WhoMadeWho – Through The Walls


WhoMadeWho chega em 2018 com o seu sexto disco de carreira, o Through The Walls, quatro anos após Dreams. O álbum reflete sobre experiências pessoais do trio dinamarquês, trazendo uma ampla variação sonora não tão convincente assim.

O disco começa com “Neighbourhood” e “Crystal” que poderiam ter sobrevivido sem as faixa vocais. Os instrumentais se sustentam de forma muito coerente, lembrando um pouco o sons de artistas mais experimentais como Four Tet e Floating Points. Nesse sentido, “Crystal” ainda ganha destaque pela forma em que as distorções ocorrem, se mesclando a base sintetizada. Outros momentos de destaque também remetem ao risco que a banda comprou nessa empreitada experimental, como em “Goodbye To All I Know” ou “Belong”.

Daí o disco cai: “Dynasty” chega com forte influência do synth pop oitentista – o que não é ruim, mas soa muito ultrapassado perante os primeiros momentos do álbum. O caso se repete novamente na faixa título e se transforma em “Surfing on a Stone”, quando o trio surge com uma faixa acústica e você se pergunta o por quê disso.

Through The Walls é isso: ao abranger mais estilos, se perdeu em uma proposta mais coerente. WhoMadeWho ficou um pouco longe do cenário musical, mas não parecem muito comprometidos a reconquistar o lugar que tiveram no final da década passada.

OUÇA: “Goodbye To All I Know”

GA31 – Supermodern4


Do Egito 3000 a.C. até São Paulo 2031, a humanidade passou por algumas guerras, criou alguns estilos musicais e venerou todo o tipo de artista que se possa imaginar. Estamos no futuro, o androide 065 não conseguiu realizar a sua missão na Terra e, após atualizar o software antivírus, se mudou para uma realidade alternativa. 065 agora é GA31 e tudo vai ficar bem.

O primeiro paragrafo pareceu confuso? Para quem acompanha a carreira da GA31, não muito. É a história de seu primeiro disco, o Clímax, lançado em 2013. Defame, a continuação dessa narrativa, chegou no Youtube em 2014 e lançou alguns clássicos da música queer nacional: “Lésbica Futurista”, “A Força Da Mulher Sapatona” e “Jogos Modernos”.

Estamos quase em 2018 e, até hoje, a identidade da GA31 permanece um mistério. A sua base de fãs no Facebook não chega aos 7 mil seguidores e, mesmo assim, ela surge com um terceiro disco: o Supermodern4. A sua música não é fácil: parece uma grande zueira, mas é muito séria. A voz sintetizada é familiar a todos, pode ser o Google, a Siri ou outro assistente virtual, mas é sempre sóbria e extremamente convincente sobre aquilo que canta. As letras falam sobre liberdade sexual, gênero e — acima de tudo — sobre aceitação.

GA31 foge do comum “lacrador” que se estabeleceu nesse nicho musical. Ninguém sabe ao certo se a(s) pessoa(s) por trás é uma mulher ou um homem, negro ou branco, cis ou trans e — sinceramente — isso não importa. GA31 é uma androide, vive num futuro bem melhor que a nossa realidade e talvez seja por isso que é tão incrível.

Com um estilo que lembra um pouco o pop eletrônico da PC Music e até mesmo os brasileiros do NoPorn ou o antigo CSS, Supermodern4 chega com 14 faixas inéditas que conseguem sintetizar muito bem esse futuro prafrentex.

Apesar de “Sexo Livre” iniciar o disco como uma ode a todos os tipos de relações sexuais, é em “Vem” que GA31 convida a todos para o seu lounge: uma batida extremamente voltada para as pistas e cheia das verdades que a galera quer ouvir. A faixa título, “Supermodern4”, usa de gemidos para dar conta de seu ritmo. GA31 reitera a sua maior mensagem, que está ali desde 2013: ser moderna é ficar de boa, aceitar o que é e aceitar as pessoas como são.

“Afeminada” é a faixa dedicada aos gays, boiolas, viados e bichas. Já a “Um Pouco Gótica” caiu como uma luva nesse ano: pode ser a volta do emo ou a total identificação com a figura da gótica suave. Mesmo no país tropical, somos todos um pouco góticos e a GA31 entende isso.

“Prontas Para Gozar” e “Totalmente Lésbica” são os hits lésbicos. GA31 não ia deixar a questão de fora e, mais uma vez, canta sobre um universo pleno para as mulheres homossexuais. A primeira faixa, no entanto, surpreende com uma pegada inspirada no funk — perfeita para o verão.

“Mãe” é uma faixa mais pessoal, como a própria GA31 comentou no Facebook. Um clássico “esta tudo bem, apesar de dos traumas passados”, um curto e calmo interlúdio no meio do caos do disco. Já “Fode” podia ser mais uma faixa sobre atração e sexualidade mas, acima de tudo, é sobre se encontrar e se abrir para novas possibilidades, sem deixar de lado a sua essência.

Supermodern4 está bem além daquilo do que as pessoas acreditam ser uma algo sério. GA31 não tem medo de ser explícita e, por isso, pode assustar em um primeiro momento. Talvez em 2031 esse disco seja encontrado por algum produtor, sampleado e ser assim valorizado. Bem, não vamos esperar até lá!

OUÇA: “Não Me Defina”.

Destroyer – ken


O céu é cinza e, assim como o novo disco do Destroyer, é um pouco nebuloso. A banda canadense chega ao seu 12º disco e, mais uma vez, entrega aos fãs uma coleção de faixas marcadas pela poesia e voz rouca do Bejar.

ken é um disco consiso, as reverberações e as ondulações do baixo criam aquele clima retrô que é uma marca deles. “Sky’s Grey”  e “In The Morning” abrem o trabalho jogando aquela real: você achou que o dia ia ser legal, mas não foi e também não vai ficar. Elas trazem riffs sujos e um pesar absurdo e, como é literalmente dito, somem abruptamente.

“Tinseltown” lembra muito a famosa “Kaputt”, e o estilo quase falado de Bejar é entrega pela primeira vez aqui, a faixa referencia a música de mesmo nome da banda The Blue Nile. No entanto, para quem não é muito acostumado com isso, pode se tornar facilmente entediante.

“A Light Travels On The Catwalk” é uma faixa sobre o vazio e as aparências, traz uma batida extremamente compassada, como se existisse realmente alguém ali desfilando para uma platéia vazia. A versão acústica é ainda mais forte, a falta dos instrumentos vai de acordo com a ausência cantada. “Sometimes In The World” tem a mesma pegada e traz essa ideia de que os problemas não irão se resolver, mesmo com a conta cheia.

“La Regle Du Jue”, um dos destaques já no final, destoa um pouco por trazer um longo solo de guitarras. Aqui temos uma canção perfeita para emplacar tanto nas pistas quanto naquele passeio noturno de carro ou metro, possivelmente ao lado dos Smiths e do New Order, naquela playlist de clássicos.

No geral, ken agrada bastante. Apesar de melancolico e claramente aflito, o disco te convida para as ruas em um passeio noturno pela cidade. É fácil imaginar ele em um dia escuro no norte do Canadá. Talvez uma peça um pouco pesada para o nosso verão, mas vale a pena.

OUÇA: “La Regle Du Jue”.

Four Tet – New Energy


Em quase duas décadas de trabalho, Kiera Hebden – o nome por trás do Four Tet – transitou entre os mais diversos estilos musicais com o seu som abstrato e experimental. Remixou artistas do pop, do indie e do folk, trouxe a música indiana para o seus dubs e se inspirou no house em faixas mais animadas.

O seu nono disco, New Energy, é de fato uma revitalização de toda a sua trajetória até aqui, uma releitura própria de seus trabalhos e estilos que foram moldados. “Alap” e “Two Thousand Seventeen” iniciam o álbum com forte presença de sons de raga, influência das próprias raízes maternas, onde as cordas se mesclam com um dub mais complexo e se extendem por quase seis minutos na intodução de seu trabalho.

“LA Trance”, como o próprio título sugere, carrega um tom progressivo das influências do estilo e também do techno nas composições de Kiera, se tornando uma das faixas que mais se destacam no trabalho. “Tremper” abusa um pouco mais das ambiências e é uma intermissão quase silêncioso dentro do disco.

“Scientists”, “SW9 9SL” e “Memories” – em seus respectivos postos – são as faixas mais corridas do disco. As repetições marcantes se mesclam com sons orgânicos de cravos e sinos também sempre presentes no trabalho de Kiera. Enfim, “Daughter” é a única música que realmente se aproveita do uso dos vocais para sustentar a melodia, vocais que se repetem em uma espécie de ritualistica extremamente confortável e relaxante, se extendendo a faixa “Gente Soul”, outro momento mais silencioso.

Mas Kiera deixou o melhor para o final, “Planet” sintetiza todo o disco em seus quase sete minutos de puro minimalismo. Baixos, um vocal transcedental e sinos marcam o tempo e dão o gás final que o disco prometeu em suas treze faixas anteriores.

OUÇA: “Planet” e “SW9 9SL”.

The Pains of Being Pure at Heart – The Echo of Pleasure


Com dez anos de banda, os nova iorquinos do The Pains of Being Pure at Heart construíram uma carreira mais que sólida dentro do cenário shoegaze e acabaram de lançar o quarto disco, The Echo Of Pleasure, com nove inéditas.

Histórias à parte, o disco foi feito logo após Kip Berman se casar. Um misto de maturidade e letras um pouco mais profundas rodeiam a produção e, enquanto o antigo Pains trazia dramas românticos mais efusivos, o novo disco traz faixas como “Anymore”, onde um felizes para sempre é mais recorrente.

Mais polido, o disco ainda traz aquela guitarra suja que marcou o som da banda como nas faixas “The Cure For Death” e “The Echo Of Pleasure”, onde as referências de bandas como Smashing Pumpkins e The Smiths são encontradas. “When I Dance With You” abusa um pouco mais dos teclados e sintetizadores, aquela faixa que já foi feita para festinhas em casa.

As letras são bem generalistas, falam de sentimentos que todos já passaram lidaram – eventualmente – irão lidar. Inevitavelmente Berman as canta com um gás incrível que não era muito encontrads trabalhos anteriores, quando dividia mais o vocal com a tecladista Peggy. Agora Goma e Jocob, que estão na turnê com Berman, também se envolvem nos vocais, perdidos nas camadas eletrônicas.

Há boatos de que The Echo Of Pleasure possa ser uma despedida, talvez da banda ou somente da antiga vida de Berman, agora que suas prioridades mudaram um pouco. O disco vale principalmente para quem acompanhou a trajetória da banda nos últimos discos, um misto de saudosismo e conforto.

OUÇA: “When I Dance With You”

Yumi Zouma – Willowbank


Dreampop atemporal e saudosista é a melhor definição que encontrei para os neozelandeses do Yumi Zouma. O quarteto que surgiu com um EP em meados de 2014 possui uma curta, porém interessante trajetória: todos os trabalhos feitos por eles, até o primeiro disco Yoncalla – em 2016 – foi feito totalmente pela internet. Willowbank, que acabou de ser lançado, é resultado de um breve encontro presencial na cidade de Christchurch, onde eles nasceram e se conheceram anos antes do projeto surgir.

Willowbank é, acima de tudo, melancólico. Estamos falando, no entanto, naquela melancolia confortável que não chega a incomodar. “Depths (I)” e “(II)” abrem e fecham o disco com um pouco de cada integrante que inclusive dividem os vocais e falsetes. O que vem no meio é bom, mas chega a ser arrastado em alguns momentos – talvez característica do próprio estilo e da banda: está tudo tão confortável e não há mudanças bruscas. A voz de Christie ajuda muito nisso e se mantém bastante coesa dentro de sua zona de conforto.

“December”, primeiro single, é um ponto alto do disco: uma música sobre os reencontros de fim de ano e seus percalços. “In Blue”, um pouco mais tensa, é justamente sobre a famigerada mágoa, muito bem executada quando você acha que a faixa acabou e retoma com um gancho do refrão. “Other People” é a baladinha mais gostosinha do disco, talvez uma futura aposta de single.

No geral o disco apresenta um trabalho maduro e não tão inédito quanto ao Yoncalla. Um ano entre dois discos normalmente é um tempo bastante curto para tantas inovações. Sorte que com as tours e a convivência, novas ideias podem surgir em breve.

OUÇA: “Depths (I)” e “Other People”

The Preatures – Girlhood


The Preatures é uma daquelas bandas que quando surgiu trouxe bastante expectativas. Isso aconteceu em 2013, no lançamento do single “This Is How You Feel?”, que colocou os australianos no topo das paradas de seu país (e das listas de várias pessoas por aí). Girlhood, o segundo disco do grupo, chega em 2017 com 11 faixas inéditas que percorrem o cotidiano de uma mulher e seus questionamentos.

O álbum começa com a faixa título “Girlhood”, a mais forte e efusiva do disco: solo de guitarra, falsetes e o clichê do pop grudento com bastante referência ao country. É boa? É ótima, mas daí o disco se torna algo bem homogêneo. “Yanada”, outro single, entrega um resultado mais completo da mesma receita, se tornando repetitiva em seus quase seis minutos de duração.

Isabella Manfredi, vocalista e tecladista, além de ser o cartão de visitas da banda,é a responsável pelas letras, nos fazendo perguntar como seria um trabalho solo. Em alguns momentos, como em “I Like You”, ela consegue transmitir uma energia bastante cativante, dando um gás nos minutos finais do álbum. “Something New” também traz um lado bem mais sensível dela, tanto na sua composição, quanto na voz.

Falar que Girlhood é supreendente seria um exagero. É um trabalho coeso e bastante maduro, porém fácil de ser esquecido em nossas bibliotecas. Talvez possa ser mais interessante pensando na identificação pessoal com as letras do que com o próprio clima geral.

OUÇA: “I Like You” e “Yanada”

Com Truise – Iteration

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Jogo rápido: para quem não sabe, Com Truise é o nome artístico do nova iorquino Seth Haley que está ai fazendo música há dez anos. E sim, o nome é uma brincadeira com o ator Tom Cruise. Com o seu estilo predominantemente synthwave/retrowave, fortemente influenciado por jogos e trilhas sonoras dos anos 80, ele chegou em 2017 com o seu terceiro álbum, o Interation.

Interation é um disco, acima de tudo, tenso. Há um clima bem sombrio em suas construções, que vão te remeter a algo como a trilha sonora de Tron. A variação dos pitches e suas distorções em altissíma resolução criam a trilha perfeita para uma ficção retrofuturista e é aqui que Seth mostra o seu melhor. Em uma tradução literal do release do disco, ele é descrito como o “período em que Seth e sua amante alien passam no planeta Wave 1 antes de fugirem”. E, talvez mesmo sem aceitar essa narrativa, o ouvinte pode se identificar com algo muito próximo a isso.

“…Of Your Fake Dimension” introduz o trabalho com a presença predominante do looping de teclado que se desenvolve em agudos e cria a ambientação geral. “Isostasy”, minha favorita, se mantém com ganchos que elevam os graves predominantes e traz um vocal extremamente distorcido que te faz buscar por alguma explicação semântica para a faixa.

A faixa título, “Interation”, que fecha o disco é a mais agitada do disco: uma balada futurista para aqueles que acreditam que o futuro está um pouco mais longe da Terra. Com uma virada surpreendente em seus últimos minutos, ela fecha o disco em seu ápice sintético.

O trabalho de Seth foi feito para ser escutado linearmente, há uma sequência bem orgânica entre as composições. Irá agradar fãs de ficção cientifica, trilhas sonoras e, é claro, de sintetizadores. A ausência de vocais pode causar um estranhamento, mas não se torna um problema em nenhum momento e se passa despercebida.

OUÇA: “Interation” e “Isostasy”

Parov Stelar – The Burning Spider

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Parov Stelar não é um artista fácil para todos. Considerado uma das mais importantes referências para o eletroswing do mundo, o DJ e produtor austríaco iniciou a carreira tocando em baladas ainda nos anos 90, para em 2001 lançar o seu primeiro disco, o Shadow Kingdom. Foram 14 discos lançados – entre coletâneas e lives – até aqui com o The Burning Spider. As novidades são tantas que, até para um fã como eu, fica difícil acompanhar o que ele lança.

Decidi começar essa review pela segunda faixa: “Step Two” é um clássico do Parov. Lilja Bloom, sua esposa e parceira de tantos trabalhos passados se faz presente mais uma vez, o que traz um tom de familiaridade para o som. A música é curta e direta, a batida acelerada cresce à partir de violinos que se mesclam aos midis, loopings e à voz bastante sensual de Lilja.

“Cuba Libre” traz samples incríveis da voz de Mildred Bailey, artista conhecida como a rainha do swing nos anos 30. Uma produção que resume basicamente o conceito de eletroswing: dar bases e vida sintética para clássicos dos blues e swing norte americano. “Black Coffe” segue o mesmo caminho, com voz e trompetes de Wingy Manone. Boa parte da diversão do disco e justamente ir atrás dessas referências e conhecer sonoridades incríveis e muitas vezes pouco exploradas, para quem curte, o disco é um prato cheio: Stuff Smith e Lightnin’ Hopkins são outros exemplos presentes.

Já “State of Union”, uma das duas faixas com vocais do Andaluze, é – ou deveria ser – outro ponto alto do disco. O single de divulgação do disco é um pouco exagerado no pop e chega a ficar clichezona. Parov ainda peca um pouco na escolha de seus featurings contemporâneos, o que distoa muito a faixa do resto dos trabalhos.

O disco é uma ótima escolha para o fãs da banda. Talvez não seja, entretanto, a melhor apresentação do Parov. A única certeza é que se trata de um disco animado e peculiar pela sua nostalgia.

OUÇA: “x”, “x” e “x”

Future Islands – The Far Field

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Em 2014, o então desconhecido grupo Future Islands tinha acabado de lançar o seu quarto disco de estúdio, Singles, quando a faixa “Seasons (Waiting On You)” se tornou o mais novo grande hino do synthpop, alcançando o primeiro lugar das listas de melhores faixas do ano em sites como Pitchfork, NME e Spin.

Três anos depois, a missão do grupo liderado por Samuel T. Herring é manter os novos fãs e a presença nos maiores festivais de música do mundo. Para uma banda de carreira longa e que demorou bastante para, de fato, alcançar os holofontes, o trabalho de se manter em pé é com certeza o mais difícil. Nesse sentido, o quinto disco do grupo, The Far Field, é lançado trazendo uma mistura exepcional de competência e progressão.

Em entrevista para o site Best Before, o tecladista Gerrit Welmers explicou que o disco demorou basicamente todo o ano de 2016 para ser produzido. São 12 faixas selecionadas em um arcenal de 24 demos (que ficamos na espera de serem vazados).

O primeiro single, “Ran”, é bastante eficaz em nos trazer de volta a gradiosa sensação de ouvir algo como “Seasons”. Teclados e baterias foram a base de algo ainda mais forte: a voz de Samuel, que canta algo extremamente pessoal – sobre sua vida e a estrada – dando mais poder a música.

Já o dueto com Debbie Harry mereçe toda a atenção do público mais antenado nas referências do grupo: não é todo o dia que uma banda consegue uma parceria com um dos artistas que mais influenciaram em seu som. Eles conseguiram extrair a oportunidade da melhor maneira possível e recriaram uma atmosfera new wave que beira o pop em tons de melancolia na iconica voz de Debbie já com seus setenta anos.

“Cave” também se destaca, faixa forte e imersa em uma atmosfera de distorções que encontram parceria nos vocais graves e ritmo acelerado. Já “Through the Roses” talvez seja um dos pontos mais pesados do disco, com uma letra que fala abertamente sobre suícidio (“in the weak of my soul the temptation to look inside my wrist“).

The Far Field certamente não é um disco de singles e pode se tornar um pouco repetitivo para que não é muito familiarizado com o estilo, mas faixas como “Ran” e “Cave” certamente irão encontrar o seu lugar de destaque. O disco, no entanto, merece toda a atenção dos fãs da banda e coloca Future Islands em uma posição de destaque na música contemporânea.

OUÇA: “Cave”.