Alex Clare – Tail Of Lions

alex

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Antes de falarmos sobre Tail Of Lions faz-se necessário apresentar um background sobre a carreira de Alex Clare…

O cantor/compositor tinha contrato assinado com a Island Records para seu primeiro álbum de estúdio, The Lateness Of The Hour, lançado em 2011. A performance do disco não foi a qual a gravadora esperava, e por isso, a mesma encerrou contrato com o artista. No ano seguinte, a faixa “Too Close” foi escolhida como soundtrack dos comerciais da Internet Explorer e fez com que o mundo descobrisse Alex Clare. A música decolou, atingiu vários charts, foi indicada ao Brit Awards e tocou massivamente nas rádios.

Com o buzz de “Too Close”, Island voltou atrás e assinou novamente com o cantor, que mais tarde veio a lançar seu segundo álbum de estúdio, Three Hearts, em 2014. Inclusive, Three Hearts entrou na minha lista de melhores álbuns do ano, mas não agradou a massa. Alex acabou caindo no limbo e novamente foi dispensado por sua gravadora.

Outro fato importante é que o Alex é judeu ortodoxo, o que se tornou um grande impasse com a gravadora. Tendo que conciliar sua agenda profissional com o período sabático e feriados religiosos, a martelada final da relação com a Islands foi um cancelamento com a Radio 1 Live Lounge devido um compromisso religioso.

Depois dessa montanha russa de bons e maus momentos, Alex se encontra hoje livre das amarras comerciais, local que tanto batalhou por fazer parte, e lançou Tail Of Lions de forma independente, produzindo aquilo que queria, quando queria, respeitando seus princípios familiares e religiosos. Mesmo assim, fazendo o que sempre desejou e mantendo-se fiel à sua essência, Alex entregou um álbum pouco marcante.

Bem parecido com os anteriores no que tange composições e estruturas musicais, Alex fez mais do mesmo. Com seu pop rock alternativo banhado à dubstep e música eletrônica, o álbum peca ao não ter nenhuma faixa impactante ou que se destaque – vocês não tem noção do quanto demorei para decidir as músicas da sessão “Ouça”.  Tail Of Lions é um álbum linear, de agradável audição, mas não passa disso.

O título remete a um antigo provérbio judeu, “É melhor ser a cauda de um leão do que a cabeça de uma raposa”, uma crítica direta ao mercado fonográfico, constatando o quanto é melhor ser uma pessoa feliz, real e fiel à sua essência do que seguir padrões e se tornar uma pessoa triste, falsa e fabricada. Essa mensagem é transmitida durante todo o álbum, e por essa coragem, aplaudo Alex Clare.

Por fim, considerando tudo aqui apresentado, provavelmente pouco importará à Alex resenhas e avaliações sobre seu álbum, muito menos quantificá-lo por uma nota, desde que ele esteja feliz consigo mesmo fazendo o que realmente importa: música.

OUÇA: “Basic”, “Gotta Get Up” e “Love Can Heal”.

Fã assíduo de boa música – seja lá o que isso for.

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