The Ting Tings – The Black Light


Dez anos. Esse é, de maneira rústica, o intervalo de tempo entre o primeiro álbum e esse quarto, o The Black Light, na carreira dos britânicos do Ting Tings. “Shut Up And Let Me Go” e “That’s Not My Name” aparte, é possível traçar um panorama interessante dentro desse grande espaço de tempo: de onde a dupla partiu e até aonde a dupla está agora. E, além disso, de que o maior instrumento da carreira do duo acaba sendo o tempo e como ele molda os interesses deles.

Nesse quarto disco a dupla abusa muito mais de elementos industriais que permearam um pouco os álbuns anteriores – se observarmos o single solto “Hands” antecessor ao segundo álbum conseguimos enxergar bem essa construção – e consegue deixar esse ritmo eletrônico mais cru e emergencial de uma maneira interessante para ser trabalhado dentro de uma banda tipificada dentro do grande gênero indie. Jules e Katie ainda abusam de elementos da grande ressurgência da cena techno, criando uma amalgama eletrônica com elementos de guitarra dentro de seu novo estilo – um indie pop electro industrial bem bolado.

The Black Light demorou quatro anos para aparecer desde Super Critical, mesmo intervalo de tempo entre o primeiro e o segundo álbuns, e essa pausa se pareceu muito necessária para eles. Esse quarto álbum parece servir como momento de autocrítica, de aceitar que sua identidade e criatividade do primeiro álbum foram essenciais para aquele instante, mas não estão mais alinhadas com os interesses da banda atualmente – o tempo, o grande instrumento.

Dentro desse panorama, The Black Light parece ser o primeiro álbum verdadeiramente do The Ting Tings desde o primeiro disco, aonde eles mostram de maneira muito mais fluida e fácil quais são os interesses deles atualmente. Essa falta de identidade fez a dupla sofrer muito e parecer uma reconstrução bizarra do sucesso do seu primeiro disco nos álbuns anteriores. Esse quarto álbum vem como uma construção de um novo modelo para a banda e, esperamos, que apareça como uma vontade de aprimoramentos e maior consciência nas composições dos próximos álbuns.

No fim das contas, o Ting Tings parece ter se reinventado dentro do seu mesmo jogo mais uma vez. Eu particularmente acho que a discografia da dupla tem seus momentos de luz e que possuí músicas geniais dentro das singularidades de seus álbuns – “Day To Day” e “Wrong Club”, por exemplo – mas The Black Light é, talvez, o álbum mais interessante desde o seu primeiro e grande sucesso. Apesar dos pesares, é bonito ver que a dupla continua na ativa e continua entregando música bem pensada para nos alimentar, mesmo que ainda vivam, em 2018, sob a sombra do seu sucesso de primeira viagem lá em 2008.

OUÇA: “A & E” e “Blacklight”

Miles Kane – Coup De Grace


O doce menino inglês, que já não é tão mais menino assim, chega ao auge de seus 32 anos lançando o seu terceiro disco em carreira solo. Coup De Grace mostra um retorno necessário ao britpop e ao começo da carreira solo do cantor quando ele tinha só 25 anos. A energia do álbum, que se apoia em guitarras certeiras, solos impressionantes e uma inteligência para compor músicas de fácil digestão, é surpreendentemente contagiante e mostra que a juventude pode começar a não aparecer mais nos números, mas, sim, volta a aparecer com todo o gás em sua música.

Miles Kane retorna depois de cinco longos anos com Coup De Grace, que aparece depois de dois álbuns bastante sem-graça: o seu próprio segundo registro solo, lá de 2013; e o último do The Last Shadow Puppets, lançado em 2016. Felizmente, esse disco consegue resgatar muito bem e com bastante sucesso o Kane que conseguiu segurar uma boa parcela de seu público fiel depois de fazer uma dobradinha de lançamentos no final da década passada. Logo após o estrondoso sucesso da sua parceria com Alex Turner, Miles não foi bobo e aproveitou para lançar o seu primeiro registro de estúdio, chamando bastante atenção para seu rock clássico, pitoresco e sua voz interessante, que agora era a única protagonista.

Aqui em Coup De Grace, ao contrário do álbum anterior, Kane mantém uma pose mais séria, mais bem acertada e mostra para o que veio; consegue não fugir muito do clássico do seu estilo (mostrado com gosto em Colour Of The Trap, 2011) e do clássico do rock inglês: dá um toque de memória àquelas músicas antigas do The Who, do Beatles, do The Animals e até mesmo dos Stones, fazendo poucas firulas e tocando muita guitarra em cima de tudo isso. O rapaz aposta também em solos de guitarra, que são muito raros hoje em dia, e repetições de palavras-chave, para fazer valer sua quase-gritaria, em músicas como a própria faixa-título e a acelerada “Silverscreen”.

É bonito ver que o Miles Kane está trilhando sua carreira de maneira a ser o herdeiro do trono da Inglaterra quando se fala de música, no futuro. Sua carreira solo depois do The Rascals e acompanhada de perto pelo The Last Shadow Puppets, seu projeto mais conhecido e em parceria com o Alex Turner, guina de uma maneira interessante nesse terceiro álbum, marcando o rapaz como um dos nomes mais interessantes da cena local que ainda sobrevive do britpop e do clássico indie rock.

Coup De Grace faz justiça ao seu nome, é uma ótima adição à discografia do britânico e mostra uma recarga interessante das baterias da carreira do músico, que volta de um poço que parecia quase sem fundo. A rapidez das guitarras nas horas certas, momentos para palminha e batidinhas do pé no ritmo, além de uma calmaria em horas necessárias, mostram a inteligência e a maestria de Miles Kane em fazer música. Agora boa e de qualidade.

OUÇA: “Too Little Too Late”, “Cold Light Of The Day” e “Something To Rely On”

Florence and The Machine – High As Hope


Depois do insosso e quase furioso How Big How Blue How Beautiful de 2015, Florence Welch retorna, quase como uma surpresa e sem muito alarde, com seu quarto disco de estúdio agora em 2018. High As Hope apareceu repentinamente, sem muito furdunço e sem muitas promessas a serem cumpridas depois do balde de água fria que foi o disco anterior. De qualquer maneira, mesmo sem expectativas e, ainda pior, com o curto intervalo de tempo entre o anúncio oficial e o lançamento, a internet sempre vai à polvorosa quando um álbum da cantora é anunciado – a esperança vai lá pro alto. Não foi diferente com High As Hope.

Não tem como não admitir e não perceber que High As Hope é um álbum cheio de infinitos muito particulares. Esse disco é o qual a Florence mais se separa e distancia de sua Machine, projetando muito de seus desejos e, dessa vez, escancarando muito suas angústias e frustrações. Ela é o centro das atenções, mas sem soar egocêntrica, e não parece se envergonhar disso, soltando-se de uma maneira exemplar. Welch sempre teve um pezinho no quase gospel, com uma voz poderosa fazendo uma presença muito forte em tudo. Dentro desse panorama, High As Hope parece entrar ainda mais nesse mérito, aonde a voz de Florence é, praticamente, o único instrumento necessário para fazer uma música.

Esse quarto disco é muito límpido, muito cristalino e sem muitas camadas e nuances como os outros anteriores – talvez “Hunger” seja a única exceção aqui – e esse é mais um dos motivos pelo qual High As Hope parece bem distante do resto da discografia – um disco muito pessoal e muito intimista e com uma única premissa: colocar a voz de Welch no maior pedestal possível dentro de tudo isso. Num rápido panorama e pente fino pelos discos já lançados, High As Hope parece ser o disco mais sereno e centrado dela. E isso soa como um leve sopro de que podemos ter toda a grandiosidade da Florence retornando muito em breve. O disco tem seus momentos, mas ainda é muito morno e sem muitos instantes memoráveis. A coesão da obra é incrível, mas ainda assim o produto final parece ter algo inexplicavelmente faltando quando se trata de Florence and The Machine.

Em resumo, High As Hope é um leve escombro do que foram os primeiros álbuns, mas é um enorme avanço e sopro de esperança de bons caminhos a serem trilhados daqui pra frente. O disco ressuscita um pouco da sonoridade da voz poderosa da britânica, esquecida e escondida na densidade de camadas de How Big How Blue How Beautiful, dando uma boa renovada para toda sua potência. São em faixas simples como “The End Of Love” que relembramos todo o brilhantismo da cantora, por exemplo, mas ao mesmo tempo temos faixas muito estranhas como “Big God” aonde ela não parece se enclausurar de uma maneira quase claustrofóbica, ou chatinhas como “Grace”, com sua abertura exagerada para o religioso.

Eu sempre fui muito crítico com a Florence porque sei que ela sempre pode mais do que entrega – temos exemplos disso de sobra. High As Hope pode não ser tão grandioso como Lungs ou até mesmo Ceremonials, mas acaba dando uma ponta de esperança de que Florence está voltando para o caminho mais certo para ela: dando mais local para sua voz e centrando mais em uma coisa mais íntima, serena; e menos popular  e mastigada de uma maneira estranha. High As Hope é muito mais facilmente digerido e apresenta uma coesão mais interessante, funcionando muito melhor como disco do que seu antecessor, mas ainda assim precisa melhorar em alguns pontos para que seja um disco genuinamente da Florence, mostrando melhor ainda o seu potencial do que mostra.

OUÇA: “Hunger”, “Patricia” e “100 Years”

Courtney Barnett – Tell Me How You Really Feel


É meio estranho começar falando numa resenha sobre um álbum da Courtney Barnett de como ela amadureceu. Ela nunca fez a pose de garotinha talentosa (até porque tem seus bem trinta anos), mas pra quem acompanha a carreira da moça desde que ela era uma senhora-ninguém nos confins da Austrália e fazia shows para 10 pessoas em cidades minúsculas da Inglaterra e que agora vê uma Courtney Barnett, não muito tempo depois, num segundo álbum concreto, depois de colher inúmeros frutos e turnês bem sucedidas em sua corrida para o estrelado e queridismo (sic), é assim que a gente fala mesmo: a moça cresceu e amadureceu.

Se o primeiro disco continuou o caminho trilhado pelos dois EPs anteriores e que foram reunidos na compilação que começou a jogar os holofotes em cima de Barnett, aqui em Tell Me How You Really Fell vemos um cenário bastante diferente refletido, fatalmente, pelo momento em que a artista se encontra. Barnett se transformou em uma referência e uma querida da cena mundial, tanto que é fácil notar e ouvir a influência direta desse peso que ela leva atualmente, o de ser um nome fortíssimo para o grande público nesse estilo e apenas em seu segundo álbum (aí você entende melhor o ‘amadureceu’).

Além disso, é claro, a influência do seu projeto bem sucedido com o Kurt Vile, lançado no ano passado, parece fazer um pouco de sol aqui em cima de Tell Me How You Really Feel e, quiçá, até apagando um pouco o estilo mais característico de Barnett. Esse segundo disco vê uma artista mais tímida, introspectiva e reprimida do que as suas alçadas anteriores e é um pouco estranho enxergar Barnett sob essa luz e se prestando a esse papel não tão corajoso.

Courtney continua uma letrista impecável, fazendo músicas maravilhosas e casando-as com melodias interessantes e que não mudaram muito em relação ao resto de sua carreira – a guitarra está ali e seu jeito mais falando-do-que-cantando, também. Mesmo assim, Tell Me How You Really Feel não impressiona e não tem tantos momentos brilhantes e sacadas geniais quanto o que se esperava dela (talvez aqui seja o exato ponto de pressão para a musicista e que ela reflete tanto nesse álbum?); e a ausência de músicas que carreguem o peso do nome da australiana e levantem e levem o álbum pra frente é gritante. Não adianta o quanto eu ouça algumas faixas e tente encaixar ela em algo como a Barnett faria, a tentativa é mal sucedida. A própria Barnett chegou a comentar que o álbum (e o seu título) reflete uma situação que veio à tona com a fama e as angústias que esse peso da responsabilidade tão repentina causou.

O disco é parelho, sem muitos altos, com alguns baixos e bem linear – quase apagado. Courtney passa aquele sentimento de que fez um trabalho mediano e entregou só pra se manter aí na ativa, numa coceira insistente de se fazer presente que não parece a deixar sossegar. A entoada workaholic em sua carreira parece ter culminado em um ponto chave: talvez seja a hora de Barnett dar uma descansada de sua imagem e parar de desgastá-la tanto assim em tão pouco tempo. Tell Me How You Really Feel, no final das contas, serviu para mostrar que Barnett não é a deusa que todos pensam e colocam lá em cima: ela também tem suas fraquezas e vulnerabilidades, precisa respirar e precisa descansar.

OUÇA: “Charity”, “Nameless, Faceless” e “Crippling Self Doubt And A General Lack Of Self Confidence”

Brazilian Girls – Let’s Make Love


Eu achei que nunca fosse fazer uma resenha para o Brazilian Girls. Há quase dez anos que a banda lançava o seu terceiro e melhor álbum, o excelente New York City e embarcava numa extensa divulgação do mesmo. Anos passaram e finalmente começamos a ter sinais da banda, mais alguns anos depois e agora temos em nossos ouvidos Let’s Make Love, o quarto disco. E eu estou aqui fazendo a resenha de uma banda que parecia morta há pouco tempo.

Parece que Let’s Make Love, apesar da distância; e do tempo; e do amadurecimento do Brazilian Girls como banda, começa exatamente aonde o New York City parou. Eles ainda estão divertidos, fazendo piadas e contando historietas cheias de picardia aqui e ali, ainda estão misturando uma quantidade gigantesca de ritmos e ainda estão fazendo músicas com uma quantidade ímpar de texturas e nuances, sempre guiadas pela ótima Sabina, vocalista icônica da banda.

Fato é que o Brazilian Girls, apesar de ter seu público fiel e ter sido indicado ao Grammy com o último disco, nunca teve um apelo enorme no meio da música. Seu estilo não é tão acessível até para os fãs mais assíduos da música eletrônica e, às vezes, conseguem beirar um jazz ambient que não faz muito sentido até para quem conhece a banda há um tempo. É difícil de classificá-los numa caixinha dada a sua grande gama de nuances e estilos – e esse é exatamente o diferencial do quarteto. Let’s Make Love é exatamente isso: difícil de ser encaixado em algum rótulo, mas, felizmente e ao contrário dos primeiros álbuns do grupo, de fácil apreciação e digestão – mas eles ainda continuarão sem muito apelo no meio da música.

“Pirates” é a faixa de abertura e já dita o tom do quarto disco: muita alegria e muita celebração por conta do retorno. Conseguimos ver isso claramente em quase todas as faixas e o ritmo de festa e felicidade entoa boa parte das faixas. Até que a banda soube manter o Let’s Make Love coeso e interessante, mas ele é uma verdadeira montanha-russa: ora temos uma faixa incrível como “World Wide Web”, ora vemos uma menos cativante como “Sunny”. Entretanto, vale a pena falar aqui, o Brazilian Girls não faz nenhuma música ruim ou entediante por aqui – eles vão do morno para o excelente em questão de uma faixa ou duas e mantêm esse ritmo muito bem, não fazendo com que o interesse pelo álbum seja perdido ao longo de sua quase uma hora – duração um pouco diferente do habitual nos dias de hoje.

Fatalmente esse álbum não vai aparecer em muitas listas ou menções honrosas por aí como um álbum que revolucionou as paradas, mas é bom ter essa banda e seu preciosismo único de voltas. Eu particularmente acho que essa mescla de ritmos feita de uma maneira tão acessível e que está presente em todo Let’s Make Love fez o retorno do Brazilian Girls ser memorável e muito bom. E o clichê: não demorem para lançar mais um álbum!

OUÇA: “Pirates”, “World Wide Web”, “Let’s Make Love” e “The Critic”

Fickle Friends – You Are Someone Else


Tenho um carinho bastante especial por essa banda. Conheci eles da maneira mais despretensiosa e acessível possível: em um show num festival quase desconhecido que acontece na cidade de Leeds, Inglaterra (a saber: o Live at Leeds). Eles não eram nem de perto uma das bandas que eu estava indo no festival por e nem de perto headliners do dia, mas decidi conferir o show mesmo assim e a paixão foi instantânea: o som cativante e as batidas dançantes eram um frescor extremamente interessante para aquela época. Esse é apenas o primeiro disco do Fickle Friends. Estamos em 2018. O festival que eu fui foi em 2014…

Para bom entendedor, meia sentença talvez baste, mas deixando claro: a escala de tempo é a principal inimiga para uma banda mais voltada para o pop (ainda que esteja bem inserida no indie), como é o caso do Fickle Friends. E essa inimiga foi um pouco impiedosa com a banda de Brighton. Se tem um adjetivo pejorativo que caiba aqui para esse disco é que ele é ‘datado’. E pelo dicionário temos que ‘datado’, em seu sentido desagradável, entende-se como algo fora de moda, ultrapassado e antiquado.

Aí temos o principal problema de You Are Someone Else: o Fickle Friends passou um pouco o prazo de validade de lançar um álbum e acabaram lançando uma coletânea de colagens que, em boa parte do tempo, perde no fator coesão. Isso puxa outro fator que não funciona bem aqui: o álbum fica desnecessariamente longo – o reaproveitamento de faixas antigas acaba jogando o disco para quase uma hora de duração – e poderia ser melhor composto e coerente se reduzido. Mas é curioso ver como essas músicas antigas – que já estão rodando na carreira da banda há um bom tempo – funcionam bem aqui, ainda assim (como “Brooklyn”, “Hello Hello”, “Paris”, “Glue” e “Swim”, por exemplo).

Então, por mais que o Fickle Friends tenha momentos brilhantes aqui nesse álbum, eles acabam ficando numa mesmice estranha e esses momentos se resumem em músicas sem um frescor necessário para uma banda como essa, um pouco repetitivas e sem muita novidade – como era lá em 2014, quando os conheci. As músicas que são novidade para o álbum não adicionam muito – salvo, talvez, por “Rotation” e “Wake Me Up” – e acabam apresentando synths e linhas graves consideráveis, mas pouco memoráveis.

Talvez essa resenha seja lida como um disco que eu tinha grandes expectativas e elas não foram correspondidas. E aí vem à tona o fato de que a culpa – por falta de palavra melhor – aqui é toda minha por colocar as esperanças neles, né? Mas fato é que mesmo entregando um trabalho que eu acho que não seja tão digno deles, o Fickle Friends consegue agradar em vários momentos, só não faz isso da maneira tão brilhante assim que eu estava acostumado. É um bom disco para começar uma carreira, mas ainda falta algo aqui que eu sei que eles são capazes de mostrar.

De qualquer maneira, You Are Someone Else, apesar de ter parado no tempo, é um disco mais do que necessário para a banda ter algo mais sólido e conseguir alçar vôos mais compridos e consolidar ainda mais sua carreira de sucesso. A banda tem aquela cara de que vai conquistar muita coisa ainda e esse cartão de boas vindas é algo preciso. Mesmo que boa parte do álbum tenha perdido seu frescor e soe datado. No final das contas, eu agradeço a conspiração do universo pra ter me colocado na apresentação deles há quase quatro anos e permitir que eles se tornassem uma das minhas bandas favoritas desde então. Apesar dessa estreia ter sido um pouco decepcionante, mal posso esperar para ver qual será o próximo capítulo na vida dessa banda.

OUÇA: “Glue”, “Swim”, “Rotation” e “Brooklyn”

The Wombats – Beautiful People Will Ruin Your Life


Quando você está acostumado com álbuns excelentes vindos de uma banda, com um trabalho bastante dedicado para sair algo incrível para ser apreciado por você, as suas expectativas acabam indo para o alto, automaticamente e sem você querer. Basta apenas ler que determinada banda lançará um álbum em breve (ou até mesmo se preparando para), que seu cérebro já sabe: vai ser bom. Independente de você ter ouvido singles, ter lido notícias, visto fotos ou clipes; ou consumido qualquer outro material relacionado ao lançamento do futuro disco Pois é, esse sentimento pode acabar se provando, às vezes, um grande tiro no pé.

O The Wombats acaba sendo um ótimo exemplo do que eu explicitei no páragrafo anterior. Acompanhando a carreira dos Wombats desde o comecinho lá em 2007, sempre estive acostumado com discos simples, mas excelentes em sua humildade. Um material muito bem trabalhado, com músicas que se conversavam muito bem entre si e ritmos excelentes. Álbuns simples, mas tão cheios de significado e conteúdo, que acabavam ficando ricos em sua beleza. Beautiful People Will Ruin Your Life, quarto álbum dos ingleses, acaba por quebrar um pouco esse encanto.

Esse álbum é mais calmo e acústico do que os anteriores – isso não é ruim. Os sintetizadores foram aposentados e aqui predominam a percussão mais calma e o violão (como em “Lethal Combination” e o primeiro single, “Lemon To A Knife Fight”), além de algumas guitarras reverberando aqui e acolá (como o solo de “Dip You In Honey”) que são todos elementos bastante novos para as músicas mais conhecidas deles. Eles arriscaram dar uma mudada bem de leve em seu som e isso acaba deixando uma impressão meio estranha – algo de errado não está certo aqui!. O Wombats acabou de mexer bem pouquinho em sua fórmula de sucesso, fugir bem pouquinho de sua zona de conforto e acabou entregando um disco que é agradável, mas também, bem pouquinho.

O trio nunca teve letras e harmonias elaboradas demais (apesar de suas metáforas ótimas), jogos de instrumento mirabolantes e sacadas geniais não é com eles; e sempre foi nessa simplicidade que eles acabavam conquistando os nossos ouvidos – não é a toa que os três álbuns anteriores sempre apareceram por aí nas listas de melhores álbuns do ano. Muito melhor um arroz e feijão bem feito do que um prato de cozinha gourmet super enfeitado que não supre o que você precisa, certo? Pois é. A fórmula deu certo muito bem até então, mas aqui parece que faltou tempero e aquecimento na entrega desse prato e o Wombats, ao esquecer o sal e um pouco de sua animação, deixa suas músicas um pouco sem graças, bastante cansativas e repetitivas.

No fim das contas, Beautiful People Will Ruin Your Life é uma bela surpresa, mas de maneira não tão boa quanto a gente esperava – e de maneira automática, aquela que o cérebro faz por associação: álbuns bons, continuarão bons. É mais um lembrete e choque de realidade que até mesmo essas bandas mais redondinhas e com carreiras impecáveis conseguem escorregar e lançar deslizes de vez em quando, normal, faz parte do jogo. Esse quarto álbum não é tão ruim quanto eu possa estar fazendo parecer ao escrever tudo isso, mas é morno e insosso, como eu mesmo disse anteriormente e é esse o ponto: não crie expectativas, mesmo que elas sejam automáticas.

OUÇA: “Lemon To A Knife Fight”, “Black Flamingo” e “White Eyes”

The Go! Team – Semicircle


O caos está de volta e o time está completo de novo – o trocadilho não foi intencional. Os primeiros acordes de “Mayday” (que é a representação do título em código morse) já falam muito bem e avisam que o The Go! Team está retornando ao seu som mais peculiar possível. Ian Parton, a mente criativa por trás de toda a banda, decidiu retomar o que tinha perdido no álbum anterior e Semicircle vê novamente uma banda redonda e completa em estúdio com tudo que temos direto a associar com os britânicos. Samples estranhos, sirenes, instrumentos aleatórios e barulhos nada convencionais são bastante presentes nas músicas que vemos por aqui.

Semicircle resgata muito bem o esquema de “música de videogame” que eles fizeram em Proof Of Youth, mais de dez anos atrás, e se perdeu um pouco nos discos seguintes – especialmente no estranho The Scene Between aonde Parton buscou vozes desconhecidas para narrar suas historietas; e ainda bem que Ninja está de volta aqui, já que ela é ponto chave da banda. Tudo bem que Ian Parton é o líder do The Go! Team e ele fez questão de deixar isso bem claro no processo criativo dos dois discos anteriores. Apesar de ter criado a banda há um tempão aí e ter incorporado os outros elementos somente quando precisou sair de seu quarto, o The Go! Team já tem essa identidade de supergrupo caótico há um algum tempo e isso retorna muito bem aqui.

Infelizmente Semicircle perde um pouco da sua força logo após a instrumental “Chico’s Radical Decade” e atira para alguns lados um pouco fora do escopo, fazendo músicas muito repetitivas e pouco criativas. O ponto de volta a curva se perde e alucina em alguns momentos e isso é um pouco trágico, já que a esperança de que o produto final fosse tão excelente quanto as faixas iniciais se perde de maneira triste. A gente supera, mas o The Go! Team perdeu uma baita oportunidade de voltar com tudo.

O groove voltou? Talvez, mas o The Go! Team precisa se alinhar ainda um pouco melhor, já que vemos uma inconstância bem aparente por aqui. Temos um revezamento de faixas excelentes – como a dobradinha de abertura – e faixas muito fracas – como “Hey!” e “Plans Are Like Dreams U Organise” – que até tentam se encaixar no resto do álbum, mas não entregam um produto final de tanta qualidade. O ponto inicial é ótimo, mas eles parecem se perder ao longo do disco em diversos momentos.

O álbum pode, no fim das contas, não reinventar a roda, mas parece colocar o The Go! Team de volta nos eixos – e isso já é excelente por si só. A banda completa fez uma falta danada no álbum anterior (mesmo que ele não seja tão ruim assim) e essa nota (6.3) pode parecer um pouco injusta se olharmos por essa nuance, mas é totalmente coerente se lembrarmos um pouco da falta de coesão que vemos por aqui. Os samples loucos, as vozes gritadas e as alternâncias entre ritmos completamente opostos em questão de segundos não é o suficiente se a coesão não aparecer nesse caos.

OUÇA: “Mayday”, “Chain Link Fence” e “The Answer’s No – Now What’s The Question?”

2017: Best Albums (Editor’s Choice – Henrique)

10 | SAMPHA – Process

Confesso de antemão que para mim é uma enorme surpresa um cara como o Sampha estar presente em minha lista de melhores do ano. O R&B peculiar que o britânico faz não é, nem de longe, um dos meus estilos mais ouvidos; e quiça tenho outros artistas que representem o gênero na minha biblioteca. Mesmo assim Process é um disco tão incrível que é impossível negar a genialidade do músico que consegue fazer um disco tão bagunçado e tão coeso ao mesmo tempo que é até difícil explicar o que cativa ali dentro. O músico demorou para lançar seu primeiro disco – está na ativa desde 2009 – mas a beleza de Process supera toda essa expectativa.

OUÇA: “Blood On Me”, “Kora Sings”, “(No One Knows Me) Like The Piano” e “Reverse Faults”


09 | THE JUNGLE GIANTS – Quiet Ferocity

Quiet Ferocity é o terceiro álbum do The Jungle Giants e foi só aqui que eles finalmente conseguiram entregar um álbum bem coeso e bastante interessante. A mudança em relação aos álbuns anteriores é nítida logo nos primeiros acordes de “On Your Way Down” e persiste até o fim do disco em “People Always Say”. O instrumental alinha-se muito bem com as letras da banda e a grata surpresa fica por conta das experimentações que vemos em músicas como “Feel The Way I Do”. O The Jungle Giants dá uma distanciada do seu som original, mas ainda bebe muito de um indie pop característico.

OUÇA: “On Your Way Down”, “Feel The Way I Do” e “Time And Time Again”


08 | SAN CISCO – The Water

O San Cisco deu uma leve escorregada em Gracetown, seu segundo disco, por dar uma de Tame Impala e tentar ir prum lado mais psicodélico. O cabelão de Jordi e o jeito largado de Scarlett eram mais do que pose, talvez, mas ficaram um pouco mais comedidos em The Water. A cara indie pop da banda dá uma retornada e consegue mesclar perfeitamente com algumas sonoridades mais experimentais. A música boa de The Water é chiclete e daquelas bem simples, mas gostosas demais de ouvir. O disco acaba rapidinho e a gente sempre fica na vontade de repetir e não consegue cansar – e foi exatamente isso que aconteceu.

OUÇA: “Kids Are Cool”, “Sunrise” e “SloMo”


07 | FRANCES – Things I’ve Never Said

A voz doce e delicada de Frances me acompanha desde o ano passado. Eu conheci a moçoila numa dessas ávidas buscas por música nova na internet e desde então fiquei muito ansioso para o primeiro álbum da britânica. Things I’ve Never Said é uma abertura de carreira perfeita e rendeu comparações à músicos consagrados da música da ilha-continente. Adele e Sam Smith já estão fazendo escola e Frances deve dar um baita orgulho para suas influências. Assim como sua inspiração direta [a Adele], Frances começou cedo na música e já entrega um disco cheio de sentimentos como esse. É música feita para arrepiar a pele e piano muito bem tocado para deixar todo mundo com aquele sorriso meio bobo na cara.

OUÇA: “Don’t Worry About Me”, “Drifting” e “Let It Out”


06 | AS BAHIAS E A COZINHA MINEIRA – Bixa

A fauna de Bixa é singular. Cachorro, urubu, coruja, pica-pau, peixe, tigre, veado… É nessa alegoria animalesca e numa nuance tropical que as líderes d’As Bahias e A Cozinha Mineira trazem seu segundo disco. Fugindo um pouco da MPB clássica que é a influência principal de Mulher, primeiro álbum, aqui temos uma mistura sensacional de ritmos. Temos bolero, disco, MPB, samba, jazz, axé. Fato é que Bixa não economiza nem um pouco suas cartas quando quer mostrar a força e a maestria da banda na sua versatilidade musical.

OUÇA: “Um Doido Caso”, “Dama Da Night” e “Mix”


05 | NATALIA LAFOURCADE – Musas

Musas é um disco de celebração. Celebração da história da cultura da América Latina, sobretudo dos falantes da língua espanhola. Natalia Lafourcade faz um álbum de homenagens com regravações e canções originais, emborcando totalmente em seu som as veias abertas da sua América; e faz isso de forma maestral, passando pelos ritmos de diferentes países e nos levando à viagens distantes ao passado sem sequer sairmos do presente. Musas continua a boa onda que começou com Hasta La Raíz (2015) e expôs Natalia Lafourcade ao grande público mundial. De uma delicadeza e cuidado ímpares, o disco ainda conta com a participação do duo Los Macorinos que complementam a voz da – já musa da música mexicana – Lafourcade com bastante significado.

OUÇA: “Tú Sí Sabes Quererme”, “Mi Tierra Veracruzana” e “Te Vi Pasar”


04 | FLEET FOXES – Crack-Up

Talvez seja só na minha concepção, mas Crack-Up do Fleet Foxes é um disco que não pode ser ouvido aos pedaços. As músicas funcionam de uma maneira operesca, unidas dentro de uma quase-mesma harmonia e unidas nitidamente (seja através do título e suas hifenações e barras indicando continuações ou através da sonoridade que acaba em uma faixa mas já é logo relembrada em outra). Os instrumentos se encaixam perfeitamente, a voz de Robin Pecknold acentua todos esses altos e baixos que percorrem o álbum e o produto final é esse presente que chegou pra gente seis anos depois do segundo álbum da banda. O hiato pode não ter feito muito bem para nós, fãs, ansiosos por esse retorno, mas fez bem para eles, que voltaram de maneira estrondosa com esse disco tão singular.

OUÇA: o álbum inteirinho (se você ouvir músicas separadas o sentimento não será o mesmo, acredite)


03 | LOS CAMPESINOS! – Sick Scenes

A discografia do Los Campesinos! é muito coesa e praticamente sem baixos ao longo dela. Algumas músicas do Romance Is Boring (2010) e do We Are Beautiful, We Are Doomed (2008) podem até não chegar tão perto das pérolas que encontramos nos outros discos, mas a banda sempre prolífica esteve sempre muito bem alinhada e produzindo músicas muito boas. Sick Scenes é a continuação natural do som mais limpo e educado, assim digamos, que a banda vem fazendo desde Hello Sadness (2011) e apresenta novas adições ao hall de músicas incríveis que a banda faz em cima de seu indie pop. Talvez um dos únicos remanescentes interessantes desse estilo que mistura um pouco de hardcore com o indie, o Los Campesinos! traz nesse disco músicas sem muitas surpresas dentro do seu feijão-com-arroz, mas que se encaixam muito bem dentro dessa proposta e, com isso, conseguem cativar muito bem por conta de toda essa profissionalidade da banda em produzir esse estilo com uma proeza e uma qualidade excepcionais.

OUÇA: “Renato Dall’Ara (2008)”, “Sad Suppers”, “I Broke Up In Amarante” e “Hung Empty”


02 | BLACK KIDS – ROOKIE

Posso ser um pouco suspeito quando o assunto é Black Kids, claro, mas não consigo deixar de negar que a banda perdeu a mão em apenas uma coisa aqui nesse novo registro: demorar tempo demais para lançar um álbum. São quase dez anos separando o primeiro álbum e ROOKIE, que representa uma volta natural aos tempos pré-Partie Traumatic e soa delicioso desde a primeira audição. Uma sonoridade mais respeitosa às influências originais – como The Cure, por exemplo -, mas ainda assim um disco regado de letras ácidas e ironias engraçadas típicas da banda de Jacksonville. É naturalmente óbvio que ROOKIE não tem a força da obra prima que foi o primeiro álbum e isso em diversas instâncias – seja na produção elevada ou na fanbase que se perdeu com a espera ou na enrolação nauseante para aparecer com um segundo disco. A boa recepção do disco que foi lançado sem uma gravadora gigante por trás, entretanto, nos faz esperar que o Black Kids não demore tanto para lançar outro álbum e que faça isso da mesma maneira que fez esse: bem por baixo dos panos, quase exclusivo e sem muito burburinho – parece que isso é o que os deixa mais felizes, afinal de contas.

OUÇA: “IFFY”, “If My Heart Is Broken”, “V-Card (Not Nuthin’)” e “Rookie”


01 | SONDRE LERCHE – Pleasure

Não conheço o Sondre Lerche há tanto tempo assim e acompanhava sua história nos bastidores até. Pleasure foi, então, uma surpresa gigante para mim quando saiu lá no começo do ano e foi o disco responsável por colocar o artista no patamar de “músicos preferidos”. Desde que saiu o disco não conseguiu ser deixado de lado e foi tocado algumas várias vezes por semana. A boa fase do cantor é refletida em todas as canções que passeiam muito bem pelo seu meio-eletrônico-meio-folk, com sussurros, gritarias e bagunça generalizada sem muito significado. Sondre consegue por caos na ordem – e não o contrário como muita gente faz – e com isso faz um som que é facilmente associado somente à ele e sua cena da Noruega. Aqui estão músicas que versam sobre os mais diferentes sentimentos, mas sempre muito bem alinhadas com o instrumental; ou seja, o disco é muito bem pensado e encaixado em todo o seu processo criativo e isso é facilmente notado. A melhor surpresa que 2017 conseguiu trazer musicalmente e eu adoro quando casos como esse acontecem – é necessário prestar melhor atenção nessas pedras preciosas bem guardadas da música mundial.

OUÇA: “I’m Always Watching You”, “Serenading In The Trenches” e “Hello Stranger”

Paloma Faith – The Architect


A maternidade. Eu não sou mãe e nem poderia ser para conseguir falar com propriedade sobre o que é passar por esse marco na vida. Mesmo assim, pensar que sua vida não é mais a única pela qual você será responsável durante boa parte da sua vida te leva a pensar em inúmeras situações complicadas e enxergar o mundo de outra forma, totalmente diferente do seu pensamento anterior. Os problemas sociais, políticos, econômicos, ambientais, entre outros, começam a ter um peso diferente e tudo parece impactar o seu futuro de uma maneira gigante. A Paloma Faith teve seu primeiro filho no final de 2016. E está bem claro que The Architect carrega todo esse peso [ser mãe] em seus pormenores.

O quarto disco da cantora, como a mesma declarou, é uma observação social. The Architect aparece depois da maternidade de Faith e leva todo esse peso de pensamentos sobre o futuro – como ele vai ser, como evitar dele ser catastrófico, como proteger a humanidade, etc. Sobretudo, então, esse álbum é um disco praticamente temático e é o primeiro dela que se insere nesse panorama. Apesar de seu processo de criação ter começado antes da maternidade, acredito que boa parte dele foi pensado posteriormente ou durante a gravidez da britânica. Está nítido nas letras e em algumas melodias uma certa urgência por algo melhor e maior – vide “Kings And Queens” – e a preocupante “WW3”, que parece a realidade que vivemos atualmente.

Faith também afirma que é a primeira vez que ela olha pra fora do seu pensamento, que olha para a sociedade e que versa sobre o futuro. Todos os outros discos, realmente, são sobre o amor e sobre si. The Architect não deixa de ser uma oportunidade para falar mais sobre como ela pensa politicamente e sobre como ela enxerga o mundo; pode olhar para fora de si, mas não se afasta muito de sua persona – no final das contas é autocentrado como os outros e isso é mero detalhe aqui.

Então é aqui que, provavelmente, veremos o máximo de veia política na música da cantora. Ela tem um público assumidamente mais inclinado ao pop que de política não quer saber muito, é claro. Paloma Faith fez um disco falando sobre o futuro e seus anseios para um descarrego emocional, praticamente, e fez bastante coisa bonita aqui. Depois de ter sido convidada para ser jurada do The Voice UK – Paloma é uma das personas mais influentes da música britânica, atualmente – eu esperava que ela fosse guinar totalmente ao pop – algo como fizera em Fall To Grace –, mas, felizmente, vemos alguns bons sons ligados ao soul e ao quasi gospel típicos do primeiro e terceiro álbuns da moça – como a própria “Crybaby”, primeiro single desse aqui.

Musicalmente falando, The Architect não tem muita novidade em suas músicas. É uma continuação do que a cantora fazia e continua fazendo muito bem; infelizmente as suas guinadas em direção ao pop (como “Still Around”) acabam ficando cansativas com as letras repetitivas e os sintetizadores batidos e, mais uma vez, tirando boa parte da força do álbum (como fez com seu segundo disco), que começa muito bem e vai decaindo e decaindo…; Paloma Faith ainda tem uma força magnífica em sua voz e são nessas mergulhadas em um som mais chiclete que ela acaba estragando o brilho do seu maior diferencial. De qualquer modo, a maternidade, no fim das contas, parece ter caído muito bem para ela e o disco é um belo exemplo de como aplicar esse marco na vida em forma de música – nem sempre tão boa, claro, mas interessante.

OUÇA: “Guilty”, “Crybaby” e “Kings And Queens”