2018: Best Albums (People’s Choice)

10 | THE CARTERS – Everything Is Love

Beyoncé e Jay-Z lançaram um álbum juntos. São tantos plot twists vindos desses dois que eu os considero o M. Night Shyamalan do mundo da música. Um show melhor que o outro, álbuns fascinantes e projetos audiovisuais que nem sei por onde começar a descrever – o que foi o clipe no Louvre?! Após Lemonade e 4:44, o lançamento de EVERYTHING IS LOVE consagra o casal como o mais poderoso do mundo da música. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “LOVEHAPPY”, “BLACK EFFECT”, “SUMMER” e “NICE”


09 | FLORENCE AND THE MACHINE – High As Hope

Depois do insosso e quase furioso How Big How Blue How Beautiful de 2015, Florence Welch retorna, quase como uma surpresa e sem muito alarde, com seu quarto disco de estúdio agora em 2018. High As Hope apareceu repentinamente, sem muito furdunço e sem muitas promessas a serem cumpridas depois do balde de água fria que foi o disco anterior. De qualquer maneira, mesmo sem expectativas e, ainda pior, com o curto intervalo de tempo entre o anúncio oficial e o lançamento, a internet sempre vai à polvorosa quando um álbum da cantora é anunciado – a esperança vai lá pro alto. Não foi diferente com High As Hope. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Hunger”, “Patricia” e “100 Years”


08 | BLOOD ORANGE – Negro Swan

Existe até uma página na Wikipedia intitulada homofobia na cultura hip hop. Em seu 10° álbum de carreira, lançado no final de agosto, Eminem usa um insulto homofóbica para se referir ao rapper Tyler The Creator. A homofobia ainda persiste no rap, ainda é velada no rap, ainda perdoamos comportamentos homofóbicos no rap. De Beastie Boys, Kid Rock, 50 cent, Kanye West, Travis Scott, Migos… Nesse histórico de masculinidade tóxica e homofobia, Blood Orange ao lado de Tyler The Creator e seguindo a linhagem do Frank Ocean integra uma nova versão. Homens queers que citam David Bowie que se inspiram em Prince. E Negro Swan, quarto álbum de carreira do Blood Orange, é um ótimo expoente dessa nova possibilidade de futuro mais inclusiva e livre para r&b e o rap. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Orlando”, “Jewelry”, “Saint” e “Charcoal Baby”


07 | BACO EXU DO BLUES – Bluesman

Se em Esú (2017) Baco Exu do Blues transpôs a barreira entre deuses e homens e encurtou a distância entre os céus e a terra, em Bluesman o rapper baiano contempla sua própria fragilidade enquanto jovem negro vivendo em uma sociedade hostil aos corpos e mentes negras e reflete de forma honesta sobre sua saúde mental. Depressão e ansiedade estão no coração de Bluesman, mas Baco também fala sobre autoestima, sobretudo a autoestima do homem e da mulher negra, sobre estar vivo e prosperar em um mundo racista que não se conforma com o sucesso, a criatividade e beleza daqueles cuja humanidade era negada há pouco mais de 100 anos. Ser bluesman, afinal, é celebrar a arte negra que propõe um exercício de re-imaginação do papel dos negros na sociedade e rejeitar a imagem do negro submisso, desprovido de talento e fadado à invisibilidade em meio a um mundo branco. Bluesman é certamente um dos melhores álbuns brasileiros de 2018, pois abre novas portas criativas para o rap brasileiro e toca em assuntos urgentes em nosso país como o cuidado com a saúde mental e os efeitos do racismo em nosso cotidiano.

OUÇA:  “Kanye West Da Bahia”, “Me Desculpa Jay-Z” e “Girassóis De Van Gogh”


06 | BEACH HOUSE – 7

O sétimo álbum do duo de Baltimore Beach House, intitulado 7, foi lançado no dia 11 de maio de 2018. Era o quarto dia de lua minguante, na metade da transição para a lua nova, e se via menos da lua clara, bem menos, do que da lua escura. Eu julgaria irrelevante essa informação no contexto de qualquer outro álbum que não o 7. Envolto por simbolismos desde o título, que remete a ciclos encerrados, recomeços, tomada de consciência e completude, Victoria Legrand e Alex Scally criaram uma atmosfera de mistérios e incertezas em torno do álbum: agora a banda tem 77 músicas, o primeiro single foi lançado em 14/2. Victoria, em entrevista ao Pitchfork, disse que o número 7 “aponta para uma direção”, como o número 1, mas, diferentemente do primeiro, é uma direção desconhecida. Cultivando ainda mais a atmosfera nebulosa, Victoria encerrou a entrevista dizendo: “Somos todos controlados pela lua”. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “L’Inconnue”, “Dark Spring” e “Black Car”


05 | DUDA BEAT – Sinto Muito

Eu fui muito relutante para começar a ouvir a Duda Beat de fato. Ouvi e re-ouvi o Sinto Muito algumas vezes antes de pensar no quão bonito e bem feito era o som da cantora de Recife. Isso tudo porque Duda aparece um pouco fora das caixinhas de gênero que tenho ouvido muito recentemente, mas Sinto Muito é extremamente arrebatador e apaixonante. Duda Beat consegue cativar em diversas frentes e de diversas maneiras, seja com o seu sotaque carregado mesmo na cantoria ou seja em sua melodia que casa perfeitamente com sua voz doce, Duda mostra um primeiro trabalho eficaz e certeiro. mostrando que está mais do que pronta para conquistar o Brasil e o mundo.

OUÇA: “Bédi Beat”, “Bixinho” e “Bolo De Rolo”


04 | CARNE DOCE – Tônus

Eu optei por aguardar ao escrever sobre o novo álbum de Carne Doce, Tônus, terceiro disco de estúdio da banda goiana. Composições menos políticas, vocais menos gritados, instrumental menos afobado. A primeira impressão, um estranhamento saudosista. Inclusive, quem vai aos shows da banda com frequência, já havia experimentado algumas das inéditas ao vivo, e o sentimento que pairava era de curiosidade sobre o que viria no novo trabalho. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Comida Amarga”, “Nova Nova” e “Golpista”


03 | ROBYN – Honey

O que fazer quando a tão esperada volta (solo) de uma de suas artistas preferidas, que realmente teve um impacto significativo na sua vida em seu gosto musical, é levemente decepcionante e não o que você esperava? Esse é o motivo do atraso dessa resenha. Tenho ouvido Honey com bastante frequência mas ainda não sei o que pensar dele nem pro bom e nem pro ruim. Só sei que não sei muito bem ainda. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Missing U”, “Honey” e “Because It’s In The Music”


02 | JANELLE MONÁE – Dirty Computer

Pirulitos, roupa de couro, homens, mulheres, vaginas, Tessa Thompson, trono. Insuficientes são as palavras capazes de descrever o álbum visual de Janelle Monáe, Dirty Computer (2018). No terceiro de sua carreira, Janelle faz um tributo à liberdade. Liberdade como mulher, negra e queer. Liberdade que exige luta, vulnerabilidade e esperança. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Django Jane”, “So Afraid” e “Pynk”


01 | KALI UCHIS – Isolation

(…) Isolation, apesar de ser o primeiro álbum de Kali Uchis, consolida a cantora entre os principais artistas em ascensão no cenário musical atual, pois conta com uma produção impecável e multifacetada, faixas com letras interessantes e muito bem escritas e participações de peso como Tyler, The Creator, Jorja Smith e Reykon. A primeira impressão que se tem de Isolation é que este é um álbum recheado de influências. Kali Uchis apresenta grande versatilidade ao navegar por um conjunto diversificado de estilos e influências espalhado pelas faixas. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Nuestro Planeta”, “After The Storm” e “Tyrant”

2018: Best Albums (Staff’s Choice)

10 | MGMT – Little Dark Age

Como eu gosto de um grande retorno! E não há outra maneira de descrever Little Dark Age, a não ser dizendo que é o merecido e aguardado grande retorno do MGMT. Depois do aclamado álbum de estreia em 2007, é inegável dizer que a discografia do MGMT foi ladeira a baixo. Apesar de alguns singles interessantes ao longo dos anos, vide “Your Life Is A Lie” e “Congratulations”, os discos soaram bastante irregulares e pareciam ter sido feitos propositalmente inacessíveis. Esse jogo começou a virar quando a banda liberou o primeiro single dessa nova safra, o homônimo “Little Dark Age”, revelando letra inspiradíssima e estrutura mais pop, no melhor e mais precioso sentido dessa palavra por vezes tão mal interpretada. Essas características se repetem em maior ou menor grau em todas as demais faixas do disco, com destaque para o segundo single “When You Die”, a pegajosa “Me And Michael” e a psicodélica “Hand It Over”. No entanto, apesar de bem mais acessível, ainda há uma estranheza cativante que misturada a refrãos grudentos faz de Little Dark Age o melhor disco do MGMT desde seu debut. Quem foi paciente e não se dispersou ao longo dos anos, foi recompensado com um álbum bastante inspirado e digno de figurar na nossa lista de melhores. MGMT, sejam bem-vindos de volta!

por Angelo Fadini

OUÇA: “Little Dark Age”, “When You Die”, “Me And Michael” e “Hand It Over”


09 | CARNE DOCE – Tônus

No cerrado, o Sol não dá trégua, o calor e o clima seco aumentam a temperatura de cidades como Goiânia, que apesar do sertanejo, é referencia como berço de vários grupos de indie nacional, como Boogarins, Black Drawing Chalks e Carne Doce. Tônus é o terceiro o disco do Carne Doce, uma ode ao corpo e ao prazer e, por que não, a todo esse calor. Salma Jô e sua voz, grave, muitas vezes calma, canta ao longo de longos riffs de guitarra e percussão, as suas letras mais íntimas, repletas de sensibilidade e amor. Se na faixa “Comida Amarga”, o envelhecimento é um empecilho, é em “Amor Distrai (Durin)” onde o sexo e o tesão ganham força em um lirismo sutil e livre de amarras, auge lírico do disco, onde todas as bads que permeiam faixas como “Ossos” e “Golpista” se perdem e dão ao eu lírico um momento de prazer. 2018 foi marcado por vários lançamentos nacionais de qualidade, e Tônus se destaca não só pelas suas letras e produção, mas também por fortalecer a carreira do Carne Doce, aumentando o seu reconhecimento para além das playlists mais moderninhas. O trabalho é lembrado também pela grande mídia e, ao contrário dos que dizem que o rock morreu, mostra que é possível se reinventar e enfrentar temas tão atuais e, ao mesmo tempo, íntimos de todos nós.

por Alexandre Leopoldino

OUÇA: “Tônus”


08 | SNAIL MAIL – Lush

2018 se despede, mas não antes de estabelecer as fundações para uma nova era no jeito como o rock é feito. A pesquisa de mercado produzida nos EUA e no Reino Unido pela gigante Fender em outubro deste ano mostra que metade dos aspirantes a guitarristas são mulheres; há também mais LGBTQs e negros interessados na compra e aprendizagem do instrumento. O estudo arrebata: quase metade desse público vê a guitarra como parte de sua identidade. E se essa ótima notícia não é o suficiente para convencer e propor uma visão otimista sobre o futuro desse gênero musical, talvez pela quietude das palavras, deixe que as primeiras melodias de Lush façam o trabalho. De “Pristine” à já clássica “Heat Wave” ao fechamento em “Anytime”, o debut de Lindsay Jordan (que assina seu projeto como Snail Mail), a jovem garota de 19 anos, é absolutamente irresistível. Com uma produção límpida, o disco desfila 38 minutos em alta performance, com destaques para o vocal agridoce, extremamente potente, e, claro, arranjos de guitarras magnéticos advindos da Fender carmesim da própria Lindsey. O colorido e pujante Lush, enfim, demonstra que o rock e a guitarra estão mais vivos do que nunca e (re)florescerão com novo frescor nas mãos de Lindsey Jordan e de outras jovens mulheres.

por Jorge Fofano Junior

OUÇA: “Heat Wave”, “Full Control” e “Stick”


07 | COURTNEY BARNETT – Tell Me How You Really Feel

Tem sido muito bom ser Courtney Barnett. Depois do bom disco de estréia Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit, de 2015, a guitarrista e vocalista australiana, que é um dos principais nomes do rock alternativo embarcou, no ano passado, num projeto conjunto com o também elogiado Kurt Ville e lançou Lotta Sea Lice, que combinava o talento de composição e o contraste vocal dos dois guitarristas com os temas bucólicos mais presentes na carreira de Ville. O sucesso da parceria deixava claro: Barnett não era um piano de uma nota só. Se é que restava dúvida após os dois discos, hoje em dia elas provavelmente foram implodidas com o excelente Tell Me How You Really Feel, segundo disco solo da guitarrista e uma franca evolução em relação ao seu primeiro trabalho autoral. Se Sometimes I Sit And Think… exibiu o talento da artista para a composição de riffs e melodias e apresentou performance vocal cínica que combinava bem com as letras auto-depreciativas e irônicas das suas músicas, Tell Me How You Really Feel evoluiu naquilo que foi uma das principais críticas ao debut: a unidimensionalidade. Como o nome já diz, o segundo disco de Courtney Barnett, enquanto mantém o tom irônico e as guitarras distorcidas com pitadas de garage rock do primeiro, se permite expor a própria vulnerabilidade e tocar em pontos bastante sensíveis e pessoais, como a dificuldade em lidar consigo mesmo, na faixa “Need A Little Time” (melhor do disco), ou a insegurança urbana a que a mulher está sujeita em “Nameless, Faceless”. Além disso, se esse disco apresenta uma maior profundidade emocional de Barnett, ele o faz sem perder o sarcasmo que era uma das maiores forças do disco de estreia. Três discos entre bons e excelentes em quatro anos é uma bela conquista. A vontade era elogiar o trabalho de Courtney, mas ela avisou que se a colocarmos num pedestal, ela vai decepcionar…

por Guilherme Vasconcellos

OUÇA: “Need A Little Time”, “Nameless, Faceless”, “Charity”, “Walkin’ On Eggshells” e “Sunday Roast”


06 | ROSALÍA – El Mal Querer

Diferentemente do seu primeiro álbum Los Ángeles (2017), em que a artista presta uma homenagem ao flamenco, em El Mal Querer ela buscou fazer algo diferente, mas sem abandonar suas raízes. Baseado em um manuscrito de autoria desconhecida do século 13, O Romance De Flamenca, seu último disco conta a história de uma mulher cujo amante está preso em uma torre. Quase como em uma inversão de papéis de Rapunzel, o romance satiriza os costumes e instituições da época. Narrativa também presente no álbum, que dividido em capítulos, narra os diferentes estágios de uma relação amorosa tóxica. Da provocativa imagem de capa, do fotógrafo e artista visual Flip Custic – o formato de uma vagina em meio a símbolos religiosos — ao refinamento melódico e lírico que se destaca em cada composição, El Mal Querer (2018, Sony Music) é um trabalho político cultural mais do que essencial em 2018. Em períodos de intolerância, xenofobia, homogeneização e extinção de patrimônios culturais, ROSALÍA resgata o flamenco, um dos principais símbolos da cultura espanhola, e lhe dá uma nova roupagem, usando-o para falar sobre algo estrutural, que, infelizmente, todas as mulheres enfrentam – o machismo.

por Giovanna Querido

OUÇA: “MALAMENTE (Cap.1: Augurio)”, “PIENSO EN TU MIRÁ (Cap.3: Celos)”, “BAGDAD (Cap.7: Liturgia)” e “DI MI NOMBRE (Cap.8: Éxtasis)”


05 | BACO EXU DO BLUES – Bluesman

Se em Esú (2017) Baco Exu do Blues transpôs a barreira entre deuses e homens e encurtou a distância entre os céus e a terra, em Bluesman o rapper baiano contempla sua própria fragilidade enquanto jovem negro vivendo em uma sociedade hostil aos corpos e mentes negras e reflete de forma honesta sobre sua saúde mental. Depressão e ansiedade estão no coração de Bluesman, mas Baco também fala sobre autoestima, sobretudo a autoestima do homem e da mulher negra, sobre estar vivo e prosperar em um mundo racista que não se conforma com o sucesso, a criatividade e beleza daqueles cuja humanidade era negada há pouco mais de 100 anos. Ser bluesman, afinal, é celebrar a arte negra que propõe um exercício de re-imaginação do papel dos negros na sociedade e rejeitar a imagem do negro submisso, desprovido de talento e fadado à invisibilidade em meio a um mundo branco. Bluesman é certamente um dos melhores álbuns brasileiros de 2018, pois abre novas portas criativas para o rap brasileiro e toca em assuntos urgentes em nosso país como o cuidado com a saúde mental e os efeitos do racismo em nosso cotidiano.

por Felipe Adão

OUÇA: “Kanye West Da Bahia”, “Me Desculpa Jay-Z” e “Girassóis De Van Gogh”


04 | KALI UCHIS – Isolation

O que se destaca em Isolation além da produção impecável e da naturalidade com que a jovem colombiana transita entre estilos musicais é a verdade que ela imprime em suas letras e performances vocais. Tudo ali vibra uma vulnerabilidade sincera de se colocar no mundo como é sem pedir desculpas e por isso se torna tão cativante. As participações de artistas já consagrados tanto na produção como nas performances aparecem de tal forma que fica claro toda a autoconsciência e controle que Kali Uchis tem sobre o seu trabalho pois todas elas servem apenas para reforçar o potencial que a suavidade e a cadência de sua voz podem trazer. Isolation merece ser visitado porque é um retrato claro do momento musical que vivemos com a diversidade de influências que agrega sem se prender a um estilo ou gênero específico e tão bem executado que com certeza será um referencial pra quem busca fazer música pop hoje em dia.

por Diego Bonadiman

OUÇA: “Just A Stranger”, “Tyrant”, “Nuestro Planeta” e “After The Storm”


03 | ELZA SOARES – Deus É Mulher

Não é à toa que o melhor álbum brasileiro de 2018 seja da Elza Soares. Diante da consagração política da imbecilidade, ignorância e preconceito, cabe a uma mulher negra de mais de 80 anos dar um grito que representa Marielle Franco, Môa do Katendê e tantas outras pessoas que fazem parte de minorias cada vez mais ameaçadas. Depois do aclamado A Mulher Do Fim Do Mundo (2015), Elza apostou em uma levada mais rock com Deus É Mulher, em que aborda racismo, intolerância religiosa, machismo e tantas outras complexidades da nossa sociedade, de um jeito cru e corajoso, sem nunca soar como lição de moral. Sua voz continua feroz, ecoando a resistência que o Brasil tanto precisa. Artistas que evitam se posicionar, seja em sua música ou em declarações, deveriam seguir o exemplo dessa deusa.

por Ronaldo Trancoso Junior

OUÇA: Todas. Aproveite para ouvir o álbum anterior. E tudo o que ela já fez antes.


02 | JANELLE MONÁE – Dirty Computer

Dirty Computer, terceiro álbum da americana Janelle Monáe, com sua capa repleta de referências imagéticas que vão desde representações arcaizantes de religiões africanas, passando pela iconografia religiosa russa, às máscaras de cavaleiros da Idade Média, e também à ciência e à tecnologia (a representação da auréola em uma corola repleta de erupções solares), é exatamente isto: um corpo estético atemporal se deslocando pelas camadas de sonoridades, que flertam com o R&B, o chill out, o funk, o hip-hop, o pop e a música de vanguarda. Janelle soube fusionar tais referências em um álbum coeso, feminino, mas feminino de uma maneira muito queer, andrógina, ambígua. A heterogeneidade das faixas, ainda que enfeixadas por uma abordagem sonora primariamente calcada na black music, opera na construção de pequenas fissuras por meio das quais se pode vislumbrar a seriedade, o comprometimento e a força política da alegria e do auto-respeito. Um álbum cuja tapeçaria discursiva em prol da mulher, dos negros e das ditas minorias sexuais estalam como tapas na alienação política da sociedade americana da era Trump. Ao lado de Broken Politics, da sueca Neneh Cherry, também negra e consciente de seu papel como mulher e artista, Dirty Computer se justifica como um dos álbuns mais interessantes desse terrível 2018.

por Claudimar da Silva

OUÇA: “Dirty Computer”, “Crazy, Classic, Life”, “Take A Byte”, “Django Jane” e “Americans”


01 | BEACH HOUSE – 7

Embora todos os discos anteriores do Beach House sejam marcados pela atmosfera de sonhos, 7 se diferencia pelo peso que essa construção toma: infinitamente mais planejado que os últimos, um dedicado a b-sides e Thank You Lucky Stars, significantemente mais fraco até do que o apanhado de sobrinhas, anuncia a chegada do duo de Baltimore a um novo patamar. As guitarras ficam mais pesadas, os vocais ficam mais claros e a construção de uma narrativa, tanto internamente nas letras e arranjos, quanto externamente na tentativa de traduzir essa atmosfera de nebulosidade para a promoção do álbum: a vocalista Victoria deu entrevistas enigmáticas nas quais ela discorria sobre as influências da Lua no disco, intensificando a relação da banda com a criação de uma ambientação enquanto elemento essencial da música deles. Depois de discos iniciais sólidos e um meio de carreira um pouco menos consistente, parece apontar para uma nova direção, como a vocalista mesma disse, não tão certa quanto o número 1, mas ainda assim, uma direção.

por Bárbara Blum

OUÇA: “L’Inconnue”, “Dark Spring” e “Black Car”

2017: Best Albums (People’s Choice)

10 | THE NATIONAL – Sleep Well Beast

Foram quatro anos de espera por um álbum novo da banda americana. Quando anunciaram o novo álbum, ainda no primeiro semestre do ano, deram ao mundo “The System Only Dreams In Total Darkness”, que foi o suficiente pra criar um hype bem grande ao redor do que poderia vir. E tudo valeu a pena: a melancolia suja de sempre tá forte nas letras, que dessa vez acompanham um som mais eletrônico e por vezes bem minimalista experimentado pela banda. Um álbum gerido com paciência (“Walk It Back” já teve algumas versões tocadas em shows) e que deu asas tanto à criatividade dos integrantes, quanto à imaginação dos ouvintes. Emocionante e necessário, como (quase) tudo o que a banda já lançou.

por Vitor Henrique Guimarães

OUÇA: “Walk It Back”, “Day I Die”, “Guilty Party” e “Sleep Well Beast”


09 | LIAM GALLAGHER – As You Were

Depois de aproximadamente três anos de resguardo, Liam Gallagher ressurge com um trabalho digno dos melhores álbuns do Oasis, tais como Definitely Maybe e (What’s The History?) Morning Glory. As You Were sabe muito bem mesclar canções introspectivas e delicadas com músicas agitadas e que carregam nas guitarras. Apesar disso, aqui Liam não se distancia muito do que já foi feito no Oasis e nos dois álbuns do Beady Eye, banda cuja qual ele era vocalista e reunia membros remanescentes do Oasis. Mesmo que as propostas sejam diferentes, a comparação é inevitável, Who Built The Moon?, do seu irmão e ex-companheiro de banda, Noel Gallagher, cumpre um papel bem mais experimental. Mas para os órfãos de Oasis, As You Were é um prato cheio e entrega bem mais do que promete, com faixas que se tornam fácil hinos de estádio.

por Lauriberto Pompeu

OUÇA: “Come Back To Me”, “I’ve All I Need” e “For What It’s Worth”


08 | BJÖRK – Utopia

Embora a palavra utopia seja atualmente usada para significar um lugar ideal, um paraíso ou sociedade perfeita, a origem da palavra remonta exatamente o contrário. Trata-se de um não-lugar ou lugar nenhum. Difícil para uma artista como Björk, que já construiu uma carreira sólida e com várias obras importantes, conseguir superar o padrão de qualidade que se espera de um novo lançamento, pois ela estabeleceu seus próprio padrões de comparação. Nesse caso, com Utopia, Björk consegue a proeza de se situar no terreno da música pop: em um não-lugar, ou lugar nenhum. Um trabalho inclassificável. Música pop é um rótulo que não cabe mais para a obra de Björk, pois a erudição necessária para apreciar seus trabalhos, incluindo aí o conhecimento prévio de sua própria obra, não condiz mais com os padrões daquilo que se conhecia como pop. A não ser se a compararmos com um movimento artístico, como a arte pop, quando o que se pensa compreender, à primeira vista, é algo muito mais complexo, culturalmente falando, do que latas de sopa, garrafas de coca-cola ou ampliações gigantescas de imagens de ídolos populares. Desse modo, a tábula rasa, ou a folha em branco que Björk estabelece como lugar para sua Utopia está entre os lugares. As paisagens sonoras que ela consegue evocar nos levam para mundos distantes, estranhamente familiares. É um tão longe, tão perto (ou o contrário) que nos desorienta, a princípio, para depois nos levar a planos mais elevados. O uso de harmonias e ruídos estranhos, construções com polirritmias aparentemente desconcertantes, tudo isso nos leva a ampliar nossos sentidos e abre um portal para essas utopias ou não-lugares, onde não somos mais capazes de nos situar. Só por isso, essa obra já merece um lugar de destaque na produção de Björk e um dos melhores lançamentos do ano de 2017.

por Gedley Belchior Braga

OUÇA: “Future Forever”, “Tabula Rasa”, “Utopia” e “Arisen My Senses”


07 | LCD SOUNDSYSTEM – American Dream

Se o medo se instalou entre os fãs do LCD Soundsystem quando houve o anúncio que a banda retornaria após o término em 2011, ele se desfez completamente nos primeiros acordes do quarto álbum da curta discografia de uma das bandas mais influentes desse começo de século. Tudo o que fez o grupo de Nova York famoso ainda está presente, desde a confluência de diversos ritmos – da dance music ao pós-punk -, passando pelo perfeccionismo de James Murphy, nítido no cuidado com cada elemento em todas as músicas. A principal diferença, contudo, está no tom. Uma atmosfera sombria, por vezes perturbada, perpassa todo o disco, refletindo nas letras que retratam amizades desfeitas, problemas pessoais e desesperança. American Dream pode pecar por não ter um hit tão grande quanto alguns outros já lançados por eles, mas é um complemento preciso para a trajetória do grupo.

por Guilherme Henrique

OUÇA: “Oh Baby”, “How Do You Sleep?” e “Tonite”


06 | ST. VINCENT – MASSEDUCTION

Annie Clark fez um apanhado de tudo o que fez anteriormente em sua carreira no seu pós moderno e conceitualmente ousado MASSEDUCTION. Enquanto que caminha segura para um publico mainstream, sua mensagem passa longe de ser facilmente palatável ao explorar temas como sexualidade, tristeza, uso de drogas controladas. Munida de uma postura deveras mais agressiva, o caos construído em colaboração com seus produtores joga o ouvinte em diferentes direções sem rodeios e luvas de pelica, é um de seus lançamentos mais interessantes ainda que seu disco mais inconsistente.

por João Vitor

OUÇA: “Pills”, “MASSEDUCTION”, “Smoking Section” e “Happy Birthday, Johnny”


05 | THE XX – I See You

I See You traz um The xx mais maduro, mais em sintonia. Pode não ser o mais primoroso dos três álbuns da banda, mas é arriscado em sonoridades e em expressar o momento que cada membro da banda está passando e quão mais confortável cada um deles está consigo mesmo. Pode ser considerado o disco mais comercial, por suas melodias, o uso de samples e uma vibe mais vibrante, mais pop. A banda experimenta sonoridades, mas, ainda sim, consegue manter sua essência, sua “estranheza”. O que torna I See You um dos melhores dos ano é a complexidade e a sinceridade colocada em cada som e cada letra.

por Carolina Chrispim

OUÇA: “I Dare You”, “Performance”, “On Hold” e “Dangerous”


04 | LANA DEL REY – Lust For Life

O último álbum de Lana Del Rey chama atenção logo pela capa: Lana está sorrindo. Em Lust For Life (paixão pela vida, em uma tradução livre), ouvimos uma Lana Del Rey diferente de seus trabalhos anteriores. A melancolia ainda está lá, mas além de amor, há também esperança em suas letras. Tentando mudar a pessoa por quem ela está apaixonada, Lana está disposta a mudar, até sonoramente falando, já que temos pitadas de hip hop neste disco. Se em Born To Die temos uma Lana “querendo estar morta”, em Lust For Life é justamente o contrário, ela quer estar viva, e feliz.

por Lucas Barboza

OUÇA: “Love”, “White Mustang” e “Summer Bummer”


03 | SZA – CTRL

Depois de 5 anos desde sua primeira mixtape, SZA finalmente lançou seu aguardado debut. CTRL é um álbum de histórias, de emoções que alguma vez na vida já experimentamos, de vulnerabilidade, de cair de amor em festas, amadurecimento, liberdade sexual feminina, de duvidar de si mesmo, desejo por aceitação, de medos. Temas que inúmeros outros artistas já exploram, porém SZA consegue transformar experiências tão pessoais e agoniantes em algo que o ouvinte consegue se relacionar, tudo isso bem conectado a sua voz e a produção das músicas, CTRL é um álbum onde cada musica tem seu espaço, seu momento e que juntas formam uma experiência bem marcante.

por Pedro Henrique Aguiar

OUÇA: “Love Galore”, “Normal Girl” e “20 Something”


02 | KENDRICK LAMAR – DAMN.

Evocando conceitos extremamente universais e complexos como amor, deus ou medo, Kendrick volta com um álbum denso, pesado e bem longe de toda a positividade de To Pimp A Butterfly. DAMN. é obra de um poeta habilidoso que, de forma bem ágil e direta, mostra os vários dilemas e dramas do negro norte-americano, através de um prisma socioeconômico ou (frequentemente) religioso. Era o álbum que faltava para definir Kendrick como o maior rapper de sua geração.

por Gianlucca Lisboa

OUÇA: “ELEMENT.”, “FEAR.” e “DUCKWORTH.”


01 | LORDE – Melodrama

Segundo o dicionário, “drama acompanhado de música instrumental”. É o que Lorde faz de peito aberto em Melodrama. Queridinha indie com hit na rádio, a cantora neozelandesa voltou em tempo certo com seu segundo disco produzido por Jack Antonoff (fun., Bleachers) que também assina praticamente todas as composições. Ela conta de maneira muito emotiva, do alto de seus 21 anos, sobre seu amadurecimento, desilusões e a maneira como leva a vida e se relaciona com as pessoas e o meio, conduzida por sintetizadores oitentistas dançantes ou pianos dramáticos. Não a toa, está em muitas listas de melhores do ano.

por Bernardo Gasino

OUÇA: “Homemade Dynamite”, “Liability” e “Perfect Places”

2017: Best Albums (Staff’s Choice)

10 | PARAMORE – After Laughter

Depois de quase encerrar as atividades, que maravilha foi ouvir o retorno à cena do Paramore! After Laughter tem o frescor da nova direção escolhida pela banda. Esse novo caminho soa tão natural e, ao mesmo tempo, tão inventivo, que faz do disco o melhor que a banda lançou até agora. After Laughter é cheio de influências da new wave e do synthpop dos anos 80 com uma sonoridade majoritariamente ensolarada, apesar das letras lidarem com assuntos quase sempre pesados como: depressão, conflitos, ansiedade e até fobia social. E é justamente nesse contraste entre a música dançante e o sentimento das letras que mora boa parte da sagacidade de After Laughter. O grande destaque do disco é “Fake Happy”, a faixa é capaz de sintetizar o espírito e sonoridade do álbum, além de ainda conter elementos do “velho” Paramore –  e um refrão feito sob medida para ser cantado a plenos pulmões. Poucas vezes uma letra tão simples quanto a de “Fake Happy” foi capaz de representar com tamanha precisão e profundidade as emoções daqueles que, por um motivo ou outro, tem que encarar uma rotina que não lhes preenche. After Laughter é o tipo de disco que encapsula o modo como boa parte de uma geração se sente: feliz por fora, mas com medo, ansiosa e confusa por dentro. Até por esse motivo, é o tipo de disco que nos acompanhará por anos. Ou por toda a vida.

por Angelo Fadini

OUÇA: “Fake Happy”, “Rose-Colored Boy”, “Hard Times”, “Tell Me How” e “26”


09 | HARRY STYLES – Harry Styles

Com o disco de estreia solo, Harry Styles justifica o hype em torno de si. No álbum autointitulado, o membro da boyband britânica, ainda em hiato, One Direction deixa de lado o caminho mais seguro – e comercial – e explora uma sonoridade muito mais voltada ao rock em que a influência de seus artistas favoritos, como Pink Floyd, David Bowie e Fleetwood Mac, fica evidente. As dez composições bastante pessoais expõem uma vulnerabilidade impressionante de Styles ao mesmo tempo que deixam muito espaço para interpretação. Explico: na rock ballad “Sign Of The Times”, primeiro single e de quase seis minutos de duração, o cantor pode estar falando de alguma experiência pessoal bem como de episódios políticos do último ano ou até mesmo do fim do mundo. Cada faixa do disco é claramente diferente: enquanto a rápida “Kiwi”, com guitarras mais pesadas e refrão que grita ‘I’m having your baby, it’s none of your business‘ remete ao glam rock, “Sweet Creature” é acústica e delicada. Todas, contudo, parecem unidas por elementos nostálgicos que resgatam o rock clássico de diferentes décadas e, ao invés de soarem como apenas um apanhado de referências, trazem sempre algo novo e mostram que Harry Styles está aberto a experimentações e crescendo como músico, cantor e compositor.

“Meet Me In The Hallway”, “Kiwi” e “From The Dining Table”

por Mariana Rudizinski

OUÇA: “Meet Me In The Hallway”, “Kiwi” e “From The Dining Table”


07 | LCD SOUNDSYSTEM – American Dream

O fim definitivo do LCD Soundsystem durou menos que o intervalo entre discos de várias bandas por aí. Fora do contexto do disco, os dois singles lançados não empolgaram, e a capa… digamos… “minimalista” deixou no ar a possibilidade de uma volta caça-níquel. Nada mais equivocado. American Dream deixa a sensação de que a discografia da banda teria restado incompleta sem seu lançamento. James Murphy segue sendo um observador sagaz da vida cultural e conflitos geracionais a sua volta. Há algo de radicalmente diferente desse registro em relação aos anteriores? Ainda bem que não, pois ninguém faz o disco-rock que o LCD faz: pra dançar, pra se emocionar, pra refletir, pra dar risadinhas de canto de boca, tudo ao mesmo tempo, um turbilhão de sensações e sons que parecem milimetricamente posicionados, durando o quanto tem que durar para fazer as letras de Murphy ainda mais grandiosas. Vida longa.

por Rodrigo Giordano

OUÇA: “How Do You Sleep?”, “Tonite” e “American Dream”


07 | TYLER, THE CREATOR – Flower Boy

Tyler, the Creator, conhecido pela excentricidade de suas produções e pela liderança do coletivo OFWGKTA, lançou em 2017 o quinto álbum de sua carreira. Assim, com uma discografia estabelecida e com admiradores de suas músicas e estilo espalhados pelo mundo, Tyler explora a sua faceta mais romântica em Flower Boy. O disco conta com participação de alguns grandes nomes como Frank Ocean, Lil’ Wayne e A$AP Rocky, e também de jovens como Kali Uchis, com quem repete a parceria de sucesso de “Perfect” (Cherry Bomb, 2015) no hit “See You Again”. O encadeamento das faixas pelo álbum é primoroso, tornando-o uma experiência muito agradável de se ter, e a temática de amor perpassa o álbum do início ao fim. Um detalhe curioso é a mensagem de voz deixada deixada à secretária eletrônica que ocorre ao final de “November” e serve como um gancho para a subsequente “Glitter”, uma canção que declara todo o sentimento ao ser amado. Porém, ao final da canção, a secretária eletrônica diz que houve um problema e a declaração não foi sequer gravada. Triste. E é possível amar sem doer? Flower Boy é o disco mais sensível e confessional da carreira de Tyler e, longe de ser frisson passageiro, será relembrado e ouvido por muito.

por Marta Barbieri

OUÇA: “Boredom”, “Glitter”, “See You Again” e “Garden Stand”


06 | THE XX – I See You

Conversar. I See You é sobre a importância de falarmos sobre o que sentimos, por mais difícil que seja. O terceiro álbum do The xx talvez não seja o mais forte e coeso da carreira da banda, mas é com certeza o que retrata de modo mais sincero os sentimentos de cada um dos 3 integrantes. Com letras sobre situações pessoais, I See You é um álbum transparente e que mostra uma nova sintonia entre Romie, Jamie e Oliver.  Essa sintonia, que além de ser muito clara nos clipes dos singles lançados, também é perceptível na própria música, com os vocais e o instrumental muito mais maduros e confortáveis do que no álbum de estreia, por exemplo. O álbum não aparece na lista de melhores do ano a toa, ele passa uma mensagem sobre reflexão e o quão importante é nos esforçarmos para conversar sobre nossos sentimentos com as pessoas mais próximas, e que existem outras formas, como a música, caso você não consiga se abrir completamente.

por Isabella Goulart

OUÇA: “Say Something Loving”, “I Dare You” e “On Hold”


05 | THE NATIONAL – Sleep Well Beast

Com uma discografia impecável, as expectativas sempre são altas quando se fala no The National. É uma banda que não se acomoda no próprio sucesso e se propõe a experimentar caminhos ainda não trabalhados em cada novo registro. Isso tem feito com que cada álbum do The National se torne singular, apresentando uma nova versão da banda em cada trabalho. Em Sleep Well Beast, a perspectiva de experimentar novos ares vai além do habitual e o resultado não poderia ter sido mais certeiro. O sétimo disco da banda é marcado por uma estética monocromática em câmera lenta que impressiona já na primeira audição. Em cada faixa, é apresentada uma sobreposição de texturas conduzidas por uma melancolia cheia de nuances. Os diversos elementos eletrônicos criam uma atmosfera calma e anestesiante que da identidade ao disco. Sleep Well Beast é uma belíssima adição à discografia do The National, mostrando o incrível potencial que a banda consegue alcançar ao se afastar com veemência de fórmulas passadas.

por Stefan Maier

OUÇA: “Guilty Party”, “The System Only Dreams In Total Darkness”, “Carin At The Liquor Store” e “Turtleneck”


04 | SZA – CTRL

SZA começou pelos bastidores. Após alguns EPs que criaram burburinho na cena alternativa, Solána Rowe encontrou sucesso ajudando a escrever canções de grandes nomes do pop, como Beyoncé, Nicki Minaj e Rihanna, e chegou até a considerar se não devia seguir carreira como escritora. Quem ouve seu disco de estreia, CTRL, só consegue achar isso um completo disparate. O conjunto de músicas nesse projeto revela uma artista de voz própria já bem definida e com todo o potencial para o estrelato. Trazendo letras quase chocantes de tão honestas com todas as suas inseguranças, além de trabalharem a perspectiva rara da outra mulher numa traição, é claro que SZA precisava cantar as próprias histórias. Misturando sons eletrônicos e tradicionais com seus vocais potentes, as 14 faixas em CTRL demonstram versatilidade dentro do gênero do R&B. Da crua e melancólica abertura “Supermodel”, à sensual “The Weekend”, ao solo de guitarra que fecha “Normal Girl”, Solána domina todos os espaços com seu carisma e nos deixa pendurados em suas palavras. Depois desse debut, o mundo musical também fica pendurado na espera de seu próximo projeto – já em produção, com participação de Mark Ronson e Tame Impala.

por Fredy Alexandrakis

OUÇA: “Love Galore”, “Doves In The Wind”, “The Weekend” e “Normal Girl”


03 | ST. VINCENT – MASSEDUCTION

MASSEDUCTION é o álbum mais enigmático e gostoso de decifrar da St. Vincent, onde conseguimos perceber uma Annie Clark explorando as relações amorosas, os enfrentamentos dos problemas familiares e também a sua relação com a fama intensa que recebeu dos holofotes mundiais nos últimos anos. O trocadilho de MASSEDUCTION reflete totalmente em como o ouvinte irá interpretar todo esse amontoado de conceitos que Annie traz em seu quinto álbum de estúdio: educação, sedução, destruição em massa? O que podemos dizer de MASSEDUCTION é que o álbum consegue ir de New York a Los Ageless, de um amor para outro, mostrando St. Vincent ainda mais forte no cenário musical, através de sua genialidade como guitarrista, suas letras tão elaboradas e com tantos significados, que concretiza ainda mais a versatilidade e potencialidade da vencedora do Grammy 2015 de melhor álbum alternativo do ano.

por Cassiano Kayan

OUÇA: “Los Ageless”, “Savior” e “Smoking Section”


02 | KENDRICK LAMAR – DAMN.

Kendrick Lamar é seguramente um dos grandes artistas de nosso tempo e seu reinado se expandiu com o lançamento de DAMN., o quarto álbum de estúdio do rapper de Compton, Califórnia. Em DAMN., Kendrick Lamar explora uma sonoridade mais comercial e conta com participações de peso como Rihanna e Bono Vox do U2, embora o disco conte com poucos featurings. Mesmo que tenha seu apelo comercial, o álbum pode ser visto como uma obra complexa em que Kendrick reflete sobre os efeitos do sucesso em sua vida pessoal, sobre os altos e baixos de estar no topo, sobre amor, religião, racismo, violência, medo e tantas outras coisas. DAMN. é um registro sólido e belíssimo que traz importantes reflexões para os ouvintes e é um dos trabalhos que ajudaram a colocar o rap em posição de destaque no cenário musical contemporâneo. É, com certeza, um dos melhores álbuns lançados em 2017.

por Felipe Adão

OUÇA: “DNA.”, “DUCKWORTH.” e “LOVE.”


01 | LORDE – Melodrama

Após uma estreia arrasadora, não apenas com um hit onipresente, como também com um debut marcante, a pressão era enorme para Lorde provar que não era somente uma promessa. As experiências com a fama e com a solidão nos quatro anos depois do lançamento de Pure Heroine ajudaram na composição meticulosa das canções de Melodrama, que tem hino atrás de hino, sem os exageros que costumam ser associados à palavra. Com apenas 21 anos, Lorde se firma como uma queridinha do público e da crítica, devido à profundidade das suas letras melancólicas, às batidas que vão da calmaria à agitação em questão de segundos de forma fluida e também graças a uma voz que transmite poder e vulnerabilidade com a mesma facilidade. Melodrama funciona tanto para quem está se sentindo no fundo do poço, como para quem deseja se preparar para uma festa. Curiosamente, exatamente há um ano escrevi na nossa lista de melhores do ano sobre o último trabalho de David Bowie, o qual havia declarado que acreditava que Lorde seria “o futuro da música”. Com o melhor álbum de 2017, Lorde nos deixou mais confiantes de que o futuro da música pop realmente está em ótimas mãos.

por Ronaldo Trancoso

OUÇA: “Supercut”, “Perfect Places”, “The Louvre” e “Homemade Dynamite”

2016: Best Albums (Audiência)

10 | ANGEL OLSEN – My Woman

Angel Olsen não precisa fazer esforço para despertar seu interesse, é uma artista que canta o que queremos ouvir e ler em suas letras, mesclando sentimentos que conseguem proporcionar o transcendental já nas primeiras faixas. O álbum mais recomendado do ano (por vários artistas influentes) é a escolha perfeita para ouvir num final de tarde observando o degradê das cores do céu, ou numa madrugada intensa onde você só quer sentir os tons graves de uma voz que te preenche e leva para um outro nível.

por Cassiano Kayan (@ckcff)

OUÇA: “Shut Up Kiss Me”, “Sister” e “Not Gonna Kill You”

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09 | SOLANGE – A Seat At The Table

Solange descreveu A Seat At The Table – que combina elementos de R&B, funk, soul, pop e até mesmo um pouco de poesia – como um “um projeto de identidade, autonomia, independência, dor e cura”. Numa espécia de manifesto de cuidado e amor-próprio, Solange se junta a irmã para contar uma narrativa similar, porém escolhendo palavras e estilos musicais distintos para expressar essas histórias individuais. O disco tem uma abordagem futurista para música black sem esquecer suas raízes. Ela sabe de onde veio; se mostra ora alegre por isso, ora consciente da realidade em que vive. O disco todo soa como se ela experimentasse um otimismo cauteloso em relação ao que ainda está por vir.

por Gabriel Felipe Martins (@BielFelipe)

OUÇA: “Cranes In The Sky” e “Don’t Touch My Hair”

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08 | LADY GAGA – Joanne

Desde seu surgimento no cenário musical, Lady Gaga sempre mostrou ser uma perfeccionista. The Fame/The Fame Monster talvez tenha chegado sem muitas pretensões, mas Born This Way e ARTPOP foram concebidos para serem álbuns que marcassem a história da música, o que acabou não acontecendo. Com bastantes influências de country e rock, sem perder a essência pop, Joanne traz uma Lady Gaga mais próxima de si, uma Lady Gaga mais “Stefani Joanne” (seu nome de batismo). Bem intimista em relação aos temas abordados, Joanne marca a transição de Lady Gaga a novas possibilidades musicais. Pode não ser o álbum que seus little monsters estavam esperando, mas é o álbum que precisava ser lançado por ela.

por Lucas Barboza (@lucastardust)

OUÇA: “Million Reasons”, “Perfect Illusion” e “Hey Girl”

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07 | KANYE WEST – The Life Of Pablo

The Life Of Pablo é o sétimo álbum solo de Kanye West e um de seus menos coesos até agora. Kanye mudou o título do disco inúmeras vezes, começando com So Help Me God (Que Deus Me Ajude), passando por SWISH e Waves, que é uma das faixas mais interessantes do álbum, que por fim foi batizado de The Life Of Pablo. Seja ele Picasso ou Escobar, como há especulação circula, alimentada pelo próprio Kanye. O disco é, como prometido, “um registro gospel com um monte de palavrões”. Nele, Kanye procura redenção, sua busca recorrente, e polariza seu status de costureiro do hip-hop ao juntar pequenas partes em um produto final grandioso.

por Gabriel Felipe Martins (@BielFelipe)

OUÇA: “Ultralight Beam”, “Fade”, “Famous” e “Wolves”

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06 | RIHANNA – ANTI

Rihanna já produziu, em somente 10 anos de atividade, o que outros levaram muito mais tempo para criar. Madonna, por exemplo, lançou seu 8° disco de estúdio, o Music, com 17 anos de estrada. ANTI serve como um elemento de re-construção, como o título indica, uma ideia de oposição, contrariedade e direção oposta. Antes do lançamento de ANTI, Rihanna produziu tentativas de singles promocionais que sequer entraram na lista final do álbum, clipes grandiosos – e já históricos, além de performances ao vivo. Menos o álbum, menos a obra completa. ANTI chegou, por fim, esse ano, como um disco de R&B, mas com experimentação e referências de outros estilos.

por Gabriel Felipe Martins (@BielFelipe)

OUÇA: “Work” e “Needed Me”

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05 | BON IVER – 22, A Million

… Bon Iver é música para se ouvir em dias chuvosos. Ou, pelo menos, era assim que eu pensava antes de ouvir o novo álbum, 22, A Million. Esse novo trabalho da banda de Justin Vernon, apesar de manter a essência daquilo que torna uma música do Bon Iver uma música do Bon Iver (principalmente os vocais sempre sensíveis e reconhecíveis), traz, com um quê de experimental, vários elementos diferentes às canções do grupo…

[LEIA NOSSA RESENHA]

OUÇA: “33 “GOD”” e “666”

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04 | DAVID BOWIE – Blackstar

Sem querer, logo depois de seu aniversário de 69 anos, David Bowie se despediu de nós da “melhor” maneira possível: com um álbum novo.   (pronunciado Blackstar) é ainda mais sombrio que seu antecessor, The Next Day (2013), e mostra um David Bowie do jeito que nós o conhecemos mas que não vimos na última década: experimental, se reinventando, mas sempre se adaptando ao momento. Não apenas por ter sido o último álbum de Bowie, Blackstar provou que o artista ainda poderia contribuir para a música por bastante tempo. Uma pena o “Camaleão do Rock” não estar mais aqui.

por Lucas Barboza (@lucastardust)

OUÇA: “Lazarus” e “Blackstar”

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03 | FRANK OCEAN – Blonde

… Com o apoio de gente como James Blake, Sampha, Arca, SebastiAn e o deus Jonny Greenwood, Endless pode até soar ‘cabeçudo’ e artístico logo de cara, mas soa mais como um arremedo de faixas meio inacabadas, reunidas como que para sanar a sede dos fãs (e quase nos enganou, já que o danado até sampleou Gal Costa). “Visual album” ou qualquer outro nome que Ocean queira dar pra esse vídeo (aliás, vídeo esse que não passa dessas instalações artísticas meio embustes que vemos por aí) com essas faixas curtas, eu prefiro chamar isso de teaser do que viria a seguir…

[LEIA NOSSA RESENHA]

OUÇA: “Nikes”, “Ivy”, “Pink + White” e “Nights”

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02 | RADIOHEAD – A Moon Shaped Pool

Uma das coisas que torna o Radiohead uma das bandas que mais influenciaram outros artistas nas duas últimas décadas é a capacidade de reformular e experimentar a cada álbum novo, fazendo com que cada obra seja algo próprio de si. A Moon Shaped Pool veio um pouco na contramão: O LP9 é provavelmente o cd mais “óbvio” de Yorke e cia. Ele possui, claro, sua própria identidade, mas soa quase como um greatests hits, um grande apanhado de fases antigas desde o Kid A (2000) até The King Of Limbs (2011) batido dentro de um liquidificador, permitindo-se ainda de um pouco de novidade com tempero brasileiro. A presença de músicas já conhecidas dos fãs influenciou bastante nesta visão, mas isto não tira o mérito de um álbum que pode ser definido como o mais elegante, frio. preciso e calculado da banda até agora.

por Rodrigo Takenouchi (@diguete)

OUÇA: “Burn The Witch” e “Present Tense”

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01 | BEYONCÉ – Lemonade

Os conflitos conjugais de Beyoncé e Jay-Z ardem, explodem e desaparecem, eventualmente, em Lemonade, o álbum que acompanha o filme lançado pela Beyoncé em abril desse ano. Liricamente, a maioria das canções em Lemonade soam como um follow-up de “Jealous”, do disco anterior de 2013, onde Beyoncé canta “Eu te odeio por suas mentiras”. O disco não foi feito pensando em formatos convencionais de singles promocionais; o convite é que fãs explorem todo o álbum, ouvindo todas as faixas, e percebam o quão experimental – seja com blues-rock, country sulista ou soul dos anos 60 – Beyoncé está disposta a ser. Ela canta de peito aberto, dando voz a dilemas complexos em refrões fortes, onde toca ideais e emoções que muita gente sente. Mesmo que ela seja uma estrela que tem um mundo tão diferente do nosso, quando o assunto é coração, suas complicações e paradoxos, Beyoncé poderia estar numa mesa de boteco com a gente.

por Gabriel Felipe Martins (@BielFelipe)

OUÇA: “Formation”, “All Night” e “Sorry”

2016: Best Albums (Staff)

10 | RIHANNA – ANTI

Após quatro anos sem lançar novo álbum, período mais longo que Rihanna ficou sem lançar um disco desde seu início de carreira com Music Of The Sun (2005), a cantora retornou este ano com o ANTI. Aclamado pela crítica e criticado por muitos fãs, ANTI, tal qual seu nome, mostra uma Rihanna avessa ao que costumava produzir. O novo registro não é mais marcado pelos hits poderosos, prontos para serem consumidos em rádios comerciais e baladas de música pop, ANTI marca a diversidade de influência que a cantora adquiriu e vai muito mais fundo no R&B e no hip hop do que no habitual pop. Músicas como “Love On The Brain”, “Higher”, mostram sua admirável extensão vocal e entregam um clima mais intimista junto com “Close To You”. As faixas “Consideration” e “Same Ol’ Mistakes”, também formam mais um conjunto de grata surpresa. A primeira, focada no hip hop, instiga a uma audição completa deste material. Já a segunda, cover da banda australiana Tame Impala demonstra mais claramente os novos caminhos que Rihanna quis seguir. Este oitavo registro da cantora marca uma nova fase criativa para ela e sua equipe de produtores, já sinalizada pelos singles lançados anteriormente, “FourFiveSeconds” e “Bitch Better Have My Money”, e felizmente, é um material que não passa despercebido. Vale a apreciação.

por Carolina Amorim

OUÇA: “Consideration”, “Kiss It Better”, “Desperado”, “Same Ol’ Mistakes” e “Love On The Brain”

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08 | AMERICAN FOOTBALL – American Football

Dezesette anos depois de um dos maiores álbuns do emo, o American Football voltou com inéditas. Sem a intenção de superar e, sim, prosseguir a banda voltou por que sentiu que era a hora e o resultado foi uma ótima evolução. Sai a sofrência e a angustia adolescente e entra um novo olhar sobre a vida pelos olhos de pais de família: adultos, com empregos “comuns”, cheios de responsabilidades além da música. Um álbum maduro que, instrumentalmente, não peca em nada. Liricamente Mike Kinsella resgata o projeto paralelo Owen, mas que mantém a identidade clássica da banda. Todos seguem em frente e a banda fez exatamente isso de forma magistral e no seu próprio tempo, mais álbuns deveriam ser assim: sem pressão de gravadora, baseado na necessidade criativa da banda e não de um mercado ou até mesmo do público.

por Rafael Andres

OUÇA: “I’ve Been So Lost For So Long”, “Home Is Where The Haunt Is” e “I Need A Drink (Or Two Or Three)”

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08 | MAHMUNDI – Mahmundi

O ano de 2016 foi por demais especial para Marcela Vale, mais conhecida como Mahmundi, com o lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, batizado de Mahmundi. O projeto representa a consolidação de Mahmundi no cenário musical brasileiro e dá mostras de uma belíssima evolução da cantora desde o lançamento de seu EP Setembro no ano de 2013. A força do álbum reside na grande inventividade da cantora, que soube aliar drum machines e sintetizadores a lindas e inspiradas canções de amor, sem contar as faixas que simplesmente celebram a vida. Sobretudo, em Mahmundi, Marcela Vale revitaliza a longa tradição de cantoras populares brasileiras que remonta a ícones como Marina Lima e se firma como uma das principais novas artistas da música contemporânea brasileira.

por Felipe Adão

OUÇA: “Eterno Verão”, “Hit” e “Leve”

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07 | KANYE WEST – The Life Of Pablo

Polêmico a sua maneira, Kanye West é com toda certeza a figura que 2016 ainda tenta entender e digerir. Entre altos e baixos, The Life Of Pablo se projetou na linha tênue entre estes dois pontos, se erguendo como um registro para lá de pitoresco. Se atribuindo do gospel, rap e soul, Ye idealizou um projeto que relembra e afirma sua grandeza como produtor. Sendo traduzida por West como uma obra viva que permanece em contínua transformação, The Life Of Pablo não chega a ser superior ao aclamado My Beautiful Dark Twisted Fantasy, mas tem sim o seu lugar em uma discografia de tantos sucessos. De “Ultralight Beam” à “Real Friends”, o mais recente álbum do rapper é no meio de tanto ruído, um pequeno fenômeno a ser constantemente analisado e  apreciado.

por Flávia Denise

OUÇA: “Ultralight Beam”, “Fade”, “Waves” e “Saint Pablo”

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06 | LADY GAGA – Joanne

Joanne, quinto disco de Lady Gaga é também parte do nome de batismo da cantora, homenagem à sua tia Joanne, que morreu de lúpus aos 19 anos. Através da metonímia, ela oferece partes da sua vulnerabilidade e trajetória pessoal, para criar laços de identificação com o ouvinte. Se nos trabalhos anteriores essas canções biográficas eram esporádicas e homeopáticas, aqui, elas ganham força e presença. Despedindo-se de qualquer embuste característico dos seus álbuns anteriores, sem raios no rosto ou próteses e figurinos extravagantes, Lady Gaga é ela mesma, numa sonoridade que marca à volta da cantora ao pop/rock de seu EP Red & Blue, com os melhores vocais de sua carreira e a participação de Mark Ronson, Kevin Parker, Josh Homme, Hilary Lindsey, Father John Misty e Beck. Mais radical do que próteses faciais e vestidos de carne é a capacidade de expor vulnerabilidade de nossas histórias pessoais. Esse é o melhor registro de Gaga desde The Fame Monster, em 2009. Joanne é conciso, coesivo e eficaz, sem excessos do passado, sóbrio e capaz de alçá-la, mais uma vez, à um patamar acima de suas contemporâneas.

por Daniel de Matos

OUÇA: “Diamond Heart”, “AYO”, “Joanne”, “Million Reasons”, “Perfect Illusion” e “Grigio Girls”

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05 | FRANK OCEAN – Blonde

Em meio à maré de azar que parece ter nos acometido durante esse ano, o improvável aconteceu. Aquele a quem tanto aguardamos, que aquecia o nosso coração com um tal de Channel Orange e a cada novo boato de lançamento nos tirava do eixo. Frank Ocean parou de brincar conosco e foi generoso, teve live stream de visual album e em seguida teve o Blonde. Um disco sensível, elegante e contemporâneo, que conta novas histórias a cada contato e que já ruma para o lugar sagrado de álbum a ser ouvido na íntegra e na ordem. É verdade e a gente não está sonhando. É preciso celebrar a singularidade desse artista lembrando-se de um sábio conselho: don’t try to be like someone else, don’t try to act like someone else, be yourself!

por Marta Barbieri

OUÇA: “Pink+White”, “Nights” e “Solo (Reprise)”

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04 | RADIOHEAD – A Moon Shaped Pool

É quase impossível um lançamento do Radiohead passar em branco. Seja para ser aclamado ou para provocar frustração nos fãs, como aconteceu com King Of Limbs (2011), lançamento anterior da banda. Nesses cinco anos que se passaram, o Radiohead veio trabalhando cuidadosamente no novo disco ao mesmo tempo em que os integrantes mantinham seus projetos paralelos. A Moon Shaped Pool mistura momentos distintos da carreira da banda, englobando inclusive faixas já tocadas ao vivo anteriormente. O álbum junta fragmentos do passado para consolidar o Radiohead de 2016. O resultado é um dos álbuns mais belos dos britânicos, misturando momentos serenos, melancólicos, barulhentos e enérgicos. Traz uma banda mais a vontade e segura, com um trabalho honesto e certeiro. Dessa vez a história foi diferente da de 2011.

por Stefan Maier

OUÇA: “Burn The Witch”, “True Love Waits” e “Identikit”

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03 | BON IVER – 22, A Million

22, A Million é a experimentação sonora do ano. O álbum, um registro inédito totalmente diferente dos trabalhos anteriores de Justin Vernon com o Bon Iver, é uma cacofonia extasiante repleta de sentidos particulares. O álbum é versa sobre confusão e o senso de perda e vazio que por vezes enfrentamos. Nada em 22, A Million é fácil de ser interpretado, a começar pelos títulos estilizados das canções que contribuem para a atmosfera caótica do registro, e camadas e camadas de autotune em algumas canções. Tudo isso somado, no entanto, contribui para a construção de um álbum sublime, aprovado pela crítica mundial como um dos melhores discos deste ano.

por Lucas Wendt

OUÇA: “715 – CRΣΣKS”, “10 d E A T h b R E a s T ⚄ ⚄” e “22 (OVER S∞∞N)”

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02 | DAVID BOWIE – Blackstar

Uma trajetória tão única quanto à carreira de David Bowie só poderia acabar de um jeito peculiar, assim como o próprio artista. Na verdade, o término do seu percurso no nosso planeta não quer dizer o fim, principalmente porque tudo que esse cantor, compositor, ator e produtor musical fez continuará sendo lembrado, desde seus feitos pessoais até as suas contribuições à música. Blackstar, seu 27º álbum, é uma despedida melancólica daquele que será lembrado como um dos maiores camaleões da música. Mesmo que não fosse o álbum realizado por Bowie para presentear seus fãs antes da sua morte, Blackstar ainda mereceria o posto que conseguiu em listas de melhores do 2016. Mais do que um lamento de alguém encarando a morte de frente, a despedida do britânico é mais uma prova formidável do talento imensurável do eterno Ziggy Stardust, que combinou sons de jazz, rock e outros estilos para dominar o seu “adeus” com muita criatividade e sabedoria. Pode parecer que David Bowie não será mais citado como antes. Pelo contrário, já que a influência dele estará presente no trabalho de muitos outros artistas, mesmo que estes nem percebam.

por Ronaldo Trancoso

OUÇA: O álbum inteiro e depois a discografia toda de David Bowie.

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01 | BEYONCÉ – Lemonade

Um misto de dor pessoal (que nunca saberemos até que nível é real), força, feminismo e questões raciais. Estes são os temas expostos em Lemonade, o disco mais relevante de 2016 lançado pela artista que está em um patamar muito acima dos demais. Adele é um fenômeno de vendas, mas não dá para comparar a relevância e a força do discurso de Beyoncé com o que nos foi apresentado em 19, 21 ou 25. Confirmando a força de seu nome, mais uma vez avessa às regras do mercado, a artista fez pouquíssima divulgação e nem lançou singles formais, mas ainda assim emplacou todas as canções do disco no Hot 100 da Billboard. Recheado de colaborações inesperadas, os créditos vão de James Blake a Jack White, as canções são bem diferentes entre si. Há espaço para rock, country, R&B, pop e ainda assim existe um fio condutor amarrando as canções e tornando o álbum um dos mais coesos e consistentes de 2016. Em um ano de grandes lançamentos, esse é mesmo o disco mais relevante. E mais do que relevância, discurso ou complexidade, Lemonade é um disco necessário, brilhante, espontâneo e divertido. (Já reparou quantas vezes apareceu a palavra “relevância” e seus derivados em apenas um parágrafo? Pois é, não há outra forma de exaltar Lemonade. Talvez apenas dizer que ele reflete a artista que é a rainha do mundo todo).

por Angelo Fadini

OUÇA: “Formation”, “All Night”, “Sorry” e “Hold Up”

2015: Best Albums (Audiência)

10 | OF MONSTERS AND MEN – Beneath The Skin

MELHORESmons

Depois de ouvir My Head Is An Animal me apaixonei pelo Of Monsters and Men. Para mim, eles eram a banda mais fofa do mundo. Então, é claro, estava super ansiosa para ouvir Beneath The Skin, esperando mais um álbum cheio de fofura. Quando eu finalmente ouvi o tão esperado álbum, havia algo diferente nele e eu não conseguia dizer se era algo bom ou não. Passada a estranheza inicial ouvi o álbum de novo… E de novo, e de novo, e de novo! Quanto mais você ouve, melhor ele fica. Hoje posso dizer com certeza que ele é diferente, de uma forma muito positiva. É mais melancólico, mais elaborado e mais pessoal e inspirado. A banda evoluiu, mas não perdeu seu caráter. Os vocais de Nanna e Raggi ainda são o grande destaque das músicas e toda a fofura ainda está lá, mas em meio a um instrumental mais forte e envolvente. Posso afirmar que estou muito feliz com o caminho que a banda está seguindo e ansiosa por ver o que virá a seguir.

por Júlia Zomignani

OUÇA: “Hunger”

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09 | FOALS – What Went Down

MELHORESfoals

Ao meu ver, sempre admirei o Foals por sempre estarem se inovando, e mudando a cada álbum. Porém no What Went Down não vi muita diferença pro anterior Holy Fire, apenas uma reciclagem ou até um auto plágio. Para não dizer que é um álbum mediano, para o poder que a banda possui, a execução foi muito bem mixada e produzida, mascarando a falta de inovação com músicas diferentes e pegajosas como “What Went Down”, “Mountain At My Gates”, “Snake Oil”, “London Thunder” e “A Knife In The Ocean”.

por Renan Lousada

OUÇA: “London Thunder”

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08 | COURTNEY BARNETT – Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

Cover

A australiana Courtney Barnett basicamente já chegou chegando no mundo da música em 2015: com seu primeiro CD ela já está concorrendo ao Grammy em duas categorias: Best New Artist eBest Alternative Album. Quando eu olhei para o nome do disco da Courtney Barnett é impossível de não se relacionar com ele, fora a arte do álbum que é incrível. A cantora consegue expressar todas as crises que um jovem de 20 anos pode estar passando na vida. Cheia de emoções, fortes ideias, a escorpiana veio para falar as verdades através de suas letras. O que mais me encanta neste álbum, é principalmente a diferença de uma música para a outra, você nunca sente que está ouvindo a mesma música por 40 minutos, sempre te faz dançar na cadeira de um jeito diferente. A sua voz bem ritmada junto às melodias as guitarras e violões, fazem você fechar seus olhos e viajar, cantarolar junto. Obrigada Courtney Barnett, por ter feito o meu 2015 muito melhor!

por Brunna Tolentino (@leslyeknope)

OUÇA: “Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party”, “Pedestrian At Best”, “Small Poppies” e “An Illustration Of Loneliness (Sleepless In New York)”

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07 | CHVRCHES – Every Open Eye

Cover

Há casos em que evoluir não consiste em deixar as coisas mais complexas e sim em torná-las mais simples. Every Open Eye é um desses. O disco não traz grandes novidades perante o álbum de estreia da banda escocesa, The Bones Of What You Believe (2013). Os marcantes sintetizadores estão lá, os doces e inusitados vocais de Lauren Mayberry também. Mas os escoceses souberam analisar o que não deu tão certo em seu primeiro trabalho, entregando um disco, dentro do possível no gênero musical no qual se enquadra, mais analógico, mais simples, mais orgânico, mais despretensioso, mais redondinho e por isso mais fácil de gostar na primeira audição.

por Édipo Barreto (@QDNG)

OUÇA: “Clearest Blue”

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06 | JAMIE XX – In Colour

JAMIEXX2015

Com uma narrativa bem amarrada, músicas coloridas e vibrantes, graves que oscilam do marcante ao sutil, rico em influências de diversos estilos como house, UK garage e dancehall (mas sem perder a identidade) e participações dos companheiros do The xx (Romy e Oliver), após cinco anos no forno, Jamie xx lança seu álbum de estréia que o consagra como um talentosíssimo produtor e nome promissor na música eletrônica contemporânea.

por Rodolfo Yuzo (@rodolfoyuzo)

OUÇA: “Girl” 

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05 | FLORENCE AND THE MACHINE – How Big How Blue How Beautiful

FLORENCE2015

Lançado em maio de 2015, How Big How Blue How Beautiful, o novo disco da artista Florence Welch chega ao mercado marcado de melodias já conhecidas do público, mas com letras detalhando sentimentos mais reais. Destaca-se pela forma grandiosa de suas interpretações, como por exemplo a emocional “Ship To Wreck”. Com algumas músicas mais dançantes e outras mais melódicas, podemos dar destaque especial para “Caught”, uma faixa que, como a maioria das outras, gruda no nosso ouvido e não dá vontade de parar. Um outro grande acerto vai para “Long & Lost”, que nos faz lembrar que o álbum que estamos ouvindo é realmente da Florence. Minimalista. Simples. Melancólica.

por Bruno Capelato

OUÇA: “Ship To Wreck”, “Caught” e “What Kind Of Man”

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04 | SUFJAN STEVENS – Carrie & Lowell

SUFJAN2015

Dizem que perder alguém que se ama é como perder um membro do próprio corpo. Eu vejo de outra maneira. Acho que a maior dor em se perder alguém importante é fechar os olhos, sentir o pulsar de cada extremidade da sua anatomia e se dar conta de que, apesar de tudo, você ainda está ali, estilhaçadamente inteiro. Esse é o sentimento que perpassa Carrie & Lowell, do brilhante Sufjan Stevens. Abalado com a perda de sua mãe, ele coloca em cada canção um pouquinho do que é seguir em frente depois de um evento como esse. “Fourth Of July” não é somente uma das músicas do ano, mas uma canção pra ficar na história. Stevens conseguiu transformar música em um olhar triste. Eu te desafio a resistir encará-lo.

por João Vitor Medeiros (@indiedadepre)

OUÇA: “All Of Me Wants All Of You”, “Should Have Known Better”, “The Only Thing” e “Fourth Of July”

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03 | KENDRICK LAMAR – To Pimp A Butterfly

KENDRICK2015

É difícil achar uma lista de melhores do ano que não tenha o To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar. O americano deu um passo além esse ano. Se o Good Kid, M.A.A.D City nos tinha apresentado alguns hinos contemporâneos, tô claramente falando de “Bitch, Don’t Kill My Vibe”, o trabalho de 2015 do rapper americano é mais uniforme. A beleza desse maravilhoso disquinho de Kendrick está no fato dele ser uniforme, único, uma coisa só. Ouví-lo do início ao fim é uma viagem feita por depressão, culpa e tristeza, além, é claro, sobre o racismo sofrido pelos negros. Com misturas clássicas de jazz, funk, soul e interludes tão fantásticos quanto os singles do disco, Kendrick é o cara que pensou em fazer uma música pra que todo mundo cante e se sinta bem consigo mesmo, enquanto você canta, é como se tivesse se convencendo de que realmente se ama e que tudo vai ficar bem. “I Love Myself” e o To Pimp A Butterfly.

por Lucas Schutz (@suc4s)

OUÇA: “King Kunta”, “Alright” e “u”

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02 | GRIMES – Art Angels

GRIMES2015

Depois do hypado – e incrível – Visions (2012) existia aquela dúvida sobre como seria o álbum sucessor de uma das obras mais bem criticadas dos últimos cinco anos. Poucos apostavam que o LP4, Art Angels, seria de um som bem mais acessível, e até algumas vezes mais chiclete, e mais viciante que o anterior, mesmo com temas mais profundos como morte e empoderamento feminino presentes. Desta vez o grande mérito de Claire Boucher é conseguir soar menos experimental do que os álbuns anteriores e ao mesmo tempo rico em detalhes e diferentes influências musicais e culturais. A mudança brusca gerou uma espécie de “ame-a ou deixe-a” entre os fãs, algo que foi até fortalecido, de maneira moderada, pela própria Claire – que está rindo e não sendo normal como nunca antes.

por Rodrigo Takenouchi (@diguete)

OUÇA: “Flesh Without Blood” e “Kill V. Maim”

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01 | TAME IMPALA – Currents

TAME2015

Se em 2012 Kevin Parker buscou inspiração nos trabalhos de Britney Spears para produzir as canções de Lonerism, segundo álbum de estúdio do Tame Impala, em Currents (2015), terceiro registro de inéditas da banda australiana, grande parte das referências apontam para a boa fase de Michael Jackson. Entre batidas lentas, solos de guitarras sedutores e vozes delicadamente posicionadas, Parker e os parceiros de banda deixam de lado a psicodelia empoeirada dos anos 1970 para investir em elementos típicos do R&B. São pouco mais de 50 minutos em que vozes sobrepostas e sintetizadores parecem cercar o ouvinte, detalhando uma seleção de faixas essencialmente acessíveis como “The Less I Know The Better”, “Eventually” e “Cause I’m A Man”. Uma coleção de acertos que tem início ainda na capa do registro – trabalho do artista gráfico Robert Beatty -, e segue até o último suspiro de “New Person, Same Old Mistakes”, faixa de encerramento da obra. Um disco que já nasceu clássico.

por Cleber Facchi (@MiojoIndie)

OUÇA: “Let It Happen” e “The Less I Know The Better”

2015: Best Albums (Staff)

10 | JAMIE XX – In Colour

JAMIEXX2015

Depois de se aventurar remixando um disco de Gil-Scot Heron e dos dois discos do The xx, banda da qual Jamie faz parte, In Colour é o que pode ser chamado de primeiro trabalho solo, de fato, do rapaz. E não há decepção (mesmo que duvide de que alguém apostava que esse seria um disco ruim). A euforia não se mostra de maneira nenhuma rasa: o registro é totalmente introspectivo. Mesmo em músicas como “I Know There’s Gonna Be (Good Times)”, um dancehall que pode até parece Major Lazer ao ouvido mais desavisado, o gesto de dançar aqui quase convoca a quem ouve a se examinar. A paisagem sonora é densa, com sussurros e distorções, demandando atenção de quem ouve para apreender cada mínimo detalhe: cheio de vocais indefiníveis, ruídos e uma produção cíclica, uma das grandes sacadas é a mixagem do orgânico com os sons sintetizados, como a guitarra sempre afiada de Romy Croft, além dos seus vocais adocicados e sussurrados, como uma confissão. Excelente disco que pode até ser tocado em alguma festa, mas possui, como toda grande obra, força o bastante para permanecer relevante em qualquer outra situação da vida.

por Daniel de Matos

OUÇA: “I Know There’s Gonna Be (Good Times)” e “Loud Places”

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09 | DEATH CAB FOR CUTIE – Kintsugi

DEATCHBA2015

Estar em constante mudança por praticamente doze anos é uma qualidade para poucas bandas: Ben Gibbard e seus garotos do Death Cab for Cutie parecem conseguir em cada novo trabalho. Com Kintsugi, seu oitavo álbum de estúdio, esse desejo de recriar-se é maior ainda. Com a saída de Chris Walla, guitarrista e um dos principais responsáveis pelo lado criativo da banda, houve essa urgência aparente de mostrar um novo lado, e que ainda assim, conseguisse criar laços ao passado. Cheio de melancolia e canções sobre amores amargos, em suas onze faixas, o disco representa justamente o que seria o significado de seu nome. Kintsugi é o nome de uma técnica japonesa para consertar cerâmicas, e o álbum soa com sua proposta de renovação em meio as perdas que passamos pela vida. Com toda delicadeza lírica de Gibbard e melodias que embalam este novo momento da banda, Kintsugi é o caminho mais certo e seguro entre a ligação da nostalgia do que o Death Cab sempre representou em seu cenário, e o frescor encontrado na maturidade ao longo de todos esses anos.

por Tatiana Kolenczuk

OUÇA: “Little Wanderer”, “You’ve Haunted Me All My Life” e “Hold No Guns”

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07 | CHVRCHES – Every Open Eye 

Cover

Sob os temores que rondam o segundo álbum, os escoceses do Chvrches lançaram em 2015 o Every Open Eye. O sucesso do debut ficara para trás por uns instantes e agora eles não são mais uma banda com um grande disco. Conseguiram a façanha de repetir o sucesso com o segundo também, para o nosso alivio. Um álbum maduro para um projeto tão novo. Um disco completo, intenso, consistente, com boas referências e que dá orgulho ao escutar. Orgulho em saber que o gênero que eles carregam está tão bem representado. Nos faz crer que a banda que está apenas no começo, tem um ótimo futuro pela frente. Em seus segundos iniciais, Lauren, Iain e Martin nos entregam, sem nenhum aviso, uma enxurrada de synth pop de qualidade e que decresce levemente até seu fim. No susto, somos surpreendidos por um álbum capaz de nos deixar sem fôlego e com uma única vontade: de deixa-lo tocar solto e dançar.

por Carolina Amorim

OUÇA: “Leave A Trace” e “Never Ending Circles”

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07 | BELLE AND SEBASTIAN – Girls In Peacetime Want To Dance

BELLE2015

Que massagem nos ouvidos e na alma que é o álbum Girls In Peacetime Want To Dance… O Belle and Sebastian, que já foi folk, já foi twee pop, já foi soft pop e até indie experimental, surge em 2015 com o pé afundado no pop. Isso mesmo, o cachorro velho aprendeu os truques novos e lançou um disco cheio de sons eletrônicos, sintetizadores e vozes com efeitos de estúdio. Nunca se viu um Belle and Sebastian tão produzido e dançante. Isso não significa que não se encontre a raiz freaky folk do grupo ou que a altíssima qualidade das letras tenha caído. Está tudo lá, bem fácil de encontrar debaixo desse novo traje que a banda adotou.

por João Victor Krieger

OUÇA: “Play For Today”, “Ever Had A Little Faith” e “Nobody’s Empire”

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06 | TAME IMPALA – Currents

TAME2015

Foram inúmeras as acusações ao Currents, discursos saudosistas ou comparativos que reivindicavam o antigo Tame Impala de volta. Por que nosso referencial daquilo que é bom está sempre no passado e nunca no vir a ser? Em clima mais introspectivo que de costume, é verdade, a lisergia, as outras dimensões e os relacionamentos conflituosos estão presentes: movimentamo-nos por tais temáticas e por entre nossas próprias reflexões. O resultado final são melodias bem trabalhadas que parecem não ter fim, não pelo tempo de duração, mas pelos caminhos que são capazes nos levar. Para aqueles que os sentimentos vividos foram de encontro com a proposta do Currents, o disco não poderia ser melhor, tanto para compor a discografia da banda quanto a playlist dos ouvintes. Ouvir, inclusive, não é nossa única função diante do disco, que conta com uma capa inspirada e três videoclipes de canções que ilustram e compõe sua narrativa. As mudanças nesse ano não se deram só para a musicalidade do Tame Impala, mas para todos os seres inseridos nessa dinâmica do tempo que passa sem avisar.

por Marta Barbieri

OUÇA: “The Less I Know The Better”, “New Person, Same Old Mistakes” e “Let It Happen”

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05 | FOALS – What Went Down

MELHORESfoals

Com som mais pesado e cheio de atitude, a banda britânica Foals concebeu seu quarto álbum de estúdio, sendo este um legítimo álbum de indie rock da melhor qualidade. É fato que desde seu último registro Holy Fire, a banda vem percorrendo caminhos que se distanciam do leve math rock do começo de sua carreira, entretanto, arquitetam aqui um som que transforma a identidade do Foals em algo singular e característico do grupo. Se há uma palavra para definir este álbum é o “equilibrio”, que fomenta um trajeto que vai desdes os reverbs de guitarra mais violentos aos calmos vocais do vocalista Yannis Philippakis. Com melodias e clímax muito bem construídos, o álbum apresenta a virtude de promover uma verdadeira imersão ao som intenso do grupo. Do caos a calmaria, o What Went Down é um marco importante para a carreira de uma banda que consegue se renovar constantemente.

por Flávia Denise

OUÇA: “Give It All”, “What Went Down” e “Mountain At My Gates”

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04 | GRIMES – Art Angels

GRIMES2015

Depois de seduzir os amantes de músicas alternativas, Grimes fez o mesmo com quem não fica sem canções pegajosas. O diferencial da artista foi criar um tipo de música chiclete que, além de ter melodias grudentas, possui conteúdo de sobra, graças a letras que ressoam não apenas com o público da cantora, acostumado à peculiaridade da canadense. Aliás, o fato de ser pop até a medula não faz de Art Angels uma obra que destoa da discografia da Grimes, afinal, trata-se apenas de um passo arriscado e certeiro, capaz de proporcionar um pop ao mesmo tempo acessível, estranho e experimental. Se o álbum se chamasse Catarse, ele estaria representado adequadamente, pois é exatamente isso que ele provoca.

por Ronaldo Trancoso

OUÇA: “Kill V. Maim”, “Flesh Without Blood” e “REALiTi”

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03 | FLORENCE AND THE MACHINE – How Big How Blue How Beatiful

FLORENCE2015

Depois de quase quatro anos sem material inédito – com exceção de algumas faixas para soundtracks – Florence and The Machine volta ao spotlight melhor do que nunca. Equalizando o melhor de seus dois ábuns anteriores, Lungs e Ceremonials, How Big How Blue How Beautiful é uma obra cíclica, lírica e coesa. Não passa a imagem sacra de Ceremonials, nem rebelde de Lungs, e observamos uma Florence mais à vontade consigo mesma, com composições ainda mais pessoais. How Big How Blue How Beautiful tem uma produção impecável, que também pode ser observada na “The Odyssey”, sequência de clipes que contam uma bonita e sensível história repleta de danças e simbolismos, do jeitinho que Flo adora. Não por menos, o novo material recebeu cinco indicações ao Grammy e a banda está excursionando mundo afora com sua nova turnê.

por Luca Serrachioli

OUÇA: “What Kind Of Man”, “Queen Of Peace” e “Delilah”

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02 | SUFJAN STEVENS – Carrie & Lowell

SUFJAN2015

Talvez este seja o álbum mais delicado do ano. Sufjan Stevens compôs Carrie & Lowell como tentativa de exorcizar os demônios da relação com sua mãe e que foram revigorados com a recente morte dela. Não há dúvidas de que o destaque fica por conta das letras. O poder e a sinceridade da poesia de Stevens é de cortar o coração. É impossível ouvir o disco e não compartilhar de sua dor. Como música, o disco funciona bem como um todo e tem uma estrutura bastante linear. As canções se caracterizam pelo violão suavemente dedilhado, a voz doce quase sussurrada e ausência de percussão. Nenhum minuto é supérfluo e as canções se encaixam em perfeita harmonia. Descrever Carrie & Lowell em uma palavra: tocante. Em duas palavras: tocante e imperdível.

por Angelo Fadini

OUÇA: “Should Have Known Beter”, “Fourth Of July”, “The Only Thing” e “Death With Dignity”

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01 | KENDRICK LAMAR – To Pimp A Butterfly

KENDRICK2015

Kendrick Lamar é o homem do ano. To Pimp A Butterfly é com a absoluta certeza a obra mais bem pensada e arquitetada desse 2015. Tudo se encaixa, as músicas são feitas para seguirem umas com a outras, todo o significado por trás está lá. E tudo isso depois da esnobada tremenda do Grammy há 3 anos atrás. Kendrick pode surgir como um expoente de uma geração, alguém que marque uma era (ou não, mas sabemos que esse ano foi marcado por ele). Tudo que envolve o disco carrega uma mensagem por trás (os protestos de Ferguson com as pessoas cantando “Alright” é uma prova do hino que Lamar canta). Não sabemos o futuro, nem deveremos saber, mas podemos afirmar que 2015 será lembrado como o ano de Kendrick.

por Heitor Facini

OUÇA: “Alright”, “King Kunta” e “i”

2014: Best Albums (Staff)

10 | THE BLACK KEYS – Turn Blue

Cover

“Esqueça “Lonely Boy”, os riffs rápidos e a bateria dançante que alçaram o Black Keys ao status de headliners mundo a fora. O clima em Turn Blue é bem mais triste e pesado e, por isso mesmo, incrivelmente mais interessante. Existem algumas canções mais animadas, como o primeiro single “Fever” e “Gotta Get Away”, mas são os momentos mais introspectivos que dão o atraente tom blue do disco. Para entender este sentimento basta ouvir “The Weight Of Love”, a longa faixa de abertura que traz alguns dos melhores solos de guitarra do ano e uma letra mais do que sincera. Se você ouvi-la e compreender este sentimento, prepare-se pois você ouvirá um dos melhores e mais sinceros discos do ano em seguida.”

por Angelo Fadini

OUÇA: “The Weight Of Love”, “Bullet In The Brain”, “Waiting On Words” e “In Our Prime”

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09 | FKA TWIGS – LP1

Cover

“FKA twigs foi além daquilo que seus EPs prometiam e trouxe uma estreia poderosa e envolvente. Sua figura ímpar e seu som quebradiço ganhou haters, especialmente por parte das fãs de Robert Pattinson (seu atual namorado), mas é seu som, uma espécie de releitura moderna do trip-hop, que a coloca nessa lista. Expondo-se em letras ora sexuais ora confessionais, twigs cria um universo muito particular, em grande parte advindo de seu produtor, o também excêntrico e interessante Arca. Mesmo assim, em 2014, é FKA twigs a ‘garota do vídeo’, que chegou para bagunçar nossos conceitos de pop, de sensualidade e de diva.”

por Renan Guerra

OUÇA: “Pendulum” e “Video Girl”

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07 | ST. VINCENT – St. Vincent

St. Vincent capa

“Existem dois tipos de discos homônimos e eles, em tese, tem o mesmo objetivo: legitimar um artista. Ainda na lista de suposições eles são lançados no início de uma carreira (e tenho preconceito com álbuns homônimos estreantes) ou em algum momento posterior ao primeiro lançamento. O registro mais novo de St. Vincent, que leva seu nome, pertence ao segundo grupo. E cumpre com maestria o papel de legitimar St. Vincent como uma grande e poderosa artista. Descrito por ela como “um disco de festa que poderia ser tocado em um funeral”, ele carrega dentro de si toda a pulsão da vida (e por que não da morte?) em canções que combinam os vocais ora adocicados ora espinhentos em um instrumental que possui uma orquestra de pianos, teclados e bateria regidos por sintetizadores. A euforia é presente tanto no ímpeto de alegria como no cerne do desespero e da angústia. A parceria de longa data com John Congleton é outro ponto alto, num disco que mostra St. Vincent imersa na natureza (“Rattlesnake”), na (brevidade da) existência humana (“I Prefer Your Love”) e no mundo digital que nos consome (“Digital Witness”).”

por Daniel de Matos

OUÇA: “Rattlesnake”, “I Prefer Your Love”, “Digital Witness” e “Regret”.

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07 | SHARON VAN ETTEN – Are We There

Sharon van Etten

“A vida às vezes toca num rítmo que não parece real, que é quase um plágio de um filme da nouvelle vague. Várias sensações afloram, todas as cores se reduzem a preto e branco, os cheiros são de livro antigo, whisky e café morno. É difícil imaginar que seja de verdade. A dor que transborda é grande demais para ser de verdade, deve ser só um romantismo, deve ser só arte. Mas de vez em quanto você queria que não fosse, só pelo estilo, ou porque parece tão melhor. É um pouco de masoquismo. E para ouvir deve ser necessário um pouco de sadismo. Mas no fundo é só desejo, é só a marca que ele deixa na gente. É só o disco novo da Sharon Van Etten. É perfeito? Um pouco menos do que o anterior, mas esse sangra e chora ainda mais, e, com isso, faz quem ouve sentir um pouco mais, um pouco mais de tristeza, ou um pouco mais de sépia na fotografia da sua vida.”

por Emannuel Gomes

OUÇA: “I Love You But I’m Lost”, “Everytime The Sun Comes Up”, “Your Love Is Killing Me” e “Afraid Of Nothing”

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06 | SUN KIL MOON – Benji

Sun Kil Moon

“Procurando por um disco comovente e com mensagens profundas? Benji é a sua resposta. Nesse disco, Mark Kozelek mostra toda sua habilidade de contar histórias tristes e de transformá-las em músicas. E o acompanhamento instrumental também não deixa nada a desejar. O que se destaca é o violão (dedilhado ou não), que parece encaixar perfeitamente com todas as letras. O resultado é um álbum bastante melancólico e reflexivo. É difícil não sair com o coração pesado no final. Benji consegue sensibilizar com maestria qualquer um que acompanha atentamente suas composições.”

por João Victor Krieger

OUÇA: “Carissa”, “Dogs”, “Jim Wise”, “I Love My Dad” e “Ben’s My Friend”

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04 | JACK WHITE – Lazaretto

Jack White capa

“Mesmo tendo surgido na cena musical nos anos 90, Jack White já se fixou entre os guitarristas lendários do rock. A notícia de um novo álbum em 2014 colocou os fãs com a expectativa lá no alto e dá pra dizer com toda certeza que ele não decepcionou. Trazendo as já conhecidas referências do blues, Lazaretto incorpora elementos do hard rock e do folk misturados com toda a precisão de um músico experiente. E não é só pela técnica que o disco surpreende, ótimas letras associadas a arranjos empolgantes que mostram que, mesmo buscando complexidade, Jack se diverte no processo com uma liberdade impressionante. Lazaretto é clássico e é atual, é preciso e despreocupado, é pesado e suave, é Jack White sendo Jack White.”

por Diego Bonadiman

OUÇA: “Three Women”, “High Ball Stepper”, e “I Think I Found The Culprit”.

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04 | MAC DEMARCO – Salad Days

Mac DeMarco

“Sentado numa cadeira, o sol se pondo, as ondas do mar vão se movendo devagar enquanto você está com a sua cerveja barata na mão e sua camiseta mais esfolada que tinha. Com os óculos que você comprou com o ambulante mais próximo vendo todo mundo desmontando as barracas de lona e levando embora as caixas térmicas que agora só tem água gelada e salgada (para fazer o gelo durar mais). É assim que a música de Mac DeMarco é. Salad Days traz uma certa nostalgia e muita calma para quem o ouve. As guitarras distorcidas até trazem um tom psicodélico, mas não um psicodélico Tame Impala, um psicodélico mais calmo, mais tranquilo, uma distorção digamos “de boa”. Mac consegue assim um dos melhores discos do ano que apelam pela grandiosa simplicidade da música, não em volta de uma fogueira que fim de ano traz um calor infernal, mas em volta de um engradado de cerveja em promoção e no máximo um churrasco sendo feito.”

por Heitor Facini

OUÇA: “Salad Days”, “Chamber Of Reflection” e “Let My Baby Stay”

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03 | LANA DEL REY – Ultraviolence

Lana Del Rey capa

“Lana Del Rey provocou uma tempestade quando surgiu em 2012. Dividiu opiniões, foi apontada como farsa da gravadora, e chegou a dizer que não lançaria um segundo álbum. Dois anos depois, o sucessor de Born To Die já pode ser considerado uma das grandes criações da música pop moderna. Em Ultraviolence, a mesma persona volta para contar, de uma forma melhor, a mesma história. A dose de melodrama aumenta e somos apresentados a um novo (e decisivo) personagem; Dan Auerbach, do The Black Keys. É ele o responsável pela minuciosidade da produção, e cujos ocasionais solos de guitarra pontuam o disco com uma sofisticação não encontrada em nenhum outro lançamento recente. Assim como o clássico do cinema de 1971, A Clock Orange, que inspira o título, Ultraviolence é uma obra intrigante e atemporal. Ainda que parte do mesmo mundo paralelo habitado por Del Rey em Born To Die, cada faixa é única e tem seu próprio fator intoxicante – seja uma melodia, um riff, um refrão ou uma tirada sarcástica. O final da história, claro, não é feliz. As trajetórias são propositalmente dolorosas e a beleza está ali, na decadência. Com Lana o som da tragédia é, mais uma vez, a melodia perfeita.”

por Ana Laurindo

OUÇA: “Ultraviolence”, “Shades Of Cool” e “Brooklyn Baby”

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02 | ALT-J – This Is All Yours

alt-J capa

“Entre experimentalismos e batidas pop, This Is All Yours é um espetáculo com começo, meio e fim, e que ganha seus ouvintes pelo cuidado com as texturas, com o encadeamento das faixas e com criação de ambientes. A concepção de álbum que é tida pelo alt-J desde o primeiro disco é o de montá-lo como um todo, com cadência e com sentido, por isso as faixas introdutórias no decorrer do álbum são comuns. O que temos de novo nesse disco é a viagem por Nara, onde chegamos na segunda faixa e nos despedimos na última. Durante a nossa passagem por lá notamos ora percussões tribais, ora vocais sacros entoados como em igrejas; ainda um sample de Miley Cyrus que enuncia “i’m a female rebel” e abre caminho para uma faixa com parcerias femininas delicadas. Tais elementos que parecem desconexos são fundamentais para o álbum e se mostram harmônicos no espetáculo. Nara pode ser algo ou alguém, é um desconhecido que nos é apresentado e que ao conhecê-lo nos agrada de verdade.”

por Marta Barbieri

OUÇA: “Every Other Freckle” e “Hunger Of The Pine”. Ou o disco todo na ordem.

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01 | INTERPOL – El Pintor

Interpol capa

“Talvez, não exista nenhuma lista exigente de melhores do ano, seja das maiores mídias ou daquelas que fazemos apenas pra mostrar para os amigos e nos acharmos legais, que não tenha colocado nenhum sinal sequer de El Pintor, o quinto álbum da banda nova iorquina Interpol. E se entre 9 a cada 10 listas citam Paul Banks e seus garotos, é porque realmente El Pintor surgiu como um burburinho aguardado e recheado de expectativa, desde as primeiras musicas lançadas em lives ou singles e teasers que eram divulgados. Interpol, depois de uma pausa de quatro anos, traz um álbum surpreendente e praticamente tão bom quanto o magistral Turn On The Bright Lights, que arrancou de vez a banda e seu post punk revival. El Pintor acaba se revelando um impecável sucessor, justamente porque consegue trazer à tona tudo o que todos seus dezessete anos de estrada poderiam ensinar: o equilíbrio da harmonia de cada faixa, de cada história contada, e embalada pela capacidade de nos fazer acessar as mais distantes emoções pessoais. Interpol é uma banda eterna, de fato, e o álbum com seu anagrama é a prova disso, é a amostra perfeita e detalhada de que a capacidade de se reinventar dos americanos, ainda que dentro de suas melodias costumeiras, é inesgotável. Para o álbum do ano, valeu a pena esperar, afinal Nova York ainda se importa, e o Interpol também.”

por Tatiana Kolenczuk

OUÇA: “Same Town, New Story”, “Breaker 1”, “Anywhere” e “All The Rage Back Home”