Belle and Sebastian — Days Of The Bagnold Summer



Days Of The Bagnold Summer, o décimo disco de Belle and Sebastian, nasceu como a trilha-sonora de filme de comédia de mesmo nome — o que não é estranho, já que o grupo escocês constantemente marca presença nas escolhas musicais de filmes e seriados sobre adolescentes revoltados. Porém, se em Juno ou The O.C. a banda fora selecionada para fazer parte da trilha-sonora graças a ótimas canções com as quais o público já se identificava, aqui o esforço de inverter o processo resulta em algo familiar e um tanto quanto monótono, mesmo que agrade.

O grande trunfo do disco, algo que provavelmente se deve a seus status de trilha-sonora, é o trabalho instrumental. Os arranjos de Days Of The Bagnold Summer são elegantes e cinemáticos, conseguindo canalizar uma atmosfera melancólica típica dos filmes de adolescente com serenidade. É algo convencional e a banda não explora a fundo as possibilidades do casamento entre música e cinema, mas os instrumentos de orquestra dão a canções como “The Colour’s Gonna Run” um tom harmonioso que complementa o charme e Belle and Sebastian.

Porém, quando o álbum se aproxima do típico indie pop melódico do grupo — algo que acontece na maior parte das faixas —, é fácil ver que o trabalho final transita entre o lugar-comum. Falta sinceridade ou um senso de propósito, resultado em algo cliché que usa a sonoridade já estabelecida de Belle and Sebastian como uma muleta para atingir uma certa estética esperada. É difícil não se repetir quando se trata de uma banda com mais de dez discos de estúdio, mas Days Of The Bagnold Summer soa descartável entre a discografia de seus autores por não apresentar nada substancialmente novo.

Talvez seja por isso que a melhor canção do álbum seja “Safety Valve”, uma composição antiga de Stuart Murdoch que foi revivida e traz uma letra honesta e com um sentimentalismo genuíno e tocante. Essa canção consegue resgatar o ar de nostalgia e doçura típico de Belle and Sebastian sem soar como se a banda estivesse praticando algum tipo de autoplágio preguiçoso.

No geral, Days Of The Bagnold Summer é um disco que funciona e provavelmente deve ser efetivo enquanto trilha-sonora para a dramédia de Simon Bird, mas que funciona como um disco filler entre a longa discografia de Belle and Sebastian. Trata-se de uma coletânea de clichês pouco desenvolvidos, mas agrada o ouvido e traz algumas pérolas.

OUÇA: “Sister Buddha”, “The Colour’s Gonna Run” e “Safety Valve”

Devendra Banhart — Ma



Em Ma, seu mais recente álbum, o cantor Devendra Banhart mais uma vez revisita suas influências do folk e da música latina para criar um trabalho romântico e doce. Ao longo de treze canções, o texano tece um trabalho harmonioso e singelo, com referências espalhadas pelo mapa que resultam em um produto-final interessante, por mais que não consiga sempre escapar da repetição e de uma sonoridade que pode soar muito água-com-açúcar.

Ma é mais um exemplo do talento de Banhart como escritor e performer. Suas composições pulam do inglês para o espanhol, japonês e português com graça — às vezes, na mesma canção —, e esse encontro cultural é bem representado nos arranjos, que mesclam gravações lo-fi com um som tropical. Isso dá ao disco um ar casual e agradável, como algo que poderia ser a trilha-sonora de um luau ou de uma road-trip pela América do Sul.

A referência à música brasileira fica clara na deliciosa faixa “Carolina”, na qual Banhart até canta numa entonação semelhante à de Caetano Veloso. Há uma homenagem forte à MPB, que o cantor conhece muito bem, mas essa é filtrada através o prisma da música folk norte-americana, o que amarra o que ambos os gêneros têm em comum em uma sonoridade “de raíz” dotada de uma agradável familiaridade.

Além desse entendimento do que há de universal e semelhante em suas referências, Ma também é permeado pelo tom de romantismo que está presente em todas as canções do álbum. As composições relatam singelos casos e declarações de amor, um tema salientado pela forma doce que Banhart performa as canções. A figura materna e temas relacionados à infância também surgem em diversos momentos — como adiantado pelo título do álbum —, o que também explica o clima sonhador e tranquilo de Ma.

Essa escolha por uma atmosfera uniformemente nivelada pode fazer com que o disco soe repetitivo, com canções que podem ser intercambiáveis entre si, mas é algo que dá liga e coerência a Ma. Como um todo, trata-se de um álbum maduro e interessante, propondo misturas interculturais que são mais do que um adereço ou uma fantasia, mas um elemento essencial e integral para o DNA artístico de Devendra Banhart.

OUÇA: “Carolina”, “My Boyfriend’s In The Band” e “Kantori Ongaku”

The Regrettes — How Do You Love?



Já na introdução, uma declaração do poema “Are You In Love?”, já se pode saber que o segundo disco do grupo punk norte-americano The Regrettes, How Do You Love?, se trata de um trabalho divertido e cheio de energia. Ao longo de quinze faixas, o álbum embala um ritmo frenético e aborda questões românticas a partir de um ponto de vista juvenil.

O rock entusiasmado do The Regrettes remete a uma sonoridade retrô, e a união dessa musicalidade com canções que apontam “fazer uma playlist juntos” como a prova definitiva de amor é uma mistura que agrada e diverte. A guitarra elétrica parece perfeita para animar uma festa adolescente, uma atmosfera moderna que a lírica do grupo consegue imitar com exatidão. Canções como o single “I Dare You” são impossíveis de se ouvir sem, no mínimo, bater o pé no chão de acordo com a batida.

No entanto, em um disco que parece não ter tempo para descansar, o ritmo festivo pode soar bobo e repetitivo em momentos. Isso faz com que o disco pareça mais longo do que de fato é, com seus 44 minutos de duração. Além disso, as menções insistentes a esse universo colegial, como na faixa “Coloring Book” e “Dress Up”, criam um ar pretensioso com suas metáforas e throwbacks um tanto quanto óbvios.

How Do You Love? é um disco alegre que anda na corda-bamba entre a doçura e a ironia. Liricamente, lida com as complexidades da vida romântica nos anos 2010, e as escolhas sonoras remetentes aos anos 1960 oferecem uma contradição deliciosa de se ouvir. Por mais que o pique de batidas por minuto possa cansar o ouvido, é um trabalho cheio de personalidade.

OUÇA: “Pumpkin”, “I Dare You” e “California Friends”

Silversun Pickups – Widow’s Weed



Widow’s Weed, o quinto disco do Silversun Pickups, traz algumas novidades para aqueles que acompanham seus trabalhos anteriores, mas não apresenta o grupo americano em um de seus melhores momentos. Porém, mesmo pouco memorável e sem trazer algo do calibre da canção-assinatura “Panic Switch”, o álbum funciona e agrada.

O disco traz elementos já conhecidos pelos fãs da banda: a intensidade que parece herança do emocore, os vocais melancólicos de Brian Aubert e canções tristes. Como já é possível perceber no single “Freakazoid”, a sonoridade dessa vez está mais próxima do acústico, com menos sons eletrônicos do que de costume. Isso dá a Widow’s Weed um aspecto mais antigo e grunge, algo inusitado para uma banda que sempre soou moderna.

A escolha valoriza os a natureza melodramática da banda, como em “Straw Man” – um dos destaques do álbum com suas guitarras mais pesadas. No entanto, na maior parte das canções, isso despe o Silversun Pickups de sua maior força, que é o potencial catártico e angustiado de seu trabalho. Em seu novo trabalho, muito do que é apresentado soa parecido entre si, além de similar a outras bandas. É uma escolha genérica.

Assim, Widow’s Weed é um trabalho sólido e mostra um lado diferente do Silversun Pickups. No entanto, soa diversas vezes como um álbum filler, sem algo que o torne memorável e não deve ficar na memória dos fãs.

OUÇA: “Freakazoid”, “Straw Man” e “Bag Of Bones”

Bibio – Ribbons



Ribbons, novo disco de Bibio, é mais uma experiência prazerosa da doce melancolia que o músico britânico faz de melhor. Com uma ambientação introspectiva e fundamentada em violões e sons acústicos, o álbum deve agradar aos fãs de canções como “Jealous Of Roses” e “Haikuesque (When She Laughs)”.

O que diferiu Bibio em toda sua carreira de outros artistas similares sempre foi sua dedicação em fazer com que a atmosfera construída reflita um sentimento profundo e quase entorpecedor, seja em um formato mais acústico ou experimentando com elementos da música eletrônica. Aqui, Ribbons é um trabalho comovente, singelo, de pura e genuína emoção que dialoga intimamente com o ouvinte através de uma paisagem sonora sustentada por um formidável instrumental, já que as líricas e vocais aparecem muito pouco.

Um grande ponto forte de Ribbons é o quão fácil é ouvir o disco. Com canções tranquilas, o compilado provoca uma agradável sensação de conforto com instrumentos suaves e uma masterização levemente ruidosa e lo-fi, que confere ao álbum uma sonoridade quase caseira. O tom de melancolia atingido aqui não traz uma carga pesada, que dificulta uma experiência mais casual, mas é abordada com leveza.

Há uma coesão admirável na produção de Bibio. Todas as 16 faixas fluem perfeitamente entre si, fazendo com que os mais de 50 minutos de duração passem muito mais rápido do que o imaginado. Poucas canções de fato se destacam, mas o conjunto da obra é convidativo para que o ouvinte escute o álbum completo do início ao fim.

O ponto alto, no entanto, é “Curls”, o primeiro single. A faixa, uma balada folk movida pelo banjo com alguns flertes com o sintetizador, resume a estética intimista do álbum. A dedicação à delicadeza aparece até mesmo em canções mais animadas como “Old Graffiti”, que adapta a sonoridade do jazz e funk para a proposta de disco.

Ribbons é um álbum muito bem-elaborado, honesto em sua roupagem e imersivo. Além disso, é um trabalho incrivelmente sensível, com melodias sutis e agradável de se ouvir.

OUÇA: “Curls”, “Old Graffiti” e “Pretty Ribbons And Lovely Flowers”

Deerhunter – Why Hasn’t Everything Already Disappeared?


Why Hasn’t Everything Already Disappeared?, novo álbum do grupo Deerhunter, é uma ótima demonstração de como construir a atmosfera doce e melancólica que diversas bandas indies almejam sem soar pedestre ou repetitivo. Com dez canções e tocando por menos de 40 minutos no total, o disco é consistente ao criar melodias evocativas e agradáveis ao ouvido.

O Deerhunter consegue fluir entre climas mais grandiosos (como em “Détournement” e seus imponentes sintetizadores) e canções mais mais modestas (como a introdutória “Death In Midsummer”) graças a uma sensibilidade nos arranjos que confere ao disco uma sonoridade idílica e meditativa. O álbum como um todo tem uma inegável beleza que parece sempre flertar com a tristeza.

As composições de Bradford Cox são inteligentes ao ligar com uma variada gama de tópicos como o pessimismo a um cenário político extremista ou o lado tóxico da nostalgia, mas sempre usando uma abordagem coerente à natureza do disco ao elaborar composições crípticas e simbólicas. Por diversas vezes, pode não ficar claro ao ouvinte sobre o que as canções de Why Hasn’t Everything Already Disappeared? se tratam, mas a performance do grupo não deixa dúvida de qual sentimento eles buscam retratar.

Todos esses acertos na concepção do álbum se sintetizam na escolha perfeita para encerrá-lo com “Nocturne”, uma faixa sensacional que faz jus a sua duração de mais de seis minutos. A canção é uma viagem de beleza distorcida, usando efeitos para fazer a voz do vocalista soar como uma fita K-7 antiga: um toque que simboliza a preocupação do Deerhunter em entregar intimismo dentro de seu estilo lírico.

OUÇA: “Nocturne”, “Futurism” e “Détournement”

Muse – Simulation Theory


No início da década, houve uma febre que tomou conta da indústria do entretenimento: as sagas de distopia para o público infanto-juvenil. Essa moda teve um impacto óbvio no mercado do cinema, mas acho que não falamos o suficiente de como isso também influenciou a indústria musical. Ora, é graças à trilha-sonora de filmes como Jogos Vorazes e seus wannabes, recheados de canções com refrões fortes, batidas pesadas e mensagens de resistência e resiliência que o público foi presenteado com o grupo Imagine Dragons (que desde seu debut vem tentando recriar o fenômeno de “Radioactive”).

A composição por encomenda de singles com letras perfeitas para uma legenda de foto no Instagram vendeu a milhares de adolescentes nos últimos anos a ideia de que sua rebelião (ou seja lá o que esses livros-filmes ensinam) é algo tão genuíno quanto uma canção de três minutos de electro-rock, e levou consigo para o túmulo a carreira de alguns artistas até então respeitáveis. Pelo que se viu nos últimos trabalhados, e ilustrado perfeitamente em Simulation Theory, o Muse talvez seja a principal vítima dessa febre.

Em suas onze faixas, o novo disco da banda inglesa soa como uma série de canções idênticas feitas para esse subgênero cinematográfico – que, por sua vez, já não dá lucro para os grandes estúdios. Mas como toda imagem do Muse nessa década já se baseia na sonoridade pastiche e plastificada de uma pseudo-rebelião falida, o grupo pareceu achar sensato abraçar de vez essa estética manufaturada para parecer subversiva.

Simulation Theory é um disco que frustra por se contentar com o raso. Com títulos risíveis como “Algorithm”, “Propaganda”, “The Void” e “The Dark Side” (para citar as mais célebres), a sensação é de que os compositores escolheram nomes que mais soam como literatura sci-fi para conferir uma sofisticação e inteligência ao trabalho que a composição é incapaz de alcançar. As letras são genéricas, repetindo temas e motivos batidos do gênero distópico que só soam contemporâneos porque o grupo bate suas óbvias metáforas na cabeça dos ouvintes como se fosse um martelo.

O tema principal do álbum é uma narrativa de bem vs mal, com direito a vilões cartunescos e críticas sociais dignas da mente de um adolescente. O pior de tudo é que a própria banda parece acreditar que estão produzindo algo com muito conteúdo, ao invés de apenas reformular o que tem feito desde The Resistance, há nove anos. Cientes de que canções como “Uprising”, “Undisclosed Desires” e “Resistance” possuem um grande apelo até hoje, o Muse parece estar concentrado demais tentando reviver esses momentos ao invés de injetar vida e criatividade a seus novos trabalhos.

Há muito pouco em Simulation Theory que soe genuíno, ao invés de um produto manufaturado pelo próprio sistema contra o qual a banda jura se rebelar. Não é a toa que até mesmo no visual da capa do disco eles parecem adotar de vez a estética de videogame. O oitavo disco do Muse é apenas pose, uma tentativa de criar refrões que serão cantados em arenas e tocarão nos créditos finais de alguma ficção pós-apocalíptica plastificada. Antes mesmo que o disco finalmente acaba, o único desejo que o ouvinte pode ter é que o mundo finalmente acabe.

OUÇA: “Uprising”, “Undisclosed Desires” e “Resistance”… Opa, disco errado. “The Dark Side” é a única canção ligeiramente interessante do álbum.

Tom Odell – Jubilee Road


Jubilee Road, novo disco do britânico Tom Odell, é mais uma boa adição à nova onda do britpop. Aprimorando sua tendência ao tipo de baladas pop sentimentais que levou seu mentor Elton John à fama, o cantor marca seu espaço como uma voz distinta entre seus contemporâneos.

Porém, se lhe falta a ousadia e a presença de Elton John que tornaram baladas como “Tiny Dancer” em fenômenos românticos de escala global, Odell tenta compensar com composições honestas e, por isso, emotivas. O disco soa incrivelmente intimista e as composições se dedicam a temas da vida cotidiana, o que faz com que o trabalho de Odell pareça familiar de uma maneira positiva. Ao optar por essa abordagem simples e despida, é possível apreciar o maior trunfo do cantor: sua poderosa potência vocal.

As faixas são, em sua maioria, alegres e agradáveis de ouvir, mesmo que não seja uma alegria contagiante (como o conterrâneo George Ezra faz em “Shotgun”). Mesmo nos minutos mais tristes, Odell parece não conseguir abraçar totalmente a melancolia que algumas das canções exigem. Pode ser frustrante ver  que emoções mais intensas são evitadas a todo custo. O momento em que Tom chega mais perto da explosão sentimental que se espera de seu tipo de canção voz-e-piano é na excelente “If You Wanna Love Somebody”.

Além disso, as dez faixas são longas demais. Todas têm um pouco mais ou um pouco menos do que quatro minutos – com exceção da faixa de abertura, que aperta o relógio com injustificáveis 5 minutos. Como são composições simples que se sustentam basicamente pela voz de Odell, essa duração faz com que ouvir o disco seja cansativo.

Jubilee Road é um bom disco. Se compromete ao revival do sentimentalismo britânico e não há uma canção que possa ser classificada como entediante, chata ou ruim: há uma consistência admirável. Odell precisa, no entanto, se entregar de forma mais aberta a esse sentimento que aparenta ser a força-motriz de suas composições.

OUÇA: “If You Wanna Love Somebody”, “You’re Gonna Break My Heart” e “Queen Of Diamonds”

Tokyo Police Club – TPC


Após um quase possível término nos últimos anos, os canadenses do Tokyo Police Club estão de volta com TPC, seu quinto álbum. O resultado é um trabalho que não parece ter nada novo para dizer, mas diverte com algumas canções enérgicas.

TPC é um disco extremamente familiar para aqueles que ouviram qualquer disco do indie rock do início dos anos 2000. Ver o quão não-contemporâneo o álbum soa é um surpreendente lembrete de que quase 15 anos já se passaram desde 2005 – ano no qual a banda parece ter produzido seu novo trabalho.

Essa qualidade de “cápsula do tempo” funciona em determinados momentos, porque o Tokyo Police Club é muito feliz em recriar o momento de ironia juvenil que tornou esse gênero um fenômeno. A canção “Ready To Win”, por exemplo, consegue ilustrar como uma melodia e arranjos simples do rock de garagem eram frequentemente elevados por uma letra que parecia saída de um diário.

Em seus melhores minutos, TPC é um revival de uma época em que essa geração de bandas ainda era pequena. Com poucas pretensões, canções como “Can’t Stay Here” e “New Blues” são cativantes em sua simplicidade e muito lembram a finada trilha-sonora de The OC.

Em seus piores momentos – que infelizmente são a maioria -, o disco soa incrivelmente datado e muito pouco justificado. É difícil pensar o que este apanhado de 12 faixas têm para dizer que já não foi dito à exaustão. As canções são repetitivas, o que faz o álbum parecer muito mais longo do que de fato é.

OUÇA: “Ready To Win”, “Can’t Stay Here” e “New Blues”

Paul McCartney – Egypt Station


Egypt Station, novo disco do sir Paul McCartney (estamos em 2018, apresentações já são desnecessárias), é uma adição divertida e inofensiva ao vasto legado do britânico. Para o bem ou para o mal, trata-se de um trabalho que não se leva muito a sério e busca abraçar sons mais leves.

Essa tentativa de permanecer em dia com sua juventude traz em sua maioria resultados positivos, já que o produto final é um disco muito fácil de se ouvir, que não apresenta muitos desafios. Há até um pouco de experimentação na já famosa “Back In Brazil”, que brinca com sopros e um ritmo mais latino (pense em Carmem Miranda e na bossa-nova). Alguns resultados são um tanto quanto… esquisitos (como o single “Fuh You” e sua infame letra), mas no grande-esquema, Egypt Station traz uma experiência positiva.

Canções como “Ceasar Rock” e “Happy With You” ditam o tom descontraído e cheio de energia do disco, e devem agradar os ouvidos dos fãs mais jovens, acostumados com nomes novos do britpop como George Ezra e James Bay. Não há nada de muito ousado nessas canções, mas são animadas e agradáveis o suficiente para justificar um binge-listening.

O que pode tornar Egypt Station uma experiência cansativa para alguns é o tamanho muito grande do disco. É difícil justificar a presença de nada mais, nada menos do que 16 faixas (duas são interlúdios) quando as composições não são únicas o suficiente. As duas últimas canções (“Despite Repeated Warnings” e “Hunt You Down/Naked/C-Link”) são longas demais, e outras como “People Want Peace” e “Hand In Hand” simplesmente não causam impressão alguma.

OUÇA: “Back In Brazil”, “Ceasar Rock” e “I Don’t Know”.