empate? Love Is All You Love é mais ou menos assim. Um álbum que contagia, mas chega um determinado momento que se começa a passar as músicas porque não cativa mais.

    Podemos dividir o álbum em duas metades.

A primeira causando uma ótima impressão, trazendo toda a pegada característica da banda inglesa desde seu debut Baby Darling Doll Face Honey (20019). Abrem com Carnivorous. Impressiona e nos faz pensar que estão retomando o peso, que deixaram um pouco de lado em By Default (2016), e que Love Is All You Love é pra ser um álbum de bater cabelo. O grave e a percussão se sobresaindo com um padrões pegajosos e imprevisíveis, as repetições líricas causam um estranhamento e despertam curiosidade do que está por vir, bem como a guitarra estridente ao fundo fechando a composição.

Quando lançaram o single “Cool Your Battles” a previsão era de um álbum 100% mais ou menos, mas logo que ouvimos a primeira faixa, causa grande expectativa para o que está por vir. E não deixam a peteca cair até a metade do álbum.

A pegada se mantém e não decepciona até se perceber que os sintetizadores começam a tomar conta, quando o produtor Richard X soa mais alto que a própria banda. Vira um projeto que é repleto de músicas um-pouco-mais-do-mesmo. Essa é a segunda metade. Um “cool-down”. Uma inversão de valores. Não que a banda não pudesse experimentar, ou usar de outras musicalidades para apresentar sua identidade. Jamais diria isso. Quando participam da música “Remains Of Nothing”, da Archive, conseguem se inserir de um jeito que não se esperaria da Band of Skulls, e contribuem positivamente.

O que decepciona é essa coisa de falar e dizer nada. Fica monótono. Fica naquele 0x0 chocho. A banda inglesa produz com Love Is All You Love uma certa excitação, mas que cai ao longo do disco. Em entrevista sobre o lançamento do álbum, dizem que estão constantemente buscando se renovar e justificam suas escolhas pelos sintetizadores.

Com altos e baixos, é como um livro que não dá vontade de terminar de ler, mas se espera por um acontecimento brusco – que não acontece. A sensação que fica é de “é isso?”.

OUÇA: “Carnivorous”, “That’s My Trouble” e “Not The Kind Of Nothing I Know”

Band of Skulls – By Default

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By Default segue a receita mais enérgica que o Band of Skulls vem seguindo desde seu predecessor, Himalayan (2014). O álbum, que tem como premissa mostrar uma “nova era” da banda (que declarou que os três álbuns anteriores eram uma espécie de trilogia) já começa com um dinamismo desde a primeira faixa, “Black Magic”, com uma bateria que já sintetiza tudo que está por vir.

Difícil o By Default cair no desgosto de alguém, ainda que não tenha nada de tão extraordinário em sua fórmula meio Black Rebel Motorcycle Club meio Black Keys com uma pitada de Jet. Acompanhar as batidas com o pé ou dar aquela balançada com a cabeça é quase impossível de evitar, pois os riffs de guitarra são  bem grudentos (no melhor sentido possível). É aquele rock gostoso se ouvir, honesto e sem enfeites.

O forte do Band of Skulls certamente não são suas letras e em By Default também não há nada de diferente em relação a isso,  e então temos rimas simples que resultam em frases meio clichês ou algo completamente sem sentido (como em Killer temos ‘I’m your favorite anime, I’m the leader of the pack’, oi?). Mas definitivamente não tem grande relevância num álbum que tem tantas outras qualidades.

O álbum mantém certa predominância de canções fortes, ainda que tenha umas duas ou três faixas mais suaves, como “Love By Default”, que se destaca não apenas por ser a faixa título do álbum (ou quase), mas também por ter uma transição interessante que te engana achando que já é outra música completamente diferente. Destaque também para “Little Mama” que é uma das faixas de mais impacto álbum, com uma sonoridade que lembrou bastante o The Kills.

No geral enxergo o By Default mais como uma evolução da banda do que como uma “nova era” em si. Não há mudanças bruscas, não tem nada de revolucionário mas é um ótimo álbum. As canções estão mais curtas, mais “diretas” e aceleradas. Rock de qualidade, cativante e sem rodeios.

OUÇA: “Love By Default”, “Little Mama” e “So Good”.

Band of Skulls – Himalayan

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“Himalayan, maior do que eu e tu. Só tô dizendo, tá no National History.”

Não é a toa que a própria Band of Skulls anuncia ousadamente na segunda música do álbum, que ainda dá nome ao mesmo e, de alguma forma consegue refletir o objetivo do disco – “estamos grandes”. A grandiosidade da cordilheira do Himalaia, para a banda, corresponde à qualidade do terceiro álbum de estúdio deles, dando ênfase à crescente popularidade e qualidade da produção musical, que, de fato, merece um nome grandioso assim.

Tendo acompanhado o som deles, eis que chegou a hora da banda inglesa de Southampton fazer o papel principal. Himalayan marca um ponto de virada na carreira do trio. Depois de dois álbuns riquíssimos, agora Band of Skulls apresenta letras ainda mais ousadas e um som que converge vozes angelicais e pancadas de rock de forma inovadora. Fato que vem por conseguirem renovar, da sua própria maneira, riffs e sonoridades que caracterizaram os anos 70 e 80, tais como a beach, scratch, hard rock… E é essa mescla que Band of Skulls faz desde o seu primeiro áblum Baby Darling Doll Face Honey, e vem se mostrando criativos o suficiente desde então, inclusive ganhando o Independent Music Awards do ano passado com o seu segundo álbum Sweet Sour.

Alguns podem dizer que o som apresentado com Himalayan, um som que se parece com o de Kings of Leon, Queens of the Stone Age, Black Keys, mas não consigo dizer o mesmo. Digo que eles têm um repertório que se mostra única justamente por ter uma desenvoltura enxuta, especialmente neste novo álbum – a ordem das músicas é bem organizada e encaixadas perfeitamente. Depois de acompanharem The Dead Weather e Muse em turnê, e participarem de palcos menores de festivais, o novo álbum deu a eles a propriedade de serem headlines de festivais pela Europa inteira, e a possibilidade de fazer turnê. Nesse álbum, o trio fecha-o de forma que deixa a desejar – usar músicas com tom de “fim” como última faixa é o pecado de muitos dos álbuns de rock de hoje, e com Himalayan não é diferente.

Himalayan veste os ingleses de preto, vermelho e branco, com um pouco de dourado. Aliás, desde o primeiro álbum, eles mostram com a arte da capa cores e movimentos que caracterizam e sintetizam os discos – como? Eu não sei, mas essa representação tá lá. As cores espalhadas de forma simétrica conseguem mostrar que esse álbum tá repleto de Hard Rock de jaqueta de couro vem acompanhado de uma paz angelical, agregando características únicas do trio. É o rock inglês mantando-se vivo.

OUÇA: “Asleep At The Wheel”, “Cold Sweat”, “I Feel Like Ten Men” e “Nine Dead And One Dying”.