MUNA – Saves The World


MUNA é Katie Gavin, Josette Maskin e Naomi McPherson. Fazendo música juntas desde 2013, quando iniciaram o projeto, o jovem trio se conheceu na faculdade e, dali, passaram a trabalhar juntas sob a identidade que as tornou famosas.

Depois de um relativo sucesso com os primeiros materiais e um modesto alcance de seu trabalho antes de 2015, a música de Gavin, Maskin e McPherson foi impulsionada por um remix de “Winterbreak”, uma das canções do primeiro álbum do trio, feito pelo DJ Tiësto em 2016.

Após o lançamento primeiro álbum, About U, em 2017, MUNA abriu shows para o Grouplove nos Estados Unidos (e mais recentemente para Harry Styles, também), se apresentou no Lollapalooza em Chicago e teve músicas em trilhas sonoras de audiovisuais, além de aparições na TV americana. As particularidades da música entregue pela banda, composta por três mulheres abertamente lésbicas e celebrando o poder feminino, foram combustíveis que alimentaram a espera espera por mais material inédito.

Saves The World é, assim, uma obra completa. Vai de momentos que parecem clamores, com “Who”, a canções que parecem proposta de outro grupo, como “Number One Fan”, esta última contrastando com a melancolia do restante do álbum. O segundo disco do trio de indie pop foi entregue em 6 de novembro, cerca de dois anos após o debut, About U, ser liberado.

A fórmula — uma atmosfera oitentista, guitarras elétricas, batidas enérgicas e mensagens fortes nas composições — é repetida neste novo registro. MUNA traz junto de si, em Saves The World, questões sobre política, ansiedade e depressão e sobre a sexualidade. O disco serve como um apelo à audiência que, em uníssono com as artistas, vive tempos tempestuosos. A crítica é evidente.

O segundo disco poderia ter tardado mais a chegar — mas teria sido um desperdício de tempo. Seguindo na esteira do sucesso de About U a decisão mais consciente foi se entregar ao novo material do projeto logo os compromissos com a divulgação de disco anterior abrandassem. O que resultou em segundo álbum, com outras 12 músicas inéditas. Quatro das quais trabalhadas com singles antes do lançamento em setembro.

Talvez Saves The World não nos traga hinos como About U nos trouxe, o que é caso de “I Know A Place”, “Loudspeaker” e “So Special”, canções que podem ser tornar atemporais e marcas de uma geração que desperta para sonoridades diferentes na segunda década dos anos 2000. No entanto a mensagem proposta pelas três segue na mesma linha, tão boa quanto o disco anterior.

OUÇA: “Stayaway”, “Who” e “Number One Fan”

Benjamin Francis Leftwich – Gratitude



A aproximação do eletrônico com o folk sempre rende resultados encantadores. Gratitude de Benjamin Francis Leftwich é um exemplo perfeito dessa dinâmica e um álbum profundo em conteúdo, ao mesmo tempo.

Leftwich é um inglês que, com o novo álbum, conta com três discos na carreira. O primeiro, Last Smoke Before The Snowstorm é de 2011. O segundo veio em 2016, o After The Rain. Ele também tem três extended plays (EPs) na discografia: A Million Miles Out, Pictures e In The Open.

O lançamento mais recente traz a voz distintiva do cantor e compositor entoando 12 músicas inéditas que são reflexos de uma jornada pessoal. De forma geral este é um disco que acrescenta novos elementos ao trabalho de Leftwich ao mesmo tempo em que é uma evolução natural de sua música. É perfeito para quem gosta de ouvir Father John Misty, James Vincent McMorrow, Sufjan Stevens, Ben Howard ou Roo Panes – estes três últimos em especial.

As composições são reflexos de momentos tempestuosos que o artista viveu durante os três antes que antecederam o lançamento do novo registro e a divulgação do, até então, último trabalho. Gratitude vem de sua recuperação de problemas com álcool e aborda temas como introspecção e conforto.

É um álbum mais maduro e mais sério, certamente mais emocional, também, do que os registros antecessores. A musicalidade de sua voz, no entanto, é mantida e não há nenhum distanciamento daquilo que Leftwich já foi musicalmente falando – mesmo que existam rupturas entre o seu eu de hoje e o de antes.

Gratitude é um álbum contemplativo. Toda discografia de Benjamin Francis Leftwich o é. Este álbum, em particular, merece atenção pelo fato de ser pessoal e narrar de uma maneira muito bonita a forma como um homem pode se relacionar com suas próprias questões.

OUÇA: “Look Ma!”, “Tell Me You Started To Pray” e “Blue Dress”

Betty Who – Betty




A carreira de Jéssica Anne Newmann, conhecida como Betty Who artisticamente, inicia em 2012, por meio de um single liberado para download independentemente. Era “Somebody Loves You”, que muito rápido alcançou sucesso na internet, em especial em Youtube.

Certamente você já ouviu alguma coisa da Betty Who, já que a artista é figurinha carimbada em playlists em serviços de streaming. Com um estilo inconfundível, que mescla fortes referências aos anos 1980 com synth e dance pop, Betty canta, muitas vezes, sobre sentimentos agridoces com upbeats.

Em 2013 foi lançado o primeiro extended play (EP) de sua carreira, The Movement. Em 2014 surge o primeiro álbum, Take Me When You Go, depois do lançamento de um segundo EP, Slow Dancing. Ambos foram muito bem recebidos pela crítica e audiência.

Neste meio tempo, a partir dos primeiros lançamentos, a aclamação pelo estilo retrô de suas canções, com forte apelo oitentista, rendeu convites para participações na TV, em turnês – de Katy Perry e de Kylie Minogue – na Austrália e estreias significativas nas paradas internacionais.

The Valley, o segundo disco, foi lançado em 2017. Apresenta canções com mais elementos eletrônicos, letras mais maduras e não abandona as referências aos anos 1980.

O fato que é Betty Who nunca abandonou a fonte oitentista onde embebe suas canções. E isso é presente no lançamento mais recente, o Betty, de 2019. Este é um registro que, dentre todos, é o que mais de distância de Take Me When You Go – o debut. Por isso é necessário fazer um breve retrospecto da carreira pra entender o que disco mais recente propõe.

Em Betty Jessica Anne canta, mais uma vez, sobre situações que vive, como em “Marry Me”, e aproxima sua música de um contexto mais comercial e radiofônico. Não soa mal. Na verdade, o resgate em que ela aposta soa muito bem em faz sentido ouvir sua música alinhada com as características daquilo que faz sucesso atualmente, sem deixar de lado a personalidade musical de Betty. Mesmo as músicas mais diferentes do álbum, o caso de “Taste”, por exemplo, conservam elementos particulares de suas canções – como os agudos, refrão fácil e eletro.

OUÇA: “Just Thought You Should Know”, “Between You & Me” e “Ignore Me”

Clean Bandit – What Is Love?


Composto por Grace Chatto, Jack Patterson e Luke Patterson, Clean Bandit é um dos maiores projetos musicais da atualidade. Com diversas canções próximas dos 500 milhões de execuções apenas no Spotify (alguns já ultrapassaram e outras estão pertinho), o trio torna pop, comercial e radiofônico tudo aquilo no que toca.

O segundo álbum de estúdio, What Is Love?, chega quatro anos depois do debut, New Eyes, lançado em 2014. Neste novo material, aclamado nas pistas de dança e rádios de todo o mundo, Clean Bandit apresenta canções inéditas e muitas das quais já foram trabalhadas ostensivamente como singles entre 2017 e 2018.

A sonoridade entregue em What Is Love? é alinhada com o que, musicalmente, o mundo tem consumido nesta segunda metade dos anos 2010: a presença de vocais poderosos, batidas tropical house e instrumental sinfônico (piano e violoncelo, em especial), compõem a mistura perfeita para o êxito do trio.

Permeado por colaborações consistentes de figuras em ascensão na cena pop, o novo disco apresenta a banda em arranjos ainda mais pop do que os anteriores. O sucesso nos streamings, por exemplo, vem de algumas das canções do novo material – que traz músicas como “Baby”, com os vocais de Marina and the Diamonds e Luis Fonsi; “Rockabye”, que conta com a participação de Sean Paul e Anne-Marie; “Symphony”, que apresenta vocais de Zara Larsson; “Solo”, com os Demi Lovato, “I Miss You”, com Julia Michels e “Tears”, com Louisa Johnson.

Os destaques para as colaborações certamente incrementam os números do grupo, ao tornarem as canções significativas para diferentes tipos de público – o que foi feito com a fatia latina do mundo com a recente “Baby’, ao trazer Fonsi entoando versos em espanhol ao lado da parceira (improvável) Marina Diamandis. É indiscutível a intenção de alcançar, também, a parcela mundial amante de reggaetown, neste caso em específico.

“Symphony”, “Solo”, “Rockabye” são exemplos de canções que podem já ser tidas como certas na relação de grandes músicas da década. Nestes casos a receita musical sugerida acima é notável, bem como melodias fáceis e letras que grudam. Se a gente soma tudo isso tem a receita do sucesso.

Se traçada uma comparação com New Eyes (2014), que traz dois grandes êxitos em parceria com Jess Glynne, “Real Love” e “Rather Be”, o novo disco vai ainda além em sonoridade e se mostra mais conciso e menos experimental., muito embora o registro anterior seja legítimo e, a exemplo do mais recente, também um grande álbum.

OUÇA: “Baby” e “Tears”

How to Dress Well – The Anteroom


The Anteroom é o nome da nova coletânea de Tom Krell, a pessoa por trás do projeto conhecido como How To Dress Well. No quinto disco do artista a presença de elementos experimentais está mais marcada do que nunca.

Distribuídas em mais de 60 minutos, são 16 novas canções que, em partes se assemelham ao material entregue em registros anteriores, como “Care”, o mais recente; e por outro lado apresentam uma face do artista totalmente experimental. Neste ponto, nenhuma novidade, visto que sua obra apresentava essa caminhada em direção ao experimentalismo desde os primeiros discos.

Não é novidade que, com o projeto, Krell gosta de adicionar synth frenéticos e batidas difusas aos seus vocais claros, límpidos e quase inseguros. Em The Anteroom é possível perceber a forma complexa como o cantor se relaciona com a sua própria obra por meio de elementos ainda mais cacofônicos e batidas que se perdem em meio ao ruído e à repetição.

Veja bem, não há nada de errado com isso – é a forma de apresentação de seu trabalho que, numa crescente, em relação aos discos anteriores, ruma para o experimental. Basta considerar o disco Care, de 2014, de faixas como as radiofônicas “Lost Youth/Lost You” e “Can’t You Tell” e novos registros, como “False Skull 7”, por exemplo, muito mais enigmático.

O lado synthpop do cantor não está perdido, muito embora neste novo registro ele se aproxime mais de arranjos que navegam pelo lo-fi e, inclusive, tenha produzido faixas totalmente instrumentais. Muitas vezes a voz, é uma leitura que pode ser feita, nem é o recurso principal da canção – muito embora esteja ali para nos lembrar que Krell sussurra calmamente em meio ao instrumental delicado que pode ser pesado ou não.

OUÇA: “Bodyfat”, “Hunger” e “The Anteroom”

Phosphorescent – Ces’t La Vie


Ces’t La Vie é um trabalho impecável, resultado de mais uma entrega do Matthew Houck. É o primeiro álbum inédito em meia década, e o novo na sequência de trabalhos do artista.

A voz distantemente melódica e as batidas intimistas, somadas ao tom melancólico do artista criam um ambiente, ao qual Houck nos remete enquanto canta sobre a paternidade e mudanças neste novo registro. É preciso evocar um estado de espírito para entender Phosphorescent e realmente mergulhar na atmosfera criada em seu trabalho – com menos guitarras e elementos eletrônicos, talvez, mas muito semelhante ao que a banda Kings Of Leon fez em álbuns como WALLS e, especialmente, Mechanical Bull.

O rock alternativo que o artista propõe se mistura com o folk e composições que se tornam lamentos contemplativos muito fáceis de compreender.

Em atividade desde 2001, a carreira produtiva Houck de até então estava de molho desde o último álbum de estúdio, Muchacho, de 2013. Em 2015 houve um lançamento de um disco ao vivo, o Live at the Music Hall, com 19 canções interpretadas em shows no Music Hall of Williamsburg, no Brooklyn.

“New Birth In New England” é o registro mais upbeat do álbum. São 9 músicas, distribuídas em 46 minutos. O álbum é aberto com “Black Moon/Silver Waves” e encerra com “Black Waves/Silver Moon”.

OUÇA: “These Rocks”, “Christmas Down Under” e “There From Here”.

Christine and The Queens – Chris


Christine é Heloïse Letissier. The Queens são as performers drag queens que a acompanharam no início da carreira, como vocal, prestando apoio nos primeiros shows. É, em parte, nesta vida e universo que a artista desenvolveu o seu trabalho e construiu alter ego Christine.

Christine, quando canta, transita entre o freakpop – como ela mesmo descreve seu gênero -, o synthpop e o art pop.

E é neste pop reinventado que nos detemos quando falamos da música da francesa. Desenhado de forma elegante, ele é apresentado por Christine and the Queens em álbum novo, fresco, com 23 músicas – algumas das quais já eram conhecidas do público por meio de singles lançados previamente. É o caso de “Girlfriend (feat. Dâm-Funk)” e “Doesn’t Matter”.

Chris, o segundo disco da carreira, tem 1h32min de duração. Neste aspecto é um álbum opulento, e oferece espaço para que Letissier cante sobre diversos aspectos da sua. E para que dance também. Por trás do projeto Christine and the Queens, Heloïse estudou ballet por dez anos e já declarou que, se gosta de uma música, precisa dançar. É no movimento que ela parece encontrar razão para existir. O que a jovem propõe é som refinado, que mistura uma voz firme e segura, com versos cantados em francês e em inglês, acompanhados do instrumental tipicamente eletronizado de hoje em dia.

Tudo em Chris e na linha estética proposta por Christine – fotografia, videografia e coreografias -, é alinhado a um forte senso estético minimalista que se reflete nas próprias canções. É possível considerar o novo álbum como complementar ao trabalho desenvolvido no debut, Chaleur Humaine (2014). Foram quatro anos de amadurecimento e bons frutos, colhidos após o sucesso internacional do disco de apresentação de seu trabalho ao mundo.

Neste novo registro a artista dá passos ainda mais fortes do que aqueles do primeiro álbum, e sem hesitação. Christine é uma artista que consegue ser, ao mesmo tempo que coerente em todos os elementos de sua obra, segura, vivaz e suave.

OUÇA: “Doesn’t matter”, “5 Dollars” e “What’s-Her-Face”.

DeVotchKa – This Night Falls Over


DeVotchKa é uma banda enigmática. A começar pelo nome que, em russo, significa algo como “jovem garota”. Da russa, a banda só tem parte das referências musicais, no entanto. Na verdade, ela é uma mistura influências propostas por um quarteto de Colorado (EUA). Os integrantes são Nick Urata, Tom Hagerman, Janie Schroder e Shawn King.

O som intrigantemente confuso que o grupo entrega pode parecer urgente, cacofônico e bagunçado, mas surpreendentemente melódico ao mesmo tempo. É uma junção de instrumentos que parecem incoerentes com ritmos eslavos, música de cabaret e bolero, tudo conduzido com um vocal sofrido. O som dá certo, mesmo que estranhe.  

Quando se fala em DeVotchKa, se fala em quase vinte anos de música. A média de álbuns é modesta, também. São apenas (com o novo disco) cinco discos inéditos. Supermelodrama (2000) foi o de debut. A ele se seguiram Una Volta (2003), How It Ends (2004) e A Mad And A Faithful Telling (2008). Este último com relativo destaque na parada de álbuns independentes da Billboard. Em 2011, o grupo lançou o disco 100 Lovers. De 2006 é o extended play (EP) Course Your Little Heart.

Além destes trabalhos, o grupo é conhecido por trilhas sonoras. São duas. A do filme Little Miss Sunshine (2006), do compositor Michael Dana teve inspiração no disco How It Ends e resultou no lançamento de um trabalho homônimo posterior dedicado ao filme pela banda. DeVotchKa também responsável pelo soundtrack de I Love You, Philip Morris (2009).

O novo material é rico. Foi lançado em agosto. Melodicamente é mais organizado do que os registros anteriores e percebe-se que, se antes o abuso de referências era uma crítica possível de ser feita, dessa vez, não há, muito embora o som característico da banda esteja ali, na essência.

A melancolia presente no trabalho mais recente até então, 100 Lovers, não é abandonada. É apresentada de outra forma, mais graciosa, em This Night Falls Over. É um álbum mais cantado, bastante coerente nas composições e impecável em termos de arranjo. Tudo parece cumprir seu papel. As 10 músicas inéditas deste novo material funcionam como uma evolução do trabalho do DeVotchKa até aqui.  

OUÇA: “Love Letters”, “Lose You In The Crowd” e “Donse With Those Days”

Wet – Still Run


Com frequência o indietronica surpreende quando projetos como o Wet aparecem. A voz delicada da vocalista, Kelly Zutrau surpreende a audiência pela precisão e controle. Na estrada desde 2012, recentemente o grupo lançou seu segundo registro de estúdio, o álbum Still Run. O disco segue o Don’t You, de 2016 – de onde conhecemos a canção “Don’t Wanna Be Your Girl”.

Em 2018 Wet ressurge com os vocais de Kelly Zutrau e a produção de Joe Valle, depois da despedida de Marty Sulkow, das guitarras, no ano passado. É mais evidente o controle vocal de Zutrau neste novo lançamento, em meio ao fundo eletronicamente etéreo que a dupla propõe. Ela assume o papel de lead band daquilo que, na prática, se transforma em um duo com a saída de Sulkow.

A maior parte das composições é de autoria da própria Zutrau, algumas em coautoria com Velle. A produção das canções, por outro lado, é miscigenada e repleta de nomes conhecidos na cena independente: Rostam Batmanglij (HAIM, Solange) e John Hill (Portugal. The Man, Florence And The Machine), por exemplo.

Still Run traz dez novas canções em um daqueles discos melódicos que servem bem pra contemplar as coisas ao redor e pensar sobre relacionamentos e a vida. Recebido pela crítica como um registro mais maduro e coerente em relação ao disco de 2016, o álbum demonstra de uma forma diferente a confiança vocal da lead singer. Há até espaço para o upbeat, mesmo que tímido, presente na canção “You’re Not Wrong” – mesmo que a banda seja conhecida pelas batidas e letras mais introspectivas.

OUÇA: “There’s A Reason”, “Lately” e “Softens”

Roo Panes – Quiet Man


O folk é um gênero musical de fácil consumo. Por ser fácil, é comum encontrar uma gama ampla de gente fazendo música que se qualifica como folk – alguns nomes consolidados, milhares deles iniciantes. Neste contexto rico, ganha espaço quem apresenta algo novo: um trabalho diferente, riqueza melódica ou um timbre muito particular.

Reunindo os atributos que o qualificam como uma voz potente – que transita com facilidade entre os tons altos e os baixos – o inglês (Andrew) “Roo” Panes, recentemente, entregou à audiência mais álbum de inéditas.

É o terceiro disco da carreira, que iniciou em 2012. São 11 músicas neste álbum. O material novo foi precedido por Paperweights (2016) e Little Giants (2014). Antes dos álbuns, no entanto, três extendend plays, dois de 2012, e um de 2013 foram os responsáveis por introduzir o trabalho do cantor: Land Of The Living, Weight Of Your World e Once. A partir de 2012, quando começou a ganhar projeção em Reino Unido, surgiram convites, inclusive, para trabalhos fora da música – como modelo. Roo Panes tem 30 anos e uma família que ligação com a música, sua mãe era pianista.

O novo álbum, Quiet Man, ao contrário do que o nome indica, é um disco que vem de uma voz com potencial estrondoso e, mesmo tempo, um conjunto de faixas muito singelas.

Roo Panes é responsável por entregar uma álbum doce e prazeroso de se ouvir. É um trabalho que pode ser comparado ao melhor de Matt Corby e Ben Howard e, certamente enquadrado, também, no melhor do gênero. A audição é fácil e a melodia leve do trabalho do artista torna a escuta do registro uma jornada lírica pacífica e reflexiva.

Panes declara que a vida é a sua inspiração para escrever músicas. Todas as suas canções são autorais. Conforme entrevistas concedidas, ao longo da carreira, é notável a delicadeza das composições e a pessoalidade dos seus pensamentos e composições, todos elementos tangíveis em Quiet Man.

OUÇA: “A Message To Myself”, “My Sweet Refugee” e “A Year In A Garden”.