Amanda Palmer – There Will Be No Intermission



Amanda Palmer é uma pessoa extremamente passional em tudo o que faz, desde sempre. Sua carreira musical, com toda a certeza, não é diferente. Eu pessoalmente sou muito fã da moça desde seus tempos com o The Dresden Dolls e acompanho sua carreira solo desde o “fim” do duo. There Will Be No Intermission é seu quarto álbum solo, se contarmos o Amanda Palmer Goes Down Under, que foi gravado ao vivo, e o primeiro desde o incrível Theatre Is Evil em 2012. E Intermission é um álbum essencial da Amanda.

Trata-se, provavelmente, do álbum mais pessoal de toda a sua carreira. Lidando com temas como maternidade, morte, amor, aborto e casamento, Amanda canta todas as suas dores de forma bastante explícita e honesta sem medir suas palavras. ‘I was peeing in the bathroom and had left for just one second / ‘Cause I thought he couldn’t move and he was safe / As I came out I saw him falling in slow motion to the floor / It was probably the worst moment of my life‘, Palmer canta em “A Mother’s Confession”, a faixa mais longa com quase onze minutos de duração. ‘At least the baby didn’t die‘, ela continua em seu refrão.

There Will Be No Intermission é, também, um álbum minimalista quando comparado a seus outros. Toda a exposição emocional é feita através de músicas compostas apenas usando piano ou ukulele na maior parte do tempo. Isso, e o fato de que várias de suas músicas já eram conhecidas desde 2015, faz com que o álbum pareça em grande parte do tempo algo não muito impressionante.

É sem dúvida alguma um trabalho bastante confessional e com composições belíssimas – o maior problema aqui é que elas não necessariamente funcionam como um álbum coeso. Por se tratar de, no total, 20 faixas, em que muitas delas ultrapassam os seis minutos e são em sua grande maioria cantadas apenas por Amanda acompanhada de um único instrumento (piano ou ukulele), Intermission acaba sendo bastante monótono. Não existem grandes variações em ritmo ou composições e isso atrapalha um pouco o ouvinte – o real foco de Amanda aqui está em suas letras.

As letras, sim, são maravilhosas do começo ao fim. Lindíssimas, abordando temas complicados e universais a todos – principalmente a mulheres que são mães. There Will Be No Intermission desde sua capa, com Amanda completamente nua e segurando uma espada, mostra a força dessa mulher em todos os sentidos.

Mas a monotonia de Intermission infelizmente faz com que o seu álbum mais poético e pessoal já lançado tenha um tom não muito memorável. Analisar There Will Be No Intermission enquanto uma coletânea de poesias e devaneios musicados o torna um álbum memorável, mas (por falta de outra palavra) chato de se ouvir do começo ao fim. Em suas 20 faixais, o disco percorre quase uma hora e meia e são poucos os momentos em que Amanda brilha nesse contexto – se você analisar as músicas faixa a faixa é possível se emocionar e mergulhar na proposta de Amanda. Mas essas faixas todas simplesmente não funcionam tão bem como uma obra completa e coesa.

OUÇA: “A Mother’s Confession”, “Drowning In The Sound”, “Bigger On The Inside” e “Voicemail For Jill”

and when the body finally starts to let go, let it all go at once not piece by piece, but like a whole bucket of stars dumped into the universe

Leave a comment

Please be polite. We appreciate that. Your email address will not be published and required fields are marked