Belle and Sebastian – Girls In Peacetime Want To Dance

belle

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Girls In Peacetime Want To Dance poderia ser apenas descrito de forma simples: é um reflexo pessoal. O nono álbum de estúdio dos escoceses traz todo seu indie pop da forma como se era de esperar, com a singela característica de se contar histórias. Aos quase vinte anos de carreira, a novidade é que a história contada é própria, é intima e revela mais das dores e do coração escancarado do vocalista e líder nato, Stuart Murdoch. Foram sete anos que uma crise crônica de fatiga atacou Murdoch, e essa exaustão, os conflitos de não conseguir muitas vezes carregar seu fardo sozinho e sem energia, está refletido através de suas 11 faixas na versão original.

A realidade em que seu primeiro lançamento, 1996, era encontrada não possui talvez nem metade das semelhanças com o que vemos hoje, musicalmente e socialmente; e a banda soube como apresentar uma maturidade intelectual e muito mais complexa do que antes era visto e esperado. São arranjos muito mais polidos e ricos, talvez um pouco devido a influência de seu recente produtor Ben Allen, que guiou os escoceses a um novo patamar, atento para que o jeito Belle and Sebastian de se fazer as coisas não fosse esquecido ou deixado para trás, unindo este com fortes referências dos anos 80 e 90 e ainda assim conseguindo inserir algo que rejuvenescesse e fosse eficiente em todos os seus sessenta minutos.

Esse teor de conflitos atingem todo o âmbito do álbum, deixando notável o cuidado e a precisão com que Murdoch desenvolveu sua capacidade como compositor. É uma natureza delicada e homogênea que foi aos poucos transitando à perfeição. Há essa necessidade de expor um turbilhão de sentimentos que atingem, não só o próprio vocalista, mas todo um âmbito social, e Girls In Peacetime Want To Dance é o porta-voz exato para isso, de maneira tropical, suave e muito mais leve do que se simplesmente fossem apresentados discursos sociais.

São mudanças pequenas, onde tudo acaba por refletir como o começo de um caminho para algo novo e inusitado, que não sacia a vontade de se descobrir (e redescobrir) cada detalhe de suas canções, que passeiam entre o costumeiro indie pop chiclete, com o euro dance e twee que já eram levemente notados em álbuns anteriores. A estrutura deste nono lançamento é um álbum por vezes coeso, onde tudo revela a necessidade e a própria vontade de buscar o desconhecido, provando que a banda realmente está disposta a aceitar e abraçar as mudanças que o cenário musical tem sofrido ao longo dos anos.

OUÇA: “Allie”, “Nobody’s Empire”, “Today” e “The Party Line”

Ocasionalmente emo demais.

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