Bastille – Doom Days



Em 2013, o mundo conheceu o Bastille através de “Pompeii”, hit que compõe o debut da banda, Bad Blood, lançado no mesmo ano. O segundo álbum, Wild World, foi todo moldado no estilo desse sucesso, mas com um toque de entusiasmo em meio a desastres. Este ano, o quarteto de Londres lançou o terceiro trabalho de estúdio: Doom Days. Este é um álbum que possui a essência do Bad Blood, mas a maturidade e aprendizado do Wild World

Claro que não dá apenas para limitar o Doom Days aos dois primeiros álbuns, mas a comparação é inevitável. Esse trabalho é a concretização do estilo e do mundo que o Bastille tentou criar ao longo dos anos. E agora finalmente deu certo. A narrativa é bem visível, seguindo uma noitada de festas com os amigos até a manhã seguinte acordando no chão da cozinha. Algo bem diferente das referências históricas, míticas e da cultura pop do Bad Blood e do mundo politicamente ansioso do Wild World.

A faixa de abertura, “Quarter Past Midnight”, manda a mensagem principal sem mais delongas: ‘Good times, bad decisions (…) and the sirens are mending some hearts but we’re the losers on our back seats‘. Entre as 11 faixas que compõe o álbum, “4AM” dá uma desacelerada nos sintetizadores e Dan Smith deixa sua voz fluir serenamente ao som de guitarras e pianos. Esse é um momento quase inédito para uma banda que começou sem guitarras porque simplesmente não havia quem a tocasse. E ficou ótimo. 

A última música, “Joy”, é mergulhada em um coral gospel dando ao Doom Days uma sensação de final feliz. Musicalmente falando, a identidade da banda criada é respeitada e até melhor construída. Muito do que se tentou fazer no trabalho anterior com elementos eletrônicos, influências dos anos 90, corais e um toque de rock estão presentes no novo álbum de forma coesa e bem compreensível. Talvez ele não apresente um hit com potencial, mas isso não parece ser um problema agora. 

Quem conheceu o Bastille por conta de “Pompeii” não vai se decepcionar.  Apesar de ter muita das influências dessa música, Doom Days é único e ambicioso, mas a personalidade da banda não é perdida. Esses 40 minutos passam quase despercebidos, mas são bem intensos para que cada segundo seja bem proveitoso. Doom Days é um excelente acerto do Bastille entre as diversas tentativas.  

OUÇA: “Bad Decisions”, “Doom Days”, “Nocturnal Creatures” e “Joy”

Estudante de jornalismo que nunca superou o emo

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