a-ha – Cast In Steel

aha

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Ombreiras. Laquê. Sintetizadores. a-ha é tudo isso e muito mais.

Nascido em 1982 na Noruega, o trio fez um sucesso estrondoso no anos oitenta com seu debut, Hunting High And Low, de 1985. O disco, que completou três décadas há três meses, é recheado de hits radiofônicos e clássicos instantâneos. É difícil (e quase impossível) olhar para música pop e para a new wave como um gênero sem reconhecer a importância de “Take On Me” e da faixa homônima. No início da era dos videoclipes, essas músicas têm uma importância não somente sonora, mas também visual, já que os respectivos videoclipes resultaram em vídeos icônicos que ainda hoje são relevantes, atuais, influentes e reconhecidos. Tente listar os melhores clipes da história e não incluí-los. É quase um sacrilégio.

Os outros trabalhos da banda, apesar de venderem graças ao primeiro disco, não tiveram força ou o impacto de Hunting High And Low. Cast In Steel é o décimo registro dos noruegueses e o primeiro depois do excelente Foot Of The Mountain, lançado em 2009. Foi com esse disco que o trio decidiu excursionar pelo mundo por uma última vez e despedir dos seus fãs. a-ha chegou ao fim.

Para logo voltar dos mortos esse ano.

Com show comemorativo no Rock in Rio, para celebrar trinta anos também da sua primeira apresentação no festival, fica a pergunta: do que vive a-ha? E eu respondo com toda a reverência de quem é apaixonado pelos hits dos caras: a-ha vive de passado. E não é ruim ou feio viver de passado, quando seu passado é glorioso. Quem dera eu ter dois dos maiores clássicos dos anos 80 no meu currículo. Nem eu e nem o público brasileiro mostramos ter problemas com isso: basta olhar o número de apresentações aqui no Brasil na última turnê dos caras: 7 show nas terras de Regina Casé, um número que se contrapõe às apenas cinco apresentações em toda América do Norte.

As doze canções de Cast In Steel estão estagnadas no tempo. Ignorando-se a qualidade de som e produção do primeiro disco, eu diria que não há muitas evoluções ou amadurecimento. E isso não é necessariamente ruim. Indo com as expectativas certas, o disco é bastante divertido, assim como a discografia do a-ha. Aqui não há músicas fortes como as do debut ou do álbum anterior, da mesma maneira que não existem músicas sofríveis.

A ingênua balada “Under The Makeup” é uma comparação sofrível: um amante que deseja ver sua amada sem nenhuma máscara, com a visão mais sincera. O piano ganha contornos com o violão e sintetizador até alcançar um refrão bobo que funcionaria perfeitamente dentro de um setlist ao vivo. “Cast In Steel”, que abre o recente trabalho, é a faixa mais forte e interessante que pode ser encontrada, cheias de toques eletrônicos que poderiam remeter ao ouvinte mais distraído o som do Owl City no começo da carreira. Distraído porque isso é a-ha em sua plenitude, sendo doce e brega. “Living At The End Of The World” é outro destaque, também pretensiosa, doce, calma e continua, onde o baixo agrada aos ouvidos e complementa a suavidade dos sintetizadores.

Quis muito ouvir esse disco e escrever algo ofensivo sobre como a volta aos palcos foi apenas uma sacada de marketing, mas me arrependi docemente. É que no fundo, no fundo eles também não estão se cobrando profundidade ou relevância: já romperam esse paradigma. O que é ser relevante na Indústria Cultural, principalmente volátil como o gênero pop? Talvez a relevância está me agradar aos fãs, ao nicho, coisa que o a-ha faz de sobra.

A primeira audição me agradou muito mais que a terceira, provando minha teoria de estagnação. Não é o melhor disco do ano, mas também não é o pior. Um trabalho divertido pra quem já cresceu o bastante para não se levar a sério.

OUÇA: “Under The Makeup”, “Cast In Steel” e “Living At The End Of The World”