Actress – Ghettoville

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O DJ britânico Actress lança seu quarto álbum, o ruidoso Ghettoville. Mais conceitual e experimental que seus trabalhos anteriores, o disco pode desagradar seus ouvintes e até desencorajá-los logo na faixa de abertura. Ainda assim merece atenção e, por que não, elogios?

Dentre os vários estilos e denominações da música eletrônica, o som que Actress apresenta é um techno-ambiente. Não há explosões de ânimo, grandes viradas e o momento ponham suas mãos para o ar: o som é essencialmente regular e morno. Se nos álbuns anteriores encontrávamos um flerte com linhas futurísticas, em Ghettoville o DJ abusa do noise, o recurso que faz de diversos ruídos algo musical.

As primeiras faixas do novo disco são extremamente difíceis de acompanhar, pois Actress preenche o espaço vazio com ruídos que remetem a atritos entre dois objetos, trovões e interferências de equipamentos eletrônicos. Por isso, o disco se mostra a princípio como uma experiência auditiva que visa o novo: a desmistificação do ruído como um incômodo a ser negado. Tais faixas são longas, vão se arrastando com dificuldade enquanto você se pergunta “por que raios tô ouvindo isso?”. Entretanto, a partir da faixa “Gaze”, o que era quase um tormento, passa a ganhar certo ritmo e forma; e flui. A fluidez ruma para o seu momento mais glorioso que acontece durante as três últimas canções. Em tais faixas redentoras temos até alguns samples e vocais!

Ghettoville não é um disco pra se ouvir nos fones enquanto você anda pela rua, definitivamente. Mas quem sabe uma das faixas não figure alguma trilha sonora de um filme de suspense. Como a experiência musical é ousada, é válido dar uma ouvida sem compromisso. Sempre bom sair da linha do comum.

OUÇA: “Rap” e “Frontline”

1 Comments

  1. Fernando

    Genial, ótima resenha!

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