Ariana Grande – thank u, next


thank u, next é o último álbum de Ariana Grande, uma das maiores artistas pops da atualidade. sweetener (2018) mostrou uma artista lidando com os problemas de sua vida com uma atitude positiva. Alegre, iluminado, embasado em resiliência e até mesmo uma dose de negação. thank u, next, como um bom antagonista shakespeariano, escancara uma outra postura. Sentimentos negativos, raiva e melancolia; um lado B de como lidar também com essas mesmas experiências negativas que não aparentam dar trégua.

Ao suceder rapidamente o lançamento anterior, fica inevitável colocar os dois discos lados a lado. sweetener marcou uma transição da cantora rumo a um produto mais autoral e autêntico. Com o auxílio de Pharell Williiams na produção, o produto foi um registro prospectivo, forte, progressista dentro do que pode ser no urban pop.

Desse lançamento para cá, uma série de eventos aumentaram a exposição de Ariana, e seus ressentimentos também. Toda a postura positiva e enérgica dela no trabalho anterior sede espaço à traços de personalidades visto como ruins e posturas não-convencionais, uma maneira diferente de ver os problemas da vista.

Uma das características marcantes é uma ambientação uníssona e presente. As músicas partem de uma base harmônica semelhante, um urban pop mais lento e “chilled”, com mais elementos de trap. Surge uma aura sombria, mais introspectiva, que projeta esse trabalho como o tão recorrente disco “dark pop” da carreira das cantoras americanas.

A primeira faixa, “imagine”, já atesta grande parte do que vem pela frente. Um beat devagar e a voz de Ariana em primeiro plano, com direito a whistle notes de Mariah Carey e um desfecho ao som de violinas. Ariana lida ao longo dos 41 minutos com amores impossíveis, incapacidade de se relacionar, consumismo. Dificuldade de lidar com o passado, arrependimentos e uma incapacidade de mudar essas características. “I admit I’m a lil messep up” ela canta em needy.

O álbum tem pontos altos excelentes, embasado alto escalão de produtores e compositores envolvidos no projeto. Os saxofones e o baixo elaborado em “bloodline”, meticulosamente curados por Max Martin, fazem dela facilmente uma das melhores faixas do ano. “fake smile” e “make up” tem uma estrutura pop tão bem casada que é bem provável tocar em qualquer rádio durante o próximo ano.

Obviamente um registro tão longo feito em tão pouco tempo tem momentos pouco cativantes. As insossas “bad idea” e “ghostin” parecem que poderiam usar de mais um tempo no estúdio. O disco finaliza com os três singles já lançados, que de fato fazem o recorte mais comercial do álbum. A faixa homônima realmente sintetiza todo o posicionamento de Ariana: olhando para si mesma e compreendendo suas falhas e erros, e tirando algum proveito.

thank u, next é sim um álbum melancólica de sua própria maneira. Mas antes disso, é sobre não saber lidar emocionalmente com as várias circunstâncias da vida. Ariana tem atualmente 11 anos de carreira. Com esse mesmo tempo de carreira, Mariah Carey já havia lançado Butterfly; Whitney Houston se preparava para lançar o My Love Is Your Love; Madonna atingia sua época mais polêmica com a sexualidade, Erotica e o sex book.  Seguindo essa lógica, provavelmente estamos nos aproximando do auge da carreira de Ariana. Seria thank u, next esse momento?

p.s.: Alguém ensina essa menina a usar letra maiúscula, por favor.

OUÇA: “imagine”, “bloodline” e “fake smile”

Caipira do Danúbio, ganhou um iPod nos anos 2000 e daí pra frente tudo desandou.

Leave a comment

Please be polite. We appreciate that. Your email address will not be published and required fields are marked