Mumford & Sons – Delta


A banda britânica que passou por uma verdadeira montanha-russa ao longo dos seus primeiros três álbuns, neste momento apresenta um trabalho que busca uma reconciliação com seu passado. Delta surge como uma tentativa de reinvenção, misturando elementos clássicos da banda com batidas eletrônicas e novos ingredientes. O que poderia ser um movimento interessante, na prática se tornou um grande desastre. 

O Mumford & Sons é daquelas bandas que surgiu gigante. O debut lá em 2009 levou a banda, não apenas a ser headliner dos maiores festivais do mundo, mas também a abrir as portas para o indie folk, alçando várias bandas do estilo de lá para cá. Nos seus dois primeiros álbuns, Sigh No More (2009) e Babel (2012), a banda conseguiu este feito de mostrar que é possível criar canções cativantes e acessíveis dentre de um gênero pouco explorado no mainstream de então. Porém, o grande sucesso também mostrou pontos fracos da banda que no último trabalho, Wilder Mind (2015), apresentou um álbum fraquíssimo, apostando em hits grudentos e pouco interessantes. Delta surge justamente neste contexto de cobrança de um material mais denso da banda. O álbum até aponta para uma tentativa de resgate da essência do Mumford & Sons e tenta readapta-la a 2018. É uma intenção louvável, porém o resultado é desastroso.

A banda afundou o pé nos efeitos eletrônicos sem muitos critérios. O conjunto parece uma coleção de experimentações e tentativas não refinadas. Ao mesmo tempo que o álbum se mostra ambicioso na proposta, ele se apresenta de forma pouco elaborada. Os elementos trazidos são tão diversos e aleatórios que fica difícil sustentar uma unidade para o álbum. Ora vemos elementos de jazz, ora batidas eletrônicas estilo Alt-J, ora um retorno a arranjos puxados para o folk. Tudo compondo melodias que abusam de variações de ritmo para causar dramaticidade de forma forçada e repetitiva. Aparentemente todas as idéias novas que a banda teve foram usadas ao mesmo tempo, sem uma proposta amarrada para o disco. Em mais de uma hora de canções, temos um álbum cansativo e pouco memorável. No meio de tantas misturas, talvez a única música realmente boa do disco, o lead single Guiding Light, mostra a dosagem adequada do que seria cabível na mistura entre texturas eletrônicas e a sonoridade clássica da banda.

Não foi dessa vez que o Mumford & Sons apresentou um trabalho digno do reconhecimento dos seus primeiros discos. Apesar da tentativa de se reconectar com seus trabalhos anteriores, infelizmente, desta vez a proposta morreu na praia.

OUÇA: “Guiding Light”

Wild Nothing – Indigo


O quarto álbum do estadunidense Jack Tatum sob o nome Wild Nothing já dá seu recado no refrão do lead single, “Letting Go”: ‘Letting go / I wanna be happier now / I wanna be more than closed‘. A atmosfera que surge neste trabalho é leve e alegre, em muitos momentos causando surpresa para quem já acompanha o trabalho do Wild Nothing.

Ritmos alegres e batidas acentuadas no dream pop dançante marcam Indigo. A proposta se encaixa na discografia como uma continuação do álbum anterior, Life Of Pause (2016), mesclando momentos em que hora se conecta mais com o trabalho passado e momentos em que aponta a nova direção que Tatum vem seguindo. Em algumas canções, como por exemplo, “Canyon On Fire”, vemos a mistura de guitarras marcantes e batidas sintéticas já características do Wild Nothing. Em outros momentos, como em “Letting Go”, esta atmosfera dualista se desfaz em ritmos e arranjos quase que festivos. O clima alegre predomina, sendo a principal marca do álbum. 

O que inicialmente indica que há algo interessante e inovador em Indigo, logo frustra as expectativas. Logo após a primeira faixa, os bons momentos do álbum acabam diluídos em um marasmo persistente onde o conjunto acaba soando fraco e repetitivo, abusando de refrãos pegajosos. Apesar das tentativas de sons progressivos e texturas distintas, o pouco contraste nas canções acaba predominando, fazendo do álbum um trabalho pouco marcante. O clima alegre, no fim das contas, acaba se mostrando algo superficial e cansativo.

Indigo acaba sendo um dos trabalhos mais fraco de Tatum. Apesar de representar uma passagem de sons mais obscuros para algo alegre e ensolarado, isso se da de forma pouco interessante, entediando o ouvinte pela repetitividade das faixas. Acredito que o lado bom do álbum possa ser a direção para trabalhos futuros que ele indica. O Wild Nothing dificilmente desaponta. Vale a pena esperar o próximo capítulo.

OUÇA: “Letting Go” e “Shallow Water”.

Mount Eerie – Now Only


Now Only é mais um álbum onde Phil Elverum interpreta suas canções sobre luto. Após o falecimento de sua esposa em 2016, Phil, sob o nome de Mount Eerie, lançou o belíssimo álbum A Crow Looked At Me (2017). Agora, um ano depois, o cantor da continuidade ao relato intimista sobre sua perda.

A curta distâncias entre álbuns já deixa pistas sobre uma continuação do trabalho passado. Phil Elverum ainda canta sobre as inquietações decorrentes do falecimento de sua esposa. Em Now Only, as canções são apresentadas de forma mais condensadas, distribuídas em apenas 6 faixas. As músicas parecem grandes monólogos sobre o que é perder alguém importante. Em seu conteúdo, o álbum soa mais enérgico e menos desesperador que o anterior: enquanto o artista descobre novos desdobramentos em relação a sua perda, apresenta canções que registram um novo estágio deste processo. Instrumentalmente, as canções também se tornam mais complexas em relação ao disco passado, porém ainda mantendo a simplicidade sonora característica do artista.

A capacidade de Phil Elverum de transformar a dor em belas canções já é conhecida. É um som hipnotizaste. Não é algo exatamente prazeroso para se ouvir, mas ao mesmo tempo é envolvente ao ponto de prender o interlocutor no disco. As longas canções envolvem o ouvinte nas narrativas e na sonoridade intimista. A dor sentida por Phil é transmitida de forma arrebatadora. É difícil ouvir o álbum sem se emocionar se colocando no lugar do vocalista. O sentimento de dor que não se consegue largar pode ser resumido nos primeiros versos de “Earth”: “I don’t want to live with this feeling any longer than I have to / But also I don’t want you to be gone / So I talk about you all the time”.

Now Only resume-se como a segunda parte de A Crow Looked At Me. Mostra um sutil alívio do luto de Phil, porém a essência ainda é a mesma do álbum anterior: canções que nos levam a refletir sobre a dor vocalizada nas canções. É a continuação de um processo de luto que assim como o trabalho anterior, é belíssimo, intimista e profundo.

OUÇA: “Now Only” e “Earth”

Franz Ferdinand – Always Ascending


Esses dias um amigo comentou comigo que o indie estava morto no mainstream atual. É verdade. Boa parte das bandas que fizeram o estilo se popularizar encontram-se apagadas e com pouca relevância atualmente. Já faz 14 anos desde que o Franz Ferdinand emplacou o hit “Take Me Out”. Os escoceses foram uma das bandas mais importantes para o indie rock dos anos 2000, tendo seus dias de glória com os álbuns Franz Ferdinand (2004) e You Could Have It So Much Better (2005). Desde então a banda vem encontrando dificuldades de se inserir em um cenário musical que já não é o mesmo do início dos anos 2000. Apesar de lançarem álbuns coesos, suas músicas já parecem deslocadas da atualidade. O estranhamento e a falta de canções memoráveis se repetem no lançamento atual.

Always Ascending se esforça para se adaptar aos tempos atuais, porém sem muito êxito. O álbum indica uma tentativa de mudança nas perspectivas do Franz Ferdinand. Parece que a nova fórmula de atualização das bandas indie é o flerte com o eletrônico e um resgate das atmosferas dance e synth pop. Essa direção fica evidente já na faixa título “Always Ascending” e se replica em boa parte das canções do disco, marcando a identidade do trabalho atual. O que poderia vir a ser algo interessante, neste caso acaba soando um tanto simplório, grudento e pouco relevante. As canções soam como um emaranhado de texturas e efeitos que ora se tornam grudentos e repetitivos de mais, ora se tornam pouco memoráveis. Não há nada muito forte e marcante no álbum, nem mesmo entre os singles.

A mudança de posicionamento, que até certo ponto é louvável, acabou produzindo um dos álbuns mais fracos da discografia da banda. Tanto que a faixa mais interessante do disco, “Lazy Boy”, é a que mais se distancia dos moldes do atual álbum, sendo uma canção ao antigo estilo do Franz Ferdinand, lembrando o rock dançante dos trabalhos passados. O que fica de positivo em Always Ascending é perceber que a banda tem se esforçado para sair da zona de conforto que a consagrou na década passada. Porém, infelizmente, não foi desta vez que o Franz Ferdinand voltou a ser relevante no cenário musical atual.

OUÇA: “Lazy Boy” e “Huck And Jim”.

Beck – Colors


Beck Hansen é um dos poucos artistas fora do mainstream a ganhar um Grammy de melhor álbum do ano. Um feito e tanto. Desde o aclamado Morning Phase (2014), o americano se consagrou como uma das principais referências no rock alternativo. Em Colors, até mesmo a classificação como rock alternativo poderia ser revista. Beck é um artista versátil e pouco acomodado. Enquanto Morning Phase trazia canções melancólicas e introspectivas, Colors apresenta um conteúdo oposto mergulhado no pop: alegre, enérgico e dançante.

Quem apostava em uma continuidade do ovacionado trabalho anterior, não poderia ter se surpreendido mais. Já na primeira canção, “Colors”, é apresentada uma atmosfera que flerta com sons eletrônicos, sintetizadores, batidas marcadas e dançantes. A inevitável surpresa estranha em primeiro momento, porém logo envolve e contagia. Colors não é apenas uma aventura ousada. É um álbum muito bem trabalhado, mostrando que o sucesso pode ser um aliado para apostar em caminhos novos.

Colors – cores saturadas e alegres, como as que cobrem a face do cantor na capa do álbum. Sobre o fundo preto e branco, elas que se destacam. Sem uma forma definida, porém expansivas e envolventes. Assim também são as canções do disco. Beck sempre foi habilidoso em trazer complexidade a sons acessíveis. Colors é álbum que afunda o pé no pop e no dance sem se tornar simplório por isso. Talvez depois do sucesso da crítica, trabalhar com sonoridades mais acessíveis tenha partido de uma tentativa de alcançar espaço no mainstream comercial. O que não é nenhum pecado quando não se perde a essência e a qualidade no trabalho. Nesse sentido, o álbum vai muito bem. Apresenta diversos elementos novos, sem aparentar ser algo exagerado ou forçado. Cada canção traz algo original, divagando por uma série de texturas que dão corpo ao álbum como um conjunto de experimentações dentro da proposta pop/dance do cantor.

Ao contrário do seu antecessor, Colors não almeja ser algo profundo e elaborado. É um álbum leve e divertido. Se torna prazeroso no momento em que se aceita as virtudes da leveza e da efemeridade. O disco passa rápido, deixando a sensação de ter proporcionado bons momentos de divertimento. Reflexo dos tempos em que vivemos, o álbum não cria laços fortes e duradouros com o ouvinte. Em vez de se debruçar e esmiuçar cada canção, o recente trabalho convida a uma audição leve e descompromissada, possibilitando uma diversão hedonista.

OUÇA: “Colors”, “I’m So Free”, “Dear Life” e “Wow”.

Foo Fighters – Concrete And Gold


O Foo Fighters chegou ao patamar de banda que não precisa se esforçar muito para agradar aos fãs. Não vemos grandes inovações já faz algum tempo. Mesmo assim, continua sendo uma banda gigante lançando álbuns coesos. Concrete And Gold não foge a regra. É um bom disco, porém com poucas coisas novas para apresentar. Mostra uma banda acomodada, mas ainda muito competente no som que se propõe a fazer.

O álbum se encaixa com os trabalhos mais recentes da banda, fechando quase que uma trilogia com Wasting Light (2011) e Sonic Highways (2014). Contudo, as características que fizeram de Wasting Light um álbum realmente interessante lá em 2011, já não funcionam com a mesma eficácia aqui. Concrete And Gold, sonoramente, parece ter pouca coisa nova a oferecer. Há algumas tentativas de dar uma cara “retrô” para o álbum e até alguma aproximação com o stoner rock, mas nada que vingue e dê substância ao disco. Apesar disso, vale a pena lembrar que no caso do Foo Fighters, lançar mais do mesmo nem sempre é algo de todo ruim.

Concrete And Gold tem momentos ótimos. O disco começa muito bem com a sequência “T-shirt”, “Run”, “Make It Right” e “The Sky Is A Neighborhood”. A abertura do disco profetiza algo grandioso, intenso e dramático. “Run” é provavelmente a melhor canção do Foo Fighters em anos. Consegue unir elementos de força e tensão com viradas fluídas que funcionam muito bem. “The Sky Is A Neighborhood” é outro ótimo single que apresenta um rock alternativo denso e grandioso, daqueles para ser tocado em estádios lotados.

Apesar do ótimo começo, a proposta inicial se dissipa em canções menos memoráveis. O álbum perde força drasticamente na segunda metade, dando impressão que você entrou numa playlist qualquer de b-sides do Foo Fighters. A insipidez acaba marcando boa parte do disco. Não se tratam de canções ruins, mas sim, repetitivas e esquecíeis.

Apesar de ser um álbum satisfatório, Concrete And Gold reforça a possibilidade do Foo Fighters estar se aproximando de bandas como o Red Hot Chilli Peppers ou o U2. Milhares de fãs fieis e shows lotados, porém sempre apresentando uma repetição de si mesmos. Torcemos para que David Grohl não acabe como o próximo tiozão do rock.

OUÇA: “Run” e “The Sky Is A Neighborhood”

Ariel Pink – Dedicated To Bobby Jameson


O lo-fi é um estilo peculiar. Parece dar abertura para qualquer tipo de experimentação, enaltecendo uma estética própria que se sobrepõe a padrões e refinamentos técnicos. Ao mesmo tempo que isso possibilita uma enorme liberdade, também traz desafios quando se fala em artistas inseridos no mercado mainstream. Ariel Pink talvez seja um dos expoentes mais icônicos quando se fala num lo-fi acessível e de ótima qualidade.

Depois de três anos do excelente pom pom (2014), Pink apresenta seu novo trabalho como uma continuação coerente. Dedicated To Bobby Jameson é um autêntico álbum de Ariel Pink. A despretensiosidade do californiano costuma gerar bons resultados e aqui não foi diferente. Longe de ser um álbum inovador ou revolucionário, o recente disco se firma na habilidade de transformar o lo-fi em algo acessível, fluído e divertido.

O título do álbum é uma referência ao músico californiano Bobby Jameson que faleceu em 2015. Pink chegou a dizer que o trabalho do cara ressoava com ele em um nível que sentiu a necessidade de dedicar seu último disco a ele. Apesar de Pink negar que o álbum faz uma referência direta ao acontecimento, é possível perceber certa melancolia nas novas canções, principal deslocamento do disco anterior. Se pom pom fosse o auge de uma festa onde todos estão felizes, Dedicated To Bobby Jameson seria os momentos de final de festa onde aquelas poucas pessoas estranhas ainda dançam sozinhas na balada vazia. O kitsch brega e divertido se diluindo aos poucos em um shoegaze anestesiante.

Apesar das poucas inovações, Pink continua em ótima forma, mantendo seu melhor estilo. Sua maior contribuição com Dedicated To Bobby Jameson é reafirmar a versatilidade com que consegue fazer os limites do lo-fi e do pop se sobreporem, gerando um trabalho consistente e agradável.

OUÇA: “Feels Like Heaven”, “Dedicated To Bobby Jameson” e “Another Weekend”

Royal Blood – How Did We Get So Dark?

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O Royal Blood é daquelas bandas que cresceram e ganharam espaço tão rápido que é fácil esquecer que ainda são uma banda jovem com uma longa estrada pela frente. Em 2014 fui à um festival onde primeiro show da noite foi justamente do Royal Blood. Os ingleses nem tinham lançado o primeiro álbum, ainda eram desconhecidos com o nome da banda bem pequeninho no final do lineup. Eu só tinha ouvido falar deles na época e não poderia ter me surpreendido de uma forma melhor com o show. Um som pesado e cru, extremamente poderoso, executado perfeitamente por dois caras que pareciam estar simplesmente se divertindo no palco. Quando achei que o garage rock já estava morto, percebi que na verdade era só o começo para o Royal Blood.

Daí para frente ganharam o mundo. Todo o sucesso alcançado rapidamente pela banda, tanto pela crítica quanto pelo público, fez com que as expectativas se tornassem gigantes para o que viria a seguir. Segundo álbum nunca é uma tarefa fácil para quem estourou com o debut. As possibilidades e pressões são muitas: agradar os fãs atuais, pegar o embalo e se lançar em direção ao mainstream, apostar em uma direção diferente… O segundo disco do Royal Blood é marcado por essas incertezas. Ao tentar ser muitas coisas ao mesmo tempo, acaba perdendo força e ficando à sombra do seu antecessor.

How Did We Get So Dark? inicia muito bem. Já nas primeiras faixas pode-se ouvir as canções mais enérgicos do álbum, “Lights Out” e “I Only Lie When I Love You”. Singles não tão fortes quanto os do disco anterior, mas que garantem bons momentos. Apesar da pouca diferença estrutural para singles passados, como “Out Of The Black” e “Little Monster”, pode-se perceber as variáveis do novo trabalho: maior produção e refinamento nas faixas, sons mais agudos e distorcidos chegando a deixar dúvidas se realmente só estamos ouvindo baixo e bateria.

Essa dosagem de inovação funcionou nas canções iniciais, porém não se sustenta no resto do disco, onde as faixas perdem drasticamente a força. A fórmula tímida de elementos novos gera um impasse que faz com que as canções não sejam tão fortes quanto as do disco anterior e nem tão inovadores para sustentar um trabalho totalmente novo. How Did We Get So Dark? faz pouco jus ao nome. Está mais para uma escala de cinza com baixo contraste, onde poucas faixas se destacam. No fim, um álbum curto com 35 minutos acaba parecendo longo demais devido a pouca variação entre as canções.

O disco parece estar numa encruzilhada onde ora opta por sons pesados e enérgicos como “Lights Out” e “Hole In Your Heart”, que dão continuidade ao trabalho anterior, ora opta por sonoridades suaves e insossas à estilo AM (2013) do Arctic Monkeys, como em “Don’t Tell”. A maioria das canções acabam em um meio termo morno entre esses dois extremos. É um álbum mais acessível sonoramente, que pode acabar impulsionando os ingleses no sentido comercial, mas que perde o que o Royal Blood tinha de melhor para oferecer. A despretensiosidade que funcionou muito bem no álbum anterior, deu lugar à falta de foco, fazendo de How Did We Get So Dark? um reflexo turvo de seu antecessor.

Essa direção confusa que a banda toma nos faz lembrar que o Royal Blood ainda é uma banda jovem, com espaço para acertos, erros e, principalmente, amadurecimento. Apesar da fragilidade desse segundo álbum, ainda é possível distinguir boas faixas que despertam curiosidade para os próximos passos da banda.  Eu não desistiria tão cedo do Royal Blood.

OUÇA: “Lights Out”, “I Only Lie When I Love You” e “Hole In Your Heart”.

Splashh – Waiting A Lifetime

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Depois de uma espera relativamente longa, finalmente temos um sucessor para o debut do Splashh. A demora para o segundo álbum mostra certa cautela da banda, o que para o Splashh se traduziu em idas e vindas: troca de baterista, descarte de material e mudanças de direção. De 2013 para cá, tivemos poucas informações sólidas do que seria o novo trabalho dos anglo-australianos, dando motivos para diversas especulações. Frustrando quem esperava algo extremamente inovador e também quem já havia desistido da banda, eis que Waiting A Lifetime se apresenta de forma simples e modesta, como uma ótima continuação do trabalho anterior.

Já na primeira audição, Waiting A Lifetime parece ser uma evolução natural de Comfort (2013). As semelhanças com o álbum anterior são tão facilmente notáveis quando as diferenças. A banda mantém sua essência ao mesmo tempo que experimenta novos rumos. Waiting A Lifetime tem uma atmosfera mais alegre e mais limpa. A produção também é visivelmente mais apurada, reflexo da nova conjuntura da banda: enquanto o disco anterior foi gravado no apartamento do guitarrista, o atual contou com uma gravadora. A aura lo-fi do trabalho anterior dá lugar a sons mais claros e nítidos, o que abriu caminho para experimentações de novas sonoridades sem que houvesse uma overdose de texturas. As canções continuam com a fórmula de vocais abafados intercalados por guitarras marcantes. Porém, cada faixa traz algo de singular, pendendo às vezes para o eletrônico, às vezes para o dream pop, criando canções ora enérgicas, ora melancólicas.

O tempo de espera para o lançamento do disco se refletiu em um visível aprimoramento da banda. Fica claro que o grupo esteve mais preocupado em produzir um material em que realmente acreditasse, do que em realizar um lançamento às pressas. Waiting A Lifetime é uma ótima continuação para o debut do Splashh, abrindo caminho para uma banda que ainda promete muito pela frente.

OUÇA: “Rings”, “Waiting A Lifetime” e “Closer”.

Temples – VOLCANO

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É algo interessante o que o segundo álbum representa para uma banda. Ainda mais quando o disco de estreia foi bem aceito pelo público e crítica, como no caso do Temples. Quando o a banda apareceu com o single “Shelter Song” lá em 2012, rapidamente ocupou um lugar ao sol impulsionando pela cena pop psicodélica que vinha adquirindo maior visibilidade. Logo, o nome dos ingleses já aparecia ao lado de bandas maiores como MGMT e Tame Impala. Aí que entra a atribuição do segundo álbum: mostrar se a banda consegue crescer e amadurecer após o sucesso, ou se a promessa contida no debut representou um trabalho singular e isolado. O Temples não poderia ter se saído melhor com VOLCANO: interessante, agradável e belo, o álbum mostra que que a banda veio para ficar.

Já no Sun Structures (2014), o Temples foi aclamado pela proposta sonora. O som dos ingleses caracterizava uma atmosfera psicodélica acessível, no melhor sentido do pop psicodélico. VOLCANO dá continuidade à proposta anterior, porém com mudanças significativas. O que antes era um som despretensioso vindo de uma banda ainda sem reconhecimento, no novo trabalho apresenta uma base mais polida, dando passos mais largos e mirando resultados maiores. Mudando de uma certa casualidade para sons mais produzidos, as novas faixas se apresentam de forma quase teatral. Os arranjos foram simplificados, apresentando um som mais limpo e claro. A própria faixa de abertura do álbum, “Certainty”, em contraste com a primeira canção do Sun Structures, “Shelter Song”, exemplifica bem o novo posicionamento: sons mais alegres com melodias mais claras, transparecendo certa grandiosidade de uma banda que parece almejar os estádios e as rádios.

Tais mudanças podem desapontar alguns fãs, principalmente aqueles que desejavam uma continuação linear da produção sonora da banda. De fato, VOLCANO está longe de ser um Sun Structures parte II. Mais comercial e mais pop, a banda provavelmente caminhará em direção ao mainstream, o que pode levar alguns fãs a torcerem o nariz. A boa notícia é que tais mudanças foram bem dosadas e aplicadas, levando Volcano a se tornar um álbum promissor. Menos psicodélico e mais pop, porém igualmente relevante e encantador.

A audição de VOLCANO é fácil e leve. As faixas se harmonizam e se completam no andar do disco, dando consistência para o álbum. Refrãos mais grudentos do que os habituais fazem cada canção facilmente identificável. As letras e melodias parecem convidar a uma viagem suave e agradável durante os bons 48 minutos do álbum. O grande acerto do disco está na forma de introduzir elementos pop, como arranjos simples e refrãos marcantes, sem se tornar algo simplório ou cansativo. Pelo contrário, em cada música, as soluções adotadas engrandecem o conjunto, amarrando cada parte do trabalho. Algumas faixas se destacam, como a ótima “Strange Or Be Forgotten” que encerra o disco deixando a sensação de trabalho bem-acabado.

O segundo álbum do Temples configura esse semblante de passagem de uma banda que vem crescendo e ganhando espaço. Uma possível comparação do que VOLCANO pode significar paro Temples, é o que o Currents (2015) significa para Tame Impala: um passo bem dado em direção ao mainstream.

OUÇA: “Strange Or Be Forgotten”, “Certainty” e “Open Air”.